Vivendo a Cultura da Aliança nas universidades

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Um campo fértil para o apostolado.

Karen Bueno – “Cultura do encontro é cultura da aliança”, diz o Papa Francisco durante a audiência com a Família de Schoenstatt. E essa cultura do viver a Aliança de Amor deve ser levada a todos os ambientes onde os schoenstattianos atuam.

Viver a Aliança de Amor nas universidades é um desafio para aqueles que estão inseridos no ambiente acadêmico. Muitas vezes, correntes contrárias ao pensar cristão são empecilhos para a livre expressão da fé. Porém, muitos alunos, professores, funcionários dão testemunhos concretos no dia-a-dia dessa cultura da Aliança, que é uma cultura de vida.

Os alunos

Ser um universitário católico, schoenstattiano, requer personalidade firme. “Ser uma jovem cristã e schoenstattiana no mundo acadêmico não é difícil, mas é um desafio. A impressão que os colegas têm de nós é que, por termos uma vida com princípios religiosos, não podemos participar das festas, dos jogos ou de outras atividades fora da universidade. Entretanto, isso não é real. A diferença é que sabemos nos comportar, sabemos dos nossos limites, sabemos fazer a diferença”, comenta a estudante Julia Martins, de Ibiporã/PR.

Para a jovem, a Aliança de Amor faz toda a diferença nos estudos, já que toma Maria como sua Educadora: “A grande contribuição do Movimento de Schoenstatt na minha vida acadêmica e pessoal é saber que nossa Mãe é a grande Educadora e nos ajuda a superar os desafios e crescer espiritualmente, pessoalmente e profissionalmente”. Julia pertence à Juventude Feminina de Schoenstatt e está “matriculada na escola de Maria” há alguns anos. “Saber que temos a Mãe ao nosso lado e a fé na Divina Providência faz tudo ter mais sentido, tudo se torna mais tranquilo”.

Os professores

A formação humana, baseada na Pedagogia do Fundador de Schoenstatt, é trabalho de vários educadores no Brasil e no mundo. Também no ambiente acadêmico há professores schoenstattianos.

Thomé Lovato pertence à União de Famílias de Schoenstatt e é professor dos cursos de Agronomia, Engenharia Florestal e Zootecnia na Universidade Federal de Santa Maria/RS (UFSM). Dá aulas há 30 anos – desde 24 de abril de 1985 – e transmite a cultura da Aliança entre os alunos. “Procuro aplicar aos estudantes e colegas os valores e princípios do Movimento Apostólico de Schoenstatt, com foco no exercício da paternidade espiritual, que observo ser a maior carência vivenciada pelos jovens estudantes”.

Algo essencial para ele é o apostolado do ser, de dar um testemunho de vida com coerência entre o falar e o agir: “Um ponto marcante para mim sempre foi a ‘Ordem do Ser’. Nosso Pai Fundador, Pe. José Kentenich, afirmava que a ordem do ser indicava a ordem do agir. Como lido com a dinâmica da natureza na agricultura, aproveito bastante esta realidade para impregnar a ideia de que devemos agir respeitando a ordem estabelecida por Deus na natureza”.

A professora Mara Delarozza dá aulas para o curso de Enfermagem há 22 anos na Universidade Estadual de Londrina/PR (UEL): “Sempre digo abertamente que participo de uma Comunidade Religiosa e que isto me fortalece imensamente. Reforço com os alunos a importância de buscar o desenvolvimento dos valores espirituais e religiosos que os nortearam em momentos difíceis”, diz a professora, que pertence ao Instituto de Famílias de Schoenstatt.

Na UEL, as dificuldades para compartilhar a fé são maiores: “Em nossa Universidade, qualquer manifestação religiosa pública é proibida. Esta decisão é recente e tenho tentado, juntamente com alguns membros da Pastoral Universitária, reverter essa situação”. Diante disso, resta apenas o testemunho silencioso. “O primeiro apostolado é o apostolado do ser, realizar minhas tarefas de professora como um serviço a Deus. Procuro criar uma forte vinculação com meus alunos e apoiá-los em todos os sentidos: profissionais e pessoais. Sempre que há abertura, busco encaminhar os alunos e colegas a conhecerem o Santuário filial de Londrina”.

Segundo Thomé, o Movimento de Schoenstatt traz respostas para todas as áreas acadêmicas e para a vida: “Tenho a convicção de que Schoenstatt é como uma fonte inesgotável, porque é também divino. Assim, entendo que o Movimento de Schoenstatt pode dar respostas para todas as carências da humanidade e do mundo de hoje, tanto no âmbito da família, da ciência e da tecnologia, da sociedade, da política, da saúde, etc.”.

A grande Educadora

Ter Maria como Mãe e Educadora é um aspecto central da Aliança de Amor. Já no ano de 1912 Pe. Kentenich propunha aos jovens: “Queremos colocar nossa autoeducação sob a proteção de Maria”[1]. A grande Educadora forma personalidades livres e autênticas, que aspiram seguir os planos do Pai Eterno.

Assim sendo, a presença da MTA no ambiente acadêmico é essencial. Essa presença se concretiza de maneira especial por meio da Peregrina Universitária, que caminha entre os estudantes levando as graças do Santuário. Clique e saiba mais sobre a Peregrina Universitária.

Ser modelo

Durante a audiência do dia 25 de outubro, o Papa Francisco deu alguns conselhos para a juventude, que se aplicam a todos. Dizia-lhes o Santo Padre: “Viver de tal maneira que os outros tenham vontade de viver como nós. […] Nós não somos salvadores de ninguém, somos transmissores de alguém que nos salvou a todos. E isso somente o podemos transmitir se assumirmos na nossa vida, na nossa carne, na nossa história, a vida desse alguém que se chama Jesus. Ou seja, testemunho”. Dar um testemunho coerente de vida é o que Pe. Kentenich propõe com o que chama de ‘apostolado do ser’. A esse apostolado todos são chamados, concretizando no dia-a-dia a cultura da Aliança.

“O que está ao alcance de todo o schoenstattiano é a possibilidade de viver em cada detalhe, pequena decisão e contato do seu dia a dia a cultura da Aliança. Isso é possível vendo em todas as situação e em cada pessoa uma manifestação e um chamado do bom Deus, que nos ama e nos educa para alcançarmos a verdadeira felicidade, que é, mesmo diante do maior sofrimento humano, conseguir repousar em paz em seu coração amoroso. Ele está no leme e conduz tudo para o bem da humanidade”, conclui o professor Thomé Lovato.

[1] Documento de Pré-Fundação, nº 20.

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