Conheça o Projeto “Ser Tudo Para Todos”

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Uma ação social “com o pé” no Santuário de Schoenstatt

Marina Carmo da Silva/Karen Bueno – “Todas as vezes que eu voltava do trabalho, eu passava pela região da Praça da Sé para ir à faculdade. Eu via aquele mundo diferente, que eu desconhecia. Na época, eu estava passando por um momento conturbado em minha vida e queria ser capaz de enxergar que existiam pessoas em condições piores do que a minha. Então, de início, passei a dormir na rua uma vez por mês. Com o tempo, as minhas idas ao centro [de SP] passaram a ser semanais: uma vez por semana visitava os moradores. Essa experiência na rua foi o melhor remédio, pois pude olhar e perceber que eu teria de arrancar forças de onde eu não tinha. Foi aí que o projeto começou a dar seus primeiros passos”.

Quem conta esse breve relato é Romario Pinheiro de Souza. Ele pertenceu, por vários anos, ao grupo de Pioneiros e à Juventude Masculina de Schoenstatt no bairro do Jaraguá, em São Paulo/SP. Romario é o iniciador do projeto social “Ser Tudo para Todos” (STPT), que foi idealizado e desenvolvido em meados de 2016, inspirado no ideal de vida de José Engling, o jovem herói do Movimento Apostólico de Schoenstatt.

Seguindo os passos do nosso herói

Engling era missionário e atuou como soldado na Primeira Guerra Mundial, dando um testemunho de como a santidade pode ser vivida mesmo diante das adversidades. Foi olhando para a realidade e os desafios atuais com o olhar de Engling que nasceu essa iniciativa. “De início, o projeto tinha a missão de levar alimento aos irmãos de rua, entregando marmitas na Praça da Sé; eram poucas, porém feitas com muito amor e carinho. Assim que o tempo foi passando, o próprio projeto percebeu que existiam mais causas pelas quais poderíamos trabalhar, então adicionamos mais cinco ‘pastas’”, explica o Romario.

De um início singelo, atualmente o STPT alcança diversos voluntários e se subdivide em seis “pastas” de atuação na cidade de São Paulo/SP: idosos, crianças, animais, meio ambiente, humanidade e cidadania. Cada uma dessas pastas representa uma área de atividades específicas.

Camila F. Brandão, voluntária do projeto, conta: “Poder partilhar algo que as pessoas necessitam e perceber o quanto é importante para elas o que recebem, transforma a minha visão da vida e do mundo. São pessoas muitas vezes em realidades completamente diferentes de tudo que já presenciei e vivi – e que muitas vezes não imaginava que pudessem existir. Ver algumas situações no noticiário, ou em um documentário, é uma forma distante de conhecer a verdade dessas pessoas que, na maioria das vezes, o que mais querem é ser notadas e tratadas como cidadãs, tendo um ouvido atento a elas, olhos nos olhos”.

 

 

Cada uma das pastas desenvolve atividades voltadas para o seu público, como levar comida e conversar com a população de rua, ações em asilos, lives e palestras sobre cuidados com a saúde, busca de lar para animais abandonados, campanha de castração animal, desenvolvimento de currículo para desempregados, etc. Segundo Camila, “o projeto visa acolher a todos que puder, com os recursos que tem, e busca tocar e transformar os momentos da vida desses irmãos em boas experiências, nas quais eles sintam realmente a entrega de amor que é dada nas ações, com o acolhimento que cada voluntário oferece”.

A presença de Schoenstatt no projeto

Além do nome ser inspirado no ideal de José Engling, o Santuário está presente no logotipo do projeto, como marca de sua origem. Repare no pequeno Santuário em cada eixo:

A relação com o Movimento está, segundo Romario, principalmente na cultura do encontro, que inspirou tudo isso. “A ideia do logotipo sempre foi mostrar o Santuário nas entrelinhas. Por quê? Sempre pensei que o projeto pudesse atender a todas as pessoas, independentemente de crença. Quem é schoenstattiano sabe que existe ‘Schoenstatt’ tanto no nome quanto no logo, mas, além deles, temos também voluntários que pertencem a outras crenças”, explica Romário Pinheiro.

Vários schoenstattianos, conhecendo a origem do projeto, hoje se envolvem em suas atividades. É o caso de Matheus Silva de Lima, do Jumas do Jaraguá: “Um dos marcos da minha Aliança de Amor é a família: minha mãe, que estava presente, meus irmãos de grupo, abraçados lado a lado… E quero carregar isso com qualquer pessoa que eu encontrar, para que ela se sinta abraçada por mim e me veja como sua família. Aí entra o projeto, como modo concreto desse meu marco da Aliança. De forma especial atuo na pasta Humanidade, que ajuda os irmãos de rua e aqueles mais necessitados. Nesses momentos eu me dou por inteiro, quero abraçar, conversar, mostrar que sim, pelo menos por dez minutos de conversa, eu serei sua família”.

Segundo Matheus: “O projeto como um todo mostra isso, ser uma família para quem não tem uma. Esse fogo de levar Schoenstatt ao mundo o projeto acolhe, porque eu quero ser tudo para todos e, pela minha Aliança, quero ser família – foi nisso que me encontrei”.

 

A voluntária Camila complementa: “Participar das ações sempre traz uma reflexão sobre a vida, sobre as nossas escolhas. Sempre temos algo a partilhar com outras pessoas, por mais limitados que sejamos (e somos). Também deixa a reflexão do quanto somos afortunados, principalmente do que o dinheiro não pode comprar”.

Para saber mais sobre o projeto acesse o perfil no Instagram @sertudoparatodos / contato: (11) 9.7623-4344

Veja as linhas de atuação de cada pasta aqui: clique

 

⇒ Quem foi José Engling?

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