Corpus Christi: celebrando a Eucaristia

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A Eucaristia é o que de mais precioso pode ter a Igreja no seu caminho ao longo da história (São João Paulo II)

Jaqueline Montoya – “A Igreja vive da Eucaristia” [1], é assim que São João Paulo II inicia a carta encíclica Ecclesia de Eucharistia. No dia da solenidade de Corpus Christi somos chamados a refletir sobre o grande mistério de amor: o Cristo que se faz presente na Eucaristia para permanecer conosco até o fim dos tempos. O Concílio Vaticano II justamente afirmou que o sacrifício eucarístico é “fonte e centro de toda a vida cristã”. Será que temos plena consciência disto?

 

Origem de Corpus Christi

Instituído pelo Papa Urbano IV, em 8 de setembro de 1264, o Corpus Christi é a comemoração litúrgica ao Corpo de Cristo. Trata-se da memória da Última Ceia, por isso, sempre celebrado numa quinta-feira. Na Última Ceia a Eucaristia foi instituída pelo próprio Cristo, quando Ele partiu o pão e distribuiu o vinho aos seus discípulos, dizendo “isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós” e “este cálice é a nova aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós” (Lc 22,19-20). Com este gesto, entregou-se a nós até o fim dos tempos, como afirma o Catecismo da Igreja Católica [2] “o nosso Salvador instituiu na última ceia, na noite em que foi entregue, o sacrifício eucarístico do seu corpo e sangue, para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até voltar, o sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da glória futura (145).”

 

Schoenstatt e a Eucaristia

Desde antes de sua fundação, a Obra de Schoenstatt possui grande vinculação à Eucaristia. Ao criarem a Congregação Mariana, em 1914, os seminaristas possuíam seções de trabalho específicas, permitindo que a congregação se subdividisse em grupos menores para trabalharem em áreas de interesse comum. As primeiras seções escolhidas foram a Seção Missionária e a Seção Eucarística.

A Seção Eucarística dedicou-se a desenvolver a tarefa de fazer crescer o potencial espiritual dos rapazes (uma das tarefas práticas era a manutenção do santuário; esta seção providenciava os sacristães necessários para decorar e limpar o Santuário). O próprio Pe. José Kentenich comenta a importância da seção para a Congregação: “A Seção Eucarística tinha a tarefa de supervisionar o progresso constante e eficaz no caminho de Maria, com Maria, através de Maria e em Maria até Jesus. Recordem quão profundamente religioso e transformador, quão forte era o interesse pela Santa Eucaristia e o Sagrado Coração e a calma meditação apesar do tempo extraordinariamente difícil que se vivia e do peso da guerra. Aqueles que estavam conosco nesses anos sabem que não podemos tomar isto como certo. O Grupo da Oração e o Grupo do Sagrado Coração eram os responsáveis por tudo isto. E assim, cada um da sua maneira, proporcionaram um apoio eficaz à Portadora Oficial de Cristo [Maria]. Ao mesmo tempo, o Grupo da Cortesia trabalhou com sucesso para unir o amor de Jesus e Maria com a vida diária”, apontou posteriormente. [3]

 

Na escola de Maria, Mulher Eucarística

Celebramos a festa da Eucaristia, mas, assim como os congregados, queremos também nos recordar de nosso caminho como schoenstattianos: por Maria, a Cristo. Sim, também hoje recordamos nossa querida Mãe e queremos lhe pedir: ensina-nos a amar a Cristo como Tu, querida Mãe.

Maria foi o primeiro tabernáculo: tabernáculo vivo, que carregou o Cristo em seu ventre. São João Paulo II comenta “se quisermos redescobrir em toda a sua riqueza a relação íntima entre a Igreja e a Eucaristia, não podemos esquecer Maria, Mãe e modelo da Igreja (…) De certo modo, Maria praticou a sua fé eucarística ainda antes de ser instituída a Eucaristia, quando ofereceu o seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus” (Encíclica Ecclesia de Eucharistia)

Que a exemplo de Maria, possamos ser portadores de Cristo em todos os lugares, para que a solenidade hoje recordada pela Igreja não seja apenas mais um evento litúrgico, mas um reavivamento de nossa fé e compromisso como cristãos.

 

Foto: Alex Valerio, Santuário Sião Jaraguá

 

Referências

[1]Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, disponível em http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_20030417_eccl-de-euch.html

[2] Catecismo da Igreja Católica, disponível em http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s2cap1_1210-1419_po.html#ARTIGO_3_

[3] Heroes de Fuego, Pe. Jonathan Niehaus, Editora Patris

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