
Larissa Rodrigues – No dia 19 de abril de 1905, nascia em Rottweil, no sul da Alemanha, Elisabeth Seyfried, aquela que o mundo de Schoenstatt viria a conhecer como Ir. M. Emanuele, uma mulher cuja vida se tornou testemunho vivo do que significa dialogar com a vida com coragem e fidelidade.
Em tempos em que nosso lema nos convida a ser “heróis em diálogo com a vida”, a figura de Ir. M. Emanuele surge como uma companheira de caminho, alguém que já viveu, antes de existir esse lema, exatamente isso.
Do coração da Alemanha ao coração do Brasil
Em 1932, Elisabeth ingressou no Instituto das Irmãs de Maria de Schoenstatt. Três anos depois, respondeu a um chamado que exigia tudo dela: deixar sua terra natal e partir como missionária para o Brasil. Chegou em 10 de junho de 1935, uma das 12 pioneiras que o Fundador, Pe. José Kentenich enviou para edificar Schoenstatt em solo brasileiro.
A realidade que encontrou não era simples. O idioma era desconhecido, as condições de moradia eram precárias, e Londrina/PR, onde ajudou a fundar o Colégio Mãe de Deus, era ainda um pequeno povoado em meio à mata virgem. Mas Ir. M. Emanuele não recuou diante da vida real. Ela a acolheu, aprendeu com ela e respondeu com criatividade e fé.
Polo tranquilo nos tempos de tempestade
Talvez o momento mais revelador de sua personalidade tenha sido o período do exílio do Fundador. Numa época em que Schoenstatt no Brasil esteve verdadeiramente à sombra da cruz, Ir. M. Emanuele tornou-se ponto de referência para toda a Família, orientando, acolhendo, sustentando.
O Pe. Hernán Alessandri, Padre de Schoenstatt cujo processo de beatificação está em andamento no Chile, deixou um testemunho tocante: todos que entravam em contato com ela sentiam-se abrigados. Ela era, nas suas palavras, “o polo tranquilo”, aquela junto de quem cada pessoa se sentia valorizada e animada, porque ela vivia profundamente ancorada em Deus.
Esse enraizamento em Deus é justamente o que torna possível o verdadeiro diálogo com a vida: não uma abertura ingênua à realidade, mas uma escuta firme, feita de Fé Prática na Providência Divina, exatamente o que o nosso carisma nos propõe.
Não foi diferente com o Ir. Germano Arendes, superior dos Irmãos de Maria no Brasil durante o período do exílio. Ao falar de Ir. M. Emanuele, ele recorreu espontaneamente às palavras da Sagrada Escritura: “Quando a Sagrada Escritura pergunta: ‘a mulher forte, quem vai encontrá-la?’ eu diria que isso se aplica a Ir. M. Emanuele. Portanto, uma grande mulher…“.
Uma presença que irradiava
O Pe. Jaime Ochagavia, do Chile, descreveu com precisão e carinho o estilo único de Ir. M. Emanuele: ela não impunha, oferecia. Não pressionava, respeitava. Irradiava delicadeza, simplicidade e, acima de tudo, confiança, confiança na Mãe, no Fundador, em Deus. “A confiança total de que a Mãe triunfa”, disse ele. “Era isso que ela irradiava.”
Mas havia ainda outra dimensão que o Pe. Ochagavia fazia questão de destacar: sua relação com a verdade. Ir. M. Emanuele era uma pessoa com uma atitude muito clara, o que é verdade, é verdade; o que não é, não é, mas sempre com respeito, sem pressionar. Uma buscadora profunda da verdade, revestida de prudência, mística e delicadeza. E o Pe. Ochagavia concluiu com uma afirmação que resume tudo: “Todas as pessoas que a conheceram um pouco, que a escutaram, pensam que é santa; e não somente santa, mas uma santa muito especial. É um modelo, modelo de mulher schoenstattiana, modelo de Irmã de Maria de Schoenstatt. Um modelo!”
Uma heroína de cada dia
O nosso lema não chama ninguém a realizar somente grandes gestos, também os pequenos…. Chama cada um e cada uma à uma atitude: a de quem enfrenta a vida com coração disposto, com coerência e perseverança. Ir. M. Emanuele viveu assim. Desde a mata virgem de Londrina até a responsabilidade de Superiora Geral do Instituto das Irmãs de Maria de Schoenstatt no mundo inteiro, ela foi moldada pela cruz e pela Aliança de Amor e tornou-se, nas palavras do próprio Fundador, “um caso preclaro de sabedoria feminina”.
Ao celebrarmos hoje o seu nascimento, pedimos que ela interceda por nós, para que também nós saibamos dialogar com a vida com a mesma coragem, a mesma fidelidade e a mesma confiança que ela nos deixou de herança.
“Torna-nos semelhantes à tua imagem, como tu passemos pela vida. Fortes e dignos(as), simples e bondosos, espalhando amor, paz e alegria.” (Rumo ao Céu 609)