Quando Pe. Kentenich confiou e nada aconteceu…

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A Mãe de Deus não o libertou na data esperada

Ir. M. Nilza P. da Silva – Estamos acostumados a ler que o Pe. Kentenich tinha uma confiança heroica na Mãe de Deus e ela sempre realizava milagres. Mas, será que houve ocasião em que ele confiou e nada aconteceu? Vamos refletir sobre isso.

Como sabemos, levaram alguns meses, desde a prisão do Pe. José Kentenich até o seu para o campo de concentração, que se deu a 11 de março de 1942. Foi um período intenso de muitas provações para a fé e destacamos um, porque esse acontecimento traz mensagens muito importantes para a realidade em que vivemos.

Depois de ter se decidido não fazer nenhuma interferência humana para não ser libertado do Campo de Concentração, em 20 de janeiro de 1942, nosso Pai e Fundador viveu profundas experiência de liberdade interior e de certezas na fé. Uma dessas convicções, que se firmou sempre mais em seu coração era de que “na festa de Nossa Senhora da Candelária a 2 de fevereiro, por causa de sua decisão voluntária em aceitar ser mandado para o campo de concentração, (Deus) lhe concederia a liberdade e, um futuro abençoado à sua Obra. Baseado nesta certeza, escreveu em sua cela o ‘Hino de Gratidão’, um poema de 14 estrofes no qual canta sua libertação e sua volta como um fato já acontecido:

‘Caíram as algemas! Da terra sagrada de Schoenstatt todos elevem jubilosamente um hino de gratidão… O que o poder e a astúcia de satanás tinham tramado como infortúnio, o olhar do Pai transformou em nossa suprema felicidade’.”[1]

Pe. Kentenich inclusive pediu que as Irmãs de Maria colocassem melodia nesse poema e ensaiassem para cantar solenemente, glorificando a Deus pela sua liberdade, e elas o fizeram. Todos aguardavam esse dia com muita expectativa.

A confiança não foi realizada

Chegou o dia tão esperado e o Fundador continuou preso. A oração confiante e os sacrifícios da Família de Schoenstatt e a confiança do Pe. Kentenich não foram respondidos pelo céu como eles imaginavam.

Porque estudamos as muitas vezes em que a Mãe de Deus atendeu o pedido do Fundador, corremos o risco de achar que ele nunca pediu algo que não tenha recebido, que sua confiança não tenha sido irrealizada e isso não só é inverdade como está registrado claramente em suas biografias.

Aproveitemos esses dias para refletir sobre isso, quão próxima de nós é a realidade em que viviam nossos primeiros e nosso Fundador. Quantas vezes nós também pedimos, confiamos, entregamos e o céu parece não nos ouvir. O que fazer? Desconfiar? Culpar-nos por não termos pedido certo? Jogar a toalha e desistir da luta?

 

Dizer sim a Deus e continuar a confiar

É isso que fez também o Pe. Kentenich e a Família de Schoenstatt, naquele 2 de fevereiro de 1942. Se Deus não lhes concedeu a liberdade externa, viram isso como um impulso para continuarem a empenhar-se corajosamente pela liberdade interna: Cada um deveria educar-se para ser sempre mais semelhante a Cristo e dar um sim filial ao sofrimento que Deus lhe havia preparado.

Nesse dia 2 de fevereiro, na prisão de Coblença/Alemanha, em vez desiludir-se com Deus, Pe. Kentenich ficou ainda mais convencido de que seria libertado de Dachau e que Schoenstatt seria, um dia, reconhecido oficialmente pelo Vaticano. Ele não sabia quando e nem como, mas, tinha certeza disso e, a partir daí começou a atuar diretamente para que as autoridades da Igreja se detivessem em um estudo científico sobre a Obra de Schoenstatt, sua espiritualidade, pedagogia e toda a riqueza que o Espírito Santo realizava, pela intercessão da Mãe e Rainha.

Ele nunca fugiu das dificuldades, procurava, pelo contrário, acolher na fé as exigências do amor de Deus. Por meio de todas as duras provas de fé e confiança, tornou-se ainda mais filho dócil de Deus e entregue a Maria, mais humano, mais compreensivo e mais bondoso para com as pessoas.

 

“Tudo o que pedirdes com fé…”

Mas, pode-se questionar aqui: Como fica, então, com a promessa de Jesus, “Tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis”. (Mt 21,22)? Acaso faltou fé para o Pe. Kentenich e para a Família de Schoenstatt, naquela ocasião?

A resposta veio quando, mais tarde, analisou-se todo o processo de condenação do Pe. Kentenich, pela Polícia Nazista, descobriu-se que nesse dia 2 de fevereiro, em Berlin foi decidido que Pe. Kentenich não seria enviado para o Campo de Concentração de Mauthausen e sim para o de Dachau. Se tivesse ido para Mauthausen, a morte seria certa.

Sim, Deus sempre nos atende! Quando não o faz como desejamos, Ele o faz de um modo melhor e muitas vezes não percebemos. Prova disso são as grandes vitórias que a Mãe de Deus alcançou nos anos de prisão do Pe. Kentenich no Campo de Concentração.

Em síntese: Pe. Kentenich também teve orações e confiança não atendidas como ele desejava, mas, disse sim aos planos de Deus e continuou a confiar, por isso, Deus fez maravilhas. Confiemos também nós, Deus nunca nos desilude. “Deus é fiel, é um pai, é um amigo fiel, é um aliado fiel… Quem se agarra a Deus não cai, é a nossa defesa do mal sempre à espreita”, afirma o Papa Francisco.[2] Como Pe. Kentenich nos ensina: “Confio cegamente, em toda situação!” “Quem tem confiança, tudo alcança!”

 

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[1] MONNERJAHN, Engelbert. Pe. José Kentenich – Uma vida pela Igreja

[2] Papa Francisco, 26 de fevereiro, no ângelus.

Publicado em: 6 de nov de 2023 

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