Pe. Kentenich nos fala sobre Nossa Senhora das Graças

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Imagem: Canção Nova

 

Em uma de suas homilias, na Paróquia Santa Cruz, em Milwaukee/EUA, Pe. José Kentenich reflete sobre Nossa Senhora das Graças, a quem a Igreja celebra neste dia 27 de novembro. Vejamos:

 

A primeira aparição leva-nos ao ano de 1830. Catarina Labouré era noviça no seu convento quando a Mãe de Deus a incumbiu de mandar gravar e divulgar a medalha milagrosa com a conhecida inscrição: “Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!” Por três vezes, um menino que ela acreditava ser seu anjo da guarda a convidou a levantar-se de noite para ir à igreja.

No coro, viu a querida Mãe de Deus vestida de branco, com um véu azul, tendo a seus pés um grande globo e nas mãos um globo menor, como símbolos do mundo e toda a humanidade. Maria elevou seu olhar e o pequeno globo a Deus, para entregar a ele. Seus dedos estavam ornados de preciosos anéis, com pérolas incrustadas. De seus anéis e de suas mãos partiam raios[2].

A Mãe de Deus explicou, carinhosamente, a Catarina o que ela estava contemplando: “Estes raios”, disse, “simbolizam as graças que derramo sobre os que as pedem”. Uma frase breve, mas de profundo conteúdo, que expressa com clareza e evidência as três dimensões e tarefas de sua missão maternal.

 

É ela quem derrama as graças

No sentido estrito da palavra, só Deus pode conceder graças. A Mãe de Deus não afirma: “Eu derramo as graças”. Aponta explicitamente para seu poder maternal sobre o coração de Deus. Mostra também que derrama as graças sobre pessoas, exercendo seus cuidados maternais para com a cristandade que deseja conduzir a Deus. Mas, em sua sabedoria maternal, deseja que essas graças lhe sejam pedidas. Parece até dar uma importância particular a esses pedidos. Chama a atenção da vidente para as pedras de que não partem raios e explica: “Estas pedras preciosas sem raios são as graças que ninguém me pede”.

Incontáveis pessoas elevam suas mãos suplicantes ao trono de Maria. Nossas mãos e corações também se elevam muitas vezes a ela… em todas as aflições do corpo e da alma, na própria miséria e na miséria do próximo, nas preocupações familiares e com a pátria.”

Se no desamparo do mundo e da Igreja, as mãos se elevam a Ela, “quantas pedras preciosas nas mãos de Maria começarão a brilhar e a resplandecer! Que imenso mar de graças se abrirá à humanidade aflita! Que mudança abrangente e profunda terá a sorte dos povos! Com os papas, podemos esperar a pacificação do mundo e a liberdade da Igreja e das nações! (…)

 

Eis aí a tua Mãe

Escutamos as palavras de Jesus: “Eis ai a tua Mãe!”, mas não sabemos aplicá-las à vida. Sabemos que se realizaram no passado, mas não estamos conscientes de que hoje não perderam a validade que tiveram quando foram pronunciadas pela primeira vez. Tranquiliza-nos por isso escutar da sua boca as felizes palavras: “Eis ai tua Mãe!”

Por intermédio de Catarina Labouré, ela nos fala nesta mesma linguagem. Repete-nos sem cessar que recebemos todas as graças através dela, mas que muitas delas ainda não nos foram concedidas porque não as pedimos à Mãe de Deus. Escutemos e interpretemos atentamente, uma a uma, as suas palavras: “Estas pedras preciosas são as graças que ninguém me pede” – não simplesmente: que ninguém pede. Dificilmente poderia evidenciar com mais clareza sua pessoa, tarefa e interesse por nós.

Esta constatação é tranquilizadora e feliz, mas não nos impede perguntar de novo: Por que motivo a Mãe de Deus se coloca com tanta evidência em primeiro plano nas visões que descrevemos, destacando sempre de novo sua contribuição para a redenção do mundo? Não contradiz assim a imagem que a Sagrada Escritura esboça dela? Ali, fica sempre em segundo plano, coloca-se inteiramente atrás de Jesus.

Sua pessoa e sua sorte estão tão intimamente unidas a Jesus, que ela não aparece em primeiro plano como pessoa individual, com seus próprios interesses[3].

 

Ela é o vínculo entre Deus e a humanidade

Quando aparece a Catarina Labouré, Maria ergue o olhar a Deus, segurando nas mãos um globo a fim de o entregar e abandonar a ele. Oferece a Deus o globo e as pessoas que ele simboliza. Une inseparavelmente os corações ao coração de Deus, ao mesmo tempo em que as graças concedidas por Deus passam pelas suas mãos. É quanto revelam os preciosos anéis ornados de pedras preciosas das quais partem raios de graças para a humanidade.

A Mãe de Deus encontra-se entre Deus e a humanidade. Deus utiliza suas mãos e seu coração para conceder graças e benefícios de todos os tipos. E por intermédio dela, as pessoas levam ao coração de Deus suas preocupações e aflições, seus sofrimentos e suas alegrias, seu coração e seu amor. A Mãe de Deus tem uma posição intermediária ou de mediação na ordem da salvação.

As aparições de Nossa Senhora a Catarina Labouré (1806-1876) no ano de 1830, está vinculada a assim chamada medalha milagrosa[1].

 

Homilias na quaresma de 1954, em Milwaukee/EUA

Livro: Maria Mãe e Educadora

 

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[1] Cf. Josef Goubert u. L. Christian: Marienerscheinungen – Erscheinungen und Botschaften der Mutter Gottes von 1830 bis auf unsere Tage, Recklingshausen 1955, p. 7-31: Die Wundertãtige Medaille.

[2] Cf. Imagem e texto em Carl Feckes: Sofeiert die Kirche – Maria im Kranzihrer Feste, Kaldenkirchen 1954, p. 200ss

[3] Cf. Augustinus AIbrecht: Die Gottesmutter – Theologie und Aszese der Marienver- ehrung, Freiburg p. 93ss;

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