Viver como filho de Deus exige coragem

 

“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus” [1]

Ir. M. Marcia Carmo da Silva – Realizar um ato de grande coragem é o que distingue um super-herói. Na Igreja temos muitos exemplos de coragem, assim vemos São Paulo, que anuncia o evangelho em meio aos perigos de morte; São Francisco de Assis, que deixa sua riqueza para doar-se no serviço aos pobres; e o Servo de Deus Pe. José Kentenich, que ama a Igreja, mesmo enfrentando as dificuldades de um longo exílio de 14 anos.

O heroísmo é uma graça do Espírito Santo que atua no coração dos filhos de Deus. O sopro divino imprime régia dignidade e, com o dom da fortaleza, ajuda a dizer um sim filial à vontade de Deus, mesmo diante das mais duras lutas e dificuldades. “O Espírito é dado pelo Pai e leva-nos ao Pai”.[2]

Não basta saber que somos filhos de Deus, “precisamos lembrar-nos de que devemos comportar-nos como filhos de Deus”[3]. Isso exige coragem, pois nos leva por caminhos e escolhas que não correspondem ao que vivenciamos em nossa sociedade. Desta forma, por exemplo, pode parecer estranho quando devolvemos o troco que recebemos a mais, quando acordamos cedo para participar da Santa Missa, quando evitamos conversas e situações que nos expõem ao pecado.

“Maria, Mãe, desperta o coração do filho adormecido em cada homem. Assim, nos leva a desenvolver a vida do batismo pela qual nos tornamos filhos”.[4] Ela é nossa educadora e nos ajuda a reencontrarmos o caminho ao Pai, pois ser filho “é a nossa vocação primordial, é aquilo para o que fomos feitos, o nosso ‘DNA’ mais profundo”[5], diz o Papa Francisco.

“Ser filial significa grande coragem”[6]

A vida diária, com suas lutas e dificuldades, nos chama a tomar uma decisão muito importante: Assumir nossa condição de filhos ou viver como escravos, presos às amarras da autossuficiência e incredulidade.

“Quando todos os ninhos protetores são atirados ao mar, quando todos os apoios terrenos nos são tirados, o que nos resta então? Nada mais do que penetrar no coração de Deus. Mesmo que ruja tempestade, que brame o vento, que estronde o raio, penso como filho do marinheiro: ‘O pai está no leme!’ Mater Habebit Curam! (A Mãe cuidará). Essas palavras deveriam estar dia e noite em nossos lábios. Não devemos esperar muito de nós mesmos. Porém devemos ser heróis da confiança filial!”[7], ensina o Pe. José Kentenich.

A filiação divina é o segredo que impulsionou os Santos a viver a confiança filial. A coragem para realizar grandes coisas é fortalecida na consciência do amor de Deus, que nunca abandona seus filhos. “Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixa só, porque faço sempre o que lhe agrada”.[8]

Minhas atitudes e escolhas agradam a Deus? Acredito e confio na presença de Deus Pai que nunca me abandona? O que preciso melhorar para viver como filho de Deus?

“A filialidade é o caminho para o céu”[9], diz Pe. José Kentenich. A graça da adoção filial torna-nos capazes de trilhar o caminho da santidade.

 

Foto: pexels.com/pt

 

[1] 1 João 3

[2] Papa Francisco. SOLENIDADE DE PENTECOSTES. Vaticano: 15 de Maio de 2016.

[3] Catecismo da Igreja Católica nº2784

[4] Conselho Episcopal Latino-Americano. A EVANGELIZAÇÃO NO PRESENTE E NO FUTURO DA AMÉRICA LATINA. Conclusões: Puebla. São Paulo: Loyola, 1995

[5] Papa Francisco. SOLENIDADE DE PENTECOSTES. Vaticano: 15 de Maio de 2016.

[6] Kentenich, J. O OBJETIVO DE TUA VIDA CRISTÃ. Aschaffenburger. Alemanha: 28 de novembro de 1937

[7] ibidem

[8] João 8, 28

[9] Kentenich, J. SER FILHO DIANTE DE DEUS. Santa Maria/RS: Vol. II

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