A Igreja no Brasil celebra o Mês Vocacional, tempo de oração, reflexão e compromisso com o chamado que Deus faz a cada pessoa. Em Schoenstatt, a vocação é vivida como resposta de amor e missão a serviço da Igreja e das famílias.
Juliana Dorigo – Agosto é tradicionalmente dedicado às vocações na Igreja no Brasil. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) instituiu o Mês Vocacional durante a sua 19ª Assembleia Geral, realizada em 1981, com o objetivo de conscientizar as comunidades sobre a responsabilidade compartilhada no despertar, acompanhamento e fortalecimento das vocações.
Neste ano de 2026, a reflexão acontece com o lema “Comunidades vocacionais: Encontro, testemunho e missão” e o tema “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas” (At 2,46). A proposta é recordar que toda comunidade cristã é um espaço onde as vocações nascem, amadurecem e se fortalecem por meio da oração, da convivência fraterna e da missão.
Ao longo do mês, cada domingo é dedicado a uma vocação específica, ajudando os fiéis a reconhecerem a riqueza dos diversos chamados presentes na Igreja:
- 1º Domingo: Sacerdócio e ministérios ordenados;
- 2º Domingo: Matrimônio, celebrado juntamente com a Semana Nacional da Família;
- 3º Domingo: Vida Consagrada;
- 4º Domingo: Vocação dos leigos.
A vocação vivida em Schoenstatt
No Movimento Apostólico de Schoenstatt, a oração pelas vocações ocupa um lugar especial. Toda primeira quinta-feira do mês é dedicada a pedir novas vocações para a Igreja e perseverança àqueles que já responderam ao chamado de Deus.
O fundador do Movimento, Pe. José Kentenich, viveu sua vocação com profunda fidelidade e confiança na vontade divina. Desde a juventude, compreendeu que Deus era o centro de sua existência e deixou um testemunho que continua inspirando gerações:
“Deus é minha origem, Deus é minha meta, deve ser também a estrela condutora da minha vida, o centro de todos os ideais. Tudo passa, só nós permanecemos, Ele, meu Criador e eu, sua criatura (…) por isso toda a minha luta e aspiração aqui na terra deve ter como objetivo a união com Deus, isto é, a conformidade com a vontade divina.” (J. Kentenich, 1904).
Seu exemplo recorda que toda vocação nasce de um encontro pessoal com Deus e se fortalece na fidelidade cotidiana.
O testemunho vocacional do Venerável João Luiz Pozzobon
Entre os grandes exemplos de vocação vivida no Movimento de Schoenstatt está o Venerável João Luiz Pozzobon. Sua vida revela como o chamado de Deus pode ser plenamente vivido na vocação matrimonial, familiar e no ministério diaconal.
Transformado pelo amor à Mãe e Rainha, Pozzobon dedicou sua vida à evangelização por meio da Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt. Levando a imagem da Mãe Três Vezes Admirável por milhares de quilômetros, visitou famílias, fortaleceu comunidades e incentivou a vivência dos sacramentos, especialmente o Batismo e o Matrimônio.
Mesmo percorrendo longas distâncias em missão, nunca deixou de cuidar daqueles que Deus lhe confiou em primeiro lugar: sua própria família. Em seus escritos, deixou registrado:
“Pouco importava mover o mundo inteiro, se descuidasse de minha família. Se isto acontecesse, não estaria fazendo nada.”[1]
Ordenado diácono em 30 de dezembro de 1972, assumiu seu ministério como um verdadeiro serviço à Igreja. Em sua ordenação, escreveu:
“Uno-me sempre ao Santo Padre e ao nosso amado Bispo, como também aos párocos, sacerdotes e a todos os religiosos, na sublime obra de salvar as almas. Este é o espírito da Campanha. Queremos levar a paz aos homens, fazer todos felizes através da reconciliação.”[2]
Seu testemunho continua inspirando milhares de missionários da Campanha da Mãe Peregrina a viverem a própria vocação como um caminho de santidade, serviço e missão.
Um chamado para todos
O Mês Vocacional recorda que toda vocação nasce do amor de Deus e encontra sua realização quando colocada a serviço dos irmãos. Seja no sacerdócio, na vida consagrada, no matrimônio ou na vocação leiga, cada cristão é chamado a responder com generosidade ao projeto de Deus.
Que neste mês possamos rezar pelas vocações, incentivar novas respostas ao chamado do Senhor e renovar o compromisso de viver nossa própria missão, tornando nossas comunidades verdadeiros lugares de encontro, testemunho e missão.
Referências
[1] URIBURU, Esteban. Herói hoje, não amanhã, pág. 61
[2] Pe. Victor Trevisan, livro: João Pozzobon um “Santo” com têmpera de missionário leigo
Fonte: Mãe Peregrina