Alegria: a Esperança no amor de Deus

Suellen Figueiredo – “No tempo de hoje, tão pobre em alegria, esforçamo-nos por mostrar na imagem da Mãe de Deus o sentido, a essência e o objetivo da verdadeira alegria?”. [1]

As dificuldades dos tempos atuais, guerras, fome, sofrimentos inimagináveis podem, nos fazer olhar para a vida com falta de esperança. Neste Ano Santo, o Papa Francisco nos convida a “trocar as lentes” e enxergar o mundo com o olhar voltado para o céu, a terra da Esperança.

A Esperança de cada dia

Há pouco, iniciamos um novo ano, tempo de promessas e projetos, a Esperança foi renovada pela possibilidade de novos dias. Porém, para muitos, com o passar dos dias, esse sentimento começa a se perder. O que parecia ser a promessa de mudanças e alegrias, passa a cair na rotina. Porém, o que seriam das “alegrias de domingo” se não vivenciássemos as “alegrias de dias de semana”?

É bem verdade, que não teremos somente dias felizes. Estes podem ser mediados por dias “mornos” ou até com a vivencia do sofrimento e da tristeza. A doença de um ente querido, dificuldades no trabalho, ou até a tibieza que nos cerca a cada tempo, podem nos tirar a alegria.

O Pe. Kentenich nos recorda que nossa querida Mãe é para nós também o modelo de alegria. Se olharmos os mistérios dolorosos, podemos acompanhar Jesus e sua Mãe nos momentos de sofrimento. Mas, aquela a quem foi profetizado por Simeão: “Uma espada de dor transpassará tua alma” (Lc 2, 34). É também aquela que no Magnificat cantou as glórias e alegrias que Deus lhe concedeu. A Mãe dolorosa é também para nós a Mãe da Alegria. A alegria da Mãe de Deus está enraizada na esperança.

Seguir o exemplo da Mãe

Em primeiro lugar, devemos observar como a Mãe de Deus viveu as alegrias do dia a dia: A submissão filial à vontade de Deus: “Faça-se em mim, segundo a tua palavra. Eu sou a serva do Senhor”! (LC 1,38). Na expressão “serva do Senhor” reside a fonte da alegria experimentada pela Mãe de Deus, mesmo em meio aos cruéis sofrimentos.[1]

Devemos dar espaço em nossas vidas, às alegrias do dia a dia, como a Mãe de Deus. Então, como podemos nos espelhar nela, para viver as alegrias dos dias comuns?

Listamos aqui alguns pontos:

  • Ao iniciar o dia, refletir: Como, na minha rotina, posso hoje me esforçar para causar alegria à Mãe de Deus?
  • Ser instrumento de alegria para uma pessoa.
  • Oferecer ao Capital de Graças pequenas alegrias do dia.

Causar Alegria

A Ir. M. Petra Schnuerer nos conta, em seu livro “Um encontro com Padre Kentenich”, como foi a sua experiência como secretária do Pe. Kentenich, durante o seu tempo de exílio, em Milwaukee/EUA . O Pai e Fundador a ensinou a ser alegre:

“Uma vez, ele não me avisou que ia me educar, que ia me ensinar algo. Ele me disse: ‘Amanhã um sacerdote virá me visitar, contou-me um pouquinho dele e depois falou: A jovem que vive na vizinhança o conhece muito bem e disse que está tão contente. Quando esteve comigo, ela me disse: Virá o padre tal e tal. Que alegria para mim! Eu o quero tão bem e me alegro de me encontrar com ele. Mal posso esperar para encontrá-lo.’ Assim, eu soube que era muito importante para essa jovem ver, escutar e falar com esse padre.

(O sacerdote chegou e fui auxiliar na missa que ele presidiu). Terminada a Missa, nós dois fomos ao escritório do Pe. Kentenich. O sacerdote para agradecer-lhe e saber quando podia conversar com ele e eu para começar meu trabalho. Bom, depois que o sacerdote saiu, o Pai e Fundador me disse:

– Um momentinho, quero saber uma coisa, como foi a Missa?

– Bem normal, respondi, tudo em ordem.

-Foi tudo bem?

– Sim.

– Quem estava na Missa?

– Ninguém, só o sacerdote e eu.

– O quê? Quer me dizer que a senhora não convidou a jovem vizinha para estar na Missa desse sacerdote, o qual ela quer tanto?

Disse-lhe: Não, Pai!

– Não? Realmente não lhe ocorreu (convidá-la)?

– Não, Pai.

– Veja, a senhora nunca pensa nos outros…

Ele me disse isso com um rosto triste: Sinto muito! Olhe, a senhora perdeu uma oportunidade única de dar uma grande alegria à essa jovem, perdeu a oportunidade, a oportunidade foi embora e não voltará mais. Que triste me sinto!”. [2]

Esse exemplo do Pe. Kentenich mostra-nos que, em cada momento do nosso dia, podemos encontrar a alegria e sermos portadores da alegria e da esperança para outras pessoas.

Quando nos propomos a causar alegria ao outro, nós também nos tornamos mais alegres e causamos muito mais alegria ao coração de Deus.

E você, onde consegue enxergar a alegria dos dias comuns? Em que pode causar alegria e esperança para outras pessoas hoje?

 

Fontes:

[1] Viver com alegria (volume 1)– Pe. José Kentenich

[2] Um encontro com o Padre Kentenich – Ir. M. Petra Schnuerer

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