Julia Pezzotti – O amor ao próximo também se expressa em gestos concretos de serviço. Com esse propósito, 40 jovens da Juventude Apostólica de Schoenstatt do Regional Coração Tabor participaram de mais uma edição do Ato Heróico, realizada em 25 de outubro, no bairro do Jaraguá, São Paulo/SP. Nesta edição, os participantes pintaram a Comunidade Sagrado Coração de Jesus e realizaram outros serviços de manutenção no local.
Uma iniciativa que une heroísmo e serviço
A ideia do Ato Heróico surgiu em 2020, inspirada na Caminhada Jovem Tabor, realizada em 2012 pela Juventude de Jaraguá e aberta à Família de Schoenstatt. Na ocasião, os participantes caminharam do Santuário Sião do Jaraguá até a então Ermida da Mãe e Rainha, em Caieiras/SP, onde hoje está o Santuário de Schoenstatt. Embora a experiência tenha acontecido uma única vez, despertou o desejo de retomar uma atividade que reunisse os jovens em um gesto concreto de heroísmo, sacrifício e entrega ao Capital de Graças. Devido à pandemia, a proposta só saiu do papel em 2021, com uma nova caminhada até o Santuário de Caieiras.



Leonardo Leite, ex-integrante da Juventude Masculina de Schoenstatt (Jumas) Jaraguá e idealizador do projeto, explica que a intenção sempre foi unir espiritualidade e ação concreta. “A ideia do Ato Heróico sempre foi que o evento gerasse vida e fosse algo prático, algo que nos colocasse em ação em prol dessa vivência”, destaca. Por isso, cada edição recebe um nome e um lema próprios, que orientam a atividade prática. Ao longo dos anos, os jovens já caminharam, realizaram atividades missionárias e, nesta edição, escolheram edificar.
Com o nome Franciscus, a edição deste ano teve como inspiração a vida de São Francisco de Assis e do Papa Francisco, referências de oração, simplicidade e amor ao próximo. A pintura da comunidade tornou-se uma forma concreta de colocar em prática esses ensinamentos e levar o cuidado de Cristo à realidade local.
“Vai e reconstrói a minha Igreja”
O lema do encontro foi a frase atribuída a Jesus na cruz da Igreja de São Damião, dirigida a São Francisco de Assis: “Vai e reconstrói a minha Igreja que está em ruínas”. Inspirados por esse chamado, os 40 jovens se reuniram na Comunidade Sagrado Coração de Jesus para um dia de serviço e convivência fraterna.
Ao longo da atividade, eles pintaram as partes interna e externa da Igreja e realizaram outros trabalhos de manutenção, como a capina das plantas no terreno. A programação foi orientada por três pilares: entrega e Igreja em saída, fraternidade e construção. Cada um deles ajudou os participantes a compreender o sentido espiritual do trabalho realizado.



A entrega, a Igreja em saída e a fraternidade
O primeiro pilar levou os jovens a refletir sobre a importância de sair ao encontro de quem precisa. A realidade do próprio bairro apresenta situações que pedem ajuda e assistência. Nesse contexto, o trabalho na comunidade foi uma oportunidade de renunciar ao conforto pessoal e contribuir para que o espaço se tornasse mais acolhedor para as pessoas que o frequentam. Os participantes também ofereceram seus esforços e sacrifícios ao Capital de Graças, confiando-os à Mãe de Deus.
O segundo pilar foi a fraternidade. A vida de São Francisco de Assis, especialmente por meio do Cântico das Criaturas, e os ensinamentos do Papa Francisco na encíclica Laudato Si’ recordam a importância de reconhecer a presença de Deus na criação e cuidar de tudo o que Ele nos confiou. A reflexão também abordou a encíclica Fratelli Tutti, que destaca a necessidade de cultivar o amor fraterno em uma sociedade marcada pelo enfraquecimento dos vínculos. Nesse contexto, os jovens recordaram uma frase do Papa Francisco: “Ou somos irmãos ou tudo desaba”, pronunciada por ocasião do II Dia Internacional da Fraternidade Humana.

Celebração e vinculação no Santuário
De volta ao Santuário Sião do Jaraguá, os participantes celebraram a Santa Missa, presidida pelo Pe. Gabriel Oberle, assessor regional do Jumas, que os acompanhou durante o dia, e pelo Diácono Lucas Botassio. O Evangelho proclamado (Mt 22, 34-40), sobre o mandamento do amor, trouxe à celebração uma ligação com a experiência vivida ao longo do encontro.
A programação também contou com a Aliança de Amor de um grupo do Jumas Jaraguá. Durante o jantar, os jovens tiveram um momento de convivência e vinculação, colocando em prática a fraternidade que havia sido tema das reflexões.
Pequenos atos de heroísmo no cotidiano
O terceiro pilar, a construção, convidou os participantes a olhar para além do serviço realizado naquele dia. A pintura e os demais trabalhos na comunidade representam uma contribuição concreta, mas também apontam para um compromisso que deve continuar na rotina. A proposta é que o Ato Heróico não seja uma experiência isolada, mas inspire pequenos gestos de entrega e serviço em todos os dias.
O encontro terminou com a Adoração ao Santíssimo Sacramento. Diante de Cristo, os jovens entregaram o cansaço e os esforços do dia e renovaram o desejo de colaborar com a construção da Igreja por meio de atitudes concretas de amor.


Alessandra Uliani, integrante da Juventude Feminina de Schoenstatt Jaraguá, destaca o significado da atividade: “Acredito que foi um ato realmente muito heroico, pois nos dedicamos ao próximo e, consequentemente, a Deus, ao capinarmos, pintarmos e limparmos o local. Às vezes, pode parecer pouco, mas ajudamos a transformar o dia a dia das pessoas que frequentam a comunidade”.
Referências
Mensagem do Papa Francisco para o II Dia Internacional da Fraternidade Humana: a fraternidade é a âncora de salvação da humanidade.
Papa Francisco. Carta Encíclica Fratelli Tutti: sobre a fraternidade e a amizade social. 3 de outubro de 2020.
Editado por: Larissa Rodrigues.