Comunicadores de dez países unem forças pela evangelização

Larissa Rodrigues – Inspirados pelo convite do Papa Leão XIV para “reparar as redes”, mais de 100 missionários digitais e comunicadores de dez países da América Latina e dos Estados Unidos reuniram-se no Santuário de Nuevo Schoenstatt, em Florencio Varela, Argentina. Ao longo de dois dias de formação, oração e convivência, representantes da Igreja universal, do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), do Movimento Apostólico de Schoenstatt e de diversas iniciativas de comunicação refletiram sobre uma missão que vai além das plataformas digitais: construir relações, fortalecer a comunhão e anunciar o Evangelho.

O Brasil esteve representado por Larissa Rodrigues, do setor de comunicação nacional do Movimento Apostólico de Schoenstatt, Karen Bueno, jornalista do portal internacional schoenstatt.com, Luciana Mocelim, responsável pela comunicação da União de Famílias do Brasil, e pelo Pe. Afonso Wosny Filho, Diretor Nacional do Movimento.

Larissa Rodrigues, Luciana Mocelim, Karen Bueno e Pe. Afonso Wosny

Comunicar é encontrar

A abertura do encontro já indicou o tom das reflexões. Partindo do chamado dos primeiros discípulos, o Pe. Pablo Savoia, referente dos evangelizadores digitais na Comissão de Comunicação da Conferência Episcopal Argentina, conduziu a primeira meditação do encontro e recordou que a missão da Igreja nasce da fraternidade. “O primeiro sinal do Reino é a fraternidade. Não vamos sozinhos. Jesus nos chama com outros e ninguém se salva sozinho.”

Inspirado pela frase do Papa Leão XIV, o sacerdote apresentou três atitudes para quem evangeliza no ambiente digital: lançar as redes, deixar as redes e reparar as redes. Lançar as redes significa aprender novas linguagens e dialogar com quem pensa diferente. Deixar as redes recorda que a identidade do comunicador nasce do encontro com Deus e não dos resultados alcançados. Reparar as redes, por sua vez, é acolher as pessoas feridas e reconstruir vínculos em uma sociedade marcada pelo isolamento.

Um dos principais palestrantes foi Mons. Lucio Ruiz, secretário do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé. Ao abordar os novos territórios da evangelização, ele destacou que a missão digital não se resume à conexão tecnológica. “Trata-se de encarnar a mensagem, do cara a cara, da conexão pessoal, de viver em fraternidade e superar as brechas digitais”, afirmou, ressaltando o protagonismo dos jovens na construção dessa nova cultura do encontro.

Uma rede de comunhão

Mais do que apresentar ferramentas ou estratégias, o encontro foi marcado pela experiência de comunhão entre comunicadores de diferentes países, movimentos, vocações e carismas.

Para Enrique Soros, coordenador geral dos Comunicadores de Schoenstatt e integrante da equipe organizadora, a evangelização digital começa muito antes da publicação de um conteúdo. “A evangelização digital parte de uma profunda conversão do coração. Um coração que ama, acolhe e não julga, que escuta e não discute, que dialoga e não impõe, é um coração evangelizador com espírito profético em uma época que usa a polarização para dominar.”

A jornalista María Claudia Enríquez, integrante da equipe de Missionários Digitais da Conferência Episcopal Argentina, afirmou que o maior fruto do encontro foi experimentar concretamente a sinodalidade. “Percebemos que não estamos sozinhos. A Igreja tem muitas vozes e muitos rostos, mas precisamos viver isso e não apenas dizer.” Para ela, comunicar o Evangelho também é um caminho de santidade: “Jesus foi o grande comunicador da história porque Ele mesmo era a mensagem.”

Essa experiência também foi destacada pelo Pe. Felipe Ríos, coordenador continental do Movimento Apostólico de Schoenstatt na América. Segundo ele, o encontro ajudou a reconhecer a importância do continente digital e a necessidade de uma missão compartilhada. “Ficou muito forte essa ideia de não trabalhar sozinhos, mas formar equipes, somar iniciativas, aprender uns com os outros e trabalhar cada vez mais em rede.”

A contribuição de Schoenstatt

A programação também trouxe uma reflexão a partir do carisma de Schoenstatt. Em sua palestra, o Pe. Santiago Ferrero, Diretor Nacional do Movimento na Argentina, apresentou a Cultura da Aliança como um caminho para fortalecer a cultura do encontro proposta pelo Papa Francisco, destacando a necessidade de reconstruir vínculos humanos marcados pela confiança, pela gratuidade e pelo reconhecimento do outro.

Na prática, essa visão se traduz também na formação dos comunicadores. Soledad Oliva Carreras, especialista em comunicação digital e ex-coordenadora do Departamento de Comunicação de Schoenstatt Argentina, observou que muitos realizam seu apostolado com grande dedicação, mas sem formação específica. Por isso, considera que “capacitação e encontro são talvez as duas grandes necessidades de quem trabalha na comunicação”. Segundo ela, momentos como esse permitem voltar para a missão “com novas ideias, entusiasmo renovado e mais recursos para comunicar melhor”.

Para Alfredo Schiaffino, responsável pela comunicação nacional do Movimento de Schoenstatt no Uruguai, a comunicação torna-se apostolado quando consegue unir pessoas e iniciativas. “Temos muitas ações acontecendo ao mesmo tempo. A comunicação pode ajudar a unir esforços, fortalecer uma identidade comum e fazer com que todos caminhem na mesma direção.”

Pe. Santiago Ferrero, também ressaltou a importância de reunir comunicadores de diferentes países. Segundo ele, encontros internacionais não existem para impor critérios, mas para criar uma reflexão comum que depois se expressa de forma original em cada comunidade. “Compartilhar a reflexão, as inquietações e os acentos faz com que esse mesmo espírito apareça nas ações concretas e manifeste a unidade da Família de Schoenstatt.”

Ao final do encontro, o Pe. Afonso Wosny Filho destacou que a riqueza da programação esteve justamente na diversidade de perspectivas apresentadas. “A visão do Santo Padre e da Igreja universal, a experiência da Igreja latino-americana, o carisma de Schoenstatt e as contribuições das demais instituições completaram um mosaico de formação e informação que nos enriqueceu muito.” Para ele, um dos maiores frutos foi a convivência entre os participantes, “uma verdadeira convergência entre o real e o virtual”.

Entre diferentes idiomas, culturas e carismas, o encontro mostrou que comunicar o Evangelho continua sendo um convite a construir alianças, fortalecer vínculos e fazer da comunicação um verdadeiro apostolado. 

Fotos da sexta-feira, 05 de junho
Fotos do sábado, 06 de junho

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