Seja com o celular, câmeras profissionais ou mais simples, a fotografia segue fascinando o homem
Jaqueline Montoya – Quantas vezes você entrou no Santuário e sua primeira reação foi colocar a mão no bolso, procurar pelo celular, abrir a câmera e tirar uma foto? Hoje, no Dia Mundial da Fotografia, queremos refletir sobre o quanto este avanço tecnológico criado pelo homem tem a ver com nossa vida de Aliança.
Você sabe como começou a história da fotografia?
O que agora é algo simples, teve um início extremamente complexo. Em 1826, Joseph Nicéphore Niépce conseguiu gravar a primeira imagem permanente da história em uma placa de estanho usando uma câmara escura e betume. Foram necessárias 8 horas de exposição à luz para registrar a vista da janela de sua casa.
Em 1838, Louis Daguerre reduziu o tempo para cerca de 10 a 30 minutos ao registrar uma rua de Paris, capturando por acaso apenas as pessoas que ficaram paradas (como um homem limpando as botas).
Porém, é somente em 1839 que Daguerre aperfeiçoa o método e cria o daguerreótipo, o primeiro processo fotográfico comercializado e divulgado publicamente.
O Dia Mundial da Fotografia se celebra em 19 de agosto, pois foi nesta data, em 1839, que o governo da França comprou e anunciou ao mundo a invenção do daguerreótipo. O homem alcançava assim uma forma de “congelar o tempo” e registrar imagens, revolucionando o que até então se achava possível somente através das pinturas ou desenhos.
E o que isso tem a ver com nossa vida de Aliança?
É curioso como através dos anos o homem foi se aperfeiçoando e criando cada vez mais inventos e soluções para seus dilemas. O Pe. Kentenich viveu em uma época em que isso também era evidente e já causava grandes debates na sociedade. Afinal, onde a humanidade iria chegar com tantos avanços?
Em 27 de outubro de 1912, Pai e Fundador, Pe. Kentenich realiza sua primeira conferência como Diretor Espiritual dos jovens seminaristas palotinos, conhecida pela Família de Schoenstatt como Documento de Pré-Fundação. Dentre os temas de destaque, ele fala sobre a importância da evolução tecnológica acompanhada da evolução no mundo interior.
“Não é preciso ser grande conhecedor do mundo e do homem para constatar que o nosso tempo, com todo o seu progresso, com todas as suas descobertas, não pode libertar as pessoas do seu vazio interior. É que todas as atenções, todas as iniciativas têm exclusivamente como objeto o macrocosmo, o grande mundo, o mundo exterior a nós próprios. Na verdade, não hesitamos em manifestar a nossa admiração pelo ser humano. O ser humano dominou as poderosas forças da natureza e submeteu-as ao seu serviço[1]”, diz o Pai e Fundador aos seminaristas.
Porém, ele destaca que todo esse crescimento dever ser acompanhado pelo progresso interior.
“É preciso decidir! Para a frente ou para trás! Para onde? Vamos então retroceder! Teremos, portanto, que voltar à Idade Média, arrancar as linhas férreas, cortar os fios dos telégrafos, devolver a eletricidade às nuvens e o carvão à terra, fechar as universidades! Não, nunca! Não queremos fazer tal coisa, não devemos fazê-lo, não podemos fazê-lo. Então avancemos! Sim, avancemos na pesquisa e na conquista do nosso mundo interior através de uma autoeducação consciente dos seus objetivos. Quanto maior o progresso exterior, maior o aprofundamento interior[2]”.
Avançar no mundo interior: este deve ser nosso imperativo
Essas palavras de 1912 encontram eco em nossos corações ainda hoje. A própria Igreja já demonstrou seu cuidado e atenção com as novas tecnologias na recente encíclica Magnifica humanitas lançada pelo Papa Leão XIV e que reflete sobre a Doutrina Social da Igreja na era da inteligência artificial e dos desafios da revolução digital.
Hoje a fotografia está a um ‘clique’ de nossas mãos, em nossos celulares e câmeras digitais. Em segundos realizamos o processo que antes levava horas, prova de que realmente o ser humano carrega em si infinitas capacidades para novas descobertas. Mas de que valem todas elas se ainda carregar dentro de si o vazio do desconhecimento interior?
Não dispensamos uma boa foto, que sempre nos trará a lembrança exata daquele momento. A memória pode falhar, mas o registro estará lá. Na nossa vida de Aliança também somos chamamos a reconhecer os “registros de Deus” em nossa história.
Olhar nosso álbum da vida com os óculos da Aliança
Por isso, neste Dia da Fotografia, fica o convite para olharmos o álbum de nossas vidas. Não apenas os registros físicos que fizemos ao longo dos anos. Mas o olhar para nossa história. Com os óculos da Aliança queremos enxergar a mão de Deus conduzindo nossos caminhos. Recordar as alegrias, também as tristezas, tudo que deixou marcas na alma, assim como as fotografias nos deixam.
Porque, no fim, talvez o registro mais importante não seja aquele que permanece na memória do celular, mas aquele que, pela vida de Aliança, permanece gravado em nossa alma.