E se o meu candidato perder esta eleição?

Karen Bueno – Dia desses, juntamos um time para jogar futebol. Foi fácil separar as equipes e começar a partida. O jogo transcorreu com suas características de sempre: alegria, disputa, ataques e defesas. Ninguém falou sobre política. Fomos para casa sabendo que, naquele time, havia pessoas com linhas de pensamento diferentes, mas que gostavam de jogar juntas. E, naquele momento, nossas diferenças não importavam. Ou melhor, não eram mais importantes do que aquilo que nos unia.

Falar sobre a leveza de uma partida de futebol justamente hoje, no segundo turno das eleições, parece quase contraditório. Na política brasileira, vemos algumas semelhanças com o que há de pior no futebol: torcidas acirradas, provocações, confrontos e revolta. O adversário deixa de ser alguém que pensa diferente e se torna simplesmente um RIVAL, no sentido mais pesado da palavra.

Metade vai sorrir e metade vai sofrer – mas todos temos de ter esperança!

Hoje, independentemente de quem vença as eleições, uma parcela significativa dos brasileiros terminará o dia infeliz, enquanto outros estarão comemorando. É a matemática básica de um país dividido.

Dentre tantas diferenças, o consenso entre a maioria dos eleitores é que, infelizmente, eles não estão votando em um projeto que acreditam com todas as suas forças, mas que, por outro lado, votam para evitar um “mal maior”, ou seja, para que o “outro lado” não assuma o poder. Nesses dados podemos ver que as bases do próximo governo, independentemente de quem vença, podem estar fincadas em um solo de rancor e decepção.

Diante desse cenário, podemos nos perguntar: qual atitude pode nos ajudar a partir de agora?

Este texto é escrito antes da divulgação do resultado das eleições. Não sabemos quem será eleito, por isso, não é baseado em partidarismo, nem em preferências pessoais.

Se o meu candidato vencer, o que muda?

É natural sentir alegria, comemorar e celebrar a vitória de quem recebeu o nosso voto. A democracia também é feita desses momentos. Mas a alegria de uma conquista não precisa se transformar em humilhação para quem perdeu.

Não precisamos provocar, ridicularizar ou ofender quem pensa diferente para demonstrar que estamos felizes com o resultado. A vitória nas urnas não torna ninguém superior, assim como a derrota não torna ninguém menos digno de respeito.

E há algo ainda mais importante: o nosso compromisso social exige que continuemos atentos, cobrando promessas, fiscalizando decisões e reconhecendo tanto os acertos quanto os erros de quem foi eleito. Nossa responsabilidade como cidadãos não termina na comemoração.

E se o meu candidato perder?

Para esses, talvez, neste momento, o futuro pareça assustador. Talvez exista o receio de que valores importantes sejam ameaçados, de que o país tome um rumo perigoso ou de que decisões políticas comprometam os princípios que acreditam. Não é preciso fingir que essas preocupações não existem, nem abandonar as próprias convicções para aceitar o resultado.

Mas é preciso distinguir o que é uma preocupação legítima daquilo que é alimentado pelo medo, pela raiva e pelas previsões catastróficas. O futuro ainda não aconteceu. Não podemos transformar todos os nossos receios em certezas, muito menos permitir que a ansiedade determine nossas atitudes.

Nesse momento, podemos olhar para a história do Pe. José Kentenich. Ele conseguia prever coisas terríveis no campo político. Apesar disso, ele não permitiu que o medo determinasse o sentido de sua missão. Em meio às circunstâncias adversas, procurou permanecer fiel à sua consciência, à sua fé e à tarefa que acreditava ter recebido de Deus.

Não sabemos qual será nosso novo presidente eleito, mas podemos aprender muito com a postura do nosso fundador: não entregar nossa liberdade interior às circunstâncias externas. Não precisamos concordar com todas as decisões de um governo, nem deixar de nos posicionar diante do que consideramos injusto. Podemos acompanhar os acontecimentos, participar da vida pública, cobrar nossos representantes e defender nossos valores sem viver permanentemente dominados pelo medo ou pelo ódio.

A derrota de um candidato não precisa significar a derrota de tudo aquilo em que acreditamos. Nossos valores não dependem exclusivamente de quem ocupa a Presidência da República. Eles também se manifestam na maneira como tratamos as pessoas, educamos nossos filhos, trabalhamos, servimos à comunidade e contribuímos para a sociedade. Como ensina o Pe. Kentenich, muitas das grandes mudanças na história universal se deram por meio da influência de pequenas ações.

Para unirmos o país, temos que entrar com o respeito e a racionalidade, não com a emoção

Não será a vitória de um candidato que, por si só, amenizará a polarização. É necessário aprender a conviver com ela sem transformar cada divergência em uma guerra.

Isso exige respeito e racionalidade. E exige, sobretudo, que não deixemos nossas emoções ocuparem o lugar da razão. Ter esperança não significa somente acreditar que tudo dará certo, mas reconhecer que temos liberdade para fazer a nossa parte.

Talvez seja essa uma das contribuições que nós, schoenstattianos, podemos oferecer ao Brasil neste momento: pessoas capazes de ter convicções firmes sem perder a capacidade de dialogar; de defender aquilo em que acreditam sem desumanizar quem pensa diferente; de permanecer fiéis aos seus valores sem transformar a política em idolatria.

Se o seu candidato vencer, comemore com respeito. Se perder, respire, procure discernir os próximos passos e não permita que o medo roube sua esperança. Em qualquer cenário, continue participando, cobrando, servindo e construindo.

E, lembre-se: nós temos “uma presidente de honra” que cuida da nossa pátria

Nesse momento de incertezas, podemos lembrar um momento importante da história do nosso país. Quando a Princesa Isabel entregou a coroa para a Mãe de Deus, em Aparecida, ela fez um pedido muito especial, para todo o sempre. A princesa disse à Mãe de Deus:

“Se eu não me sentar no Trono do Brasil, rogo que a Senhora se sente nele por mim e governe perpetuamente o Brasil.”

Coroa doada pela princesa Isabel que até hoje adorna a imagem de Nossa Senhora Aparecida. (Foto: A12)

Esse é o pedido da princesa para a nossa Mãe, que ela seja sempre a Rainha do nosso povo e governe a nossa pátria. Hoje, renovamos esse pedido e confiamos o futuro à nossa Rainha: Querida Mãe, sê tu a nossa presidente hoje e sempre. Amém!

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