Novena de Natal – Textos do Pe. Kentenich

Vem Jesus, ó Rei divino, ao meu pobre coração. Eu te espero com saudade, alegria e gratidão.

Se o mundo te rejeita, com dureza e rigor, Minha alma te acolhe, com ternura e amor.

Textos do Pe. Kentenich

Caminhemos para o Natal, em companhia do Pe. José Kentenich. Cada dia da novena, suas palavras nos ajudam a introduzir-nos mais profundamente na filiação divina que Jesus veio nos trazer:

A coragem de recomeçar

Neste dia 16 de dezembro, inicia a novena para a Noite Santa do Natal do Senhor

Cada período do ano litúrgico tem suas características e seus propósitos especiais – assim também acontece com o Advento.

O Pe. José Kentenich nos fala sobre isso: “Hora é tempo de alegria, hora de profunda tristeza ou de anseio imenso. No Advento a Igreja quer lembrar-nos que a verdadeira santidade consiste em ter a coragem de recomeçar a cada dia”.

Coragem de recomeçar

Nós, como Família, aspiramos com seriedade aprofundar a vida interior, a vida com Deus, em Deus e para Deus. Mas, isso não é fácil! Todos nós experimentamos, muitas vezes, as fortes vacilações de nossa vida interior.

Hoje, por exemplo, estamos vibrando de entusiasmo. E amanhã? Mesmo quando bate o cansaço, a insegurança ou surgem novas barreiras, é necessário um novo começo.

É isso que a Igreja quer recordar-nos no tempo do Advento. É como se quisesse dizer a cada um de nós: todos os que aspiram seriamente a uma vida de santidade devem também ter a coragem de recomeçar cada dia de novo.

“Esta coragem de recomeçar inclui o profundo anseio por um ideal sumamente elevado. A Igreja o coloca, de maneira brilhante, esse alto ideal perante os nossos olhos, no Advento. Ele corre como as águas de um rio caudaloso, em direção ao Natal” (Pe. José Kentenich).

O Ideal mais elevado do advento é Jesus, que espera a cada um na manjedoura.

Para refletir

– Quais aspectos, atitudes, situações… quero mudar e renovar em minha vida?

– Que ponto concreto posso escolher para este novo começo?

Reflexões retiradas do manuscrito

O Objetivo de Vida do Autêntico Cristão, Pe. José Kentenich. Conferência à Família de Schoenstatt de Aschaffenburg/Alemanha – 28 de novembro de 1937

Ser como as crianças

Vocês recordam o que o anjo disse aos pastores?
Ele, depois de saudá-los, indicou: “Encontrareis uma criança…” (Lc 2,12).

Estas palavras nos apontam um grande fim, um grande objetivo: uma nova filiação!

“Deus se fez homem, nascendo como criança. E nós devemos tornar-nos divinizados pelo caminho do renascimento espiritual – e não somente nas quatro semanas do Advento, mas até o fim de nossa vida”, diz o Pe. José Kentenich.

Jesus coloca esse objetivo – ser como as criancinhas – diante de nós, como uma meta de vida. O que ele pede com isso? Ele deseja um novo nascimento!

Talvez há quem pense: “Nós, como jovens e adultos, não queremos calçar os sapatos de criança…” Mas precisamos distinguir duas coisas que são diferentes: ser criança e ser infantil.

“Se, no Advento, Jesus exige que nos tornemos crianças no sentido do mistério do Natal, não significa que devemos tornar-nos infantis, criançolas diante das pessoas, mas que, perante Deus, sejamos verdadeiras crianças, semelhantes a Jesus no presépio”.

A filialidade, quando é vista num grau mais elevado, significa a dedicação desinteressada de si mesmo, como Jesus sempre viveu. Toda a vida de Cristo foi caracterizada pela atitude filial: vou fazer o que agrada ao Pai, e não o que agrada a mim… A vontade do Pai é para o Filho a medida de todas as coisas (cf Jo 8, 29).

Olhando desta forma, a palavra “filialidade” recebe novo colorido, perde o aspecto de moleza, de falta de vigor e recebe um sentido profundo e transformador.

Para refletir

– Para ser um filho heroico, o que posso fazer hoje para causar alegria ao Pai?

Reflexões retiradas do manuscrito

O Objetivo de Vida do Autêntico Cristão, Pe. José Kentenich. Conferência à Família de Schoenstatt de Aschaffenburg/Alemanha – 28 de novembro de 1937

Do presépio para a vida

Olhemos ao presépio! O Advento quer novamente despertar o nosso anseio. Ele quer recordar que devemos ser filhos de um anseio muito profundo. Quer conscientizar-nos mais profundamente da grande distância existente entre o ideal e a realidade.

“Aquele que eu sou saúda tristemente aquele que eu deveria ser”

Olhando o presépio, vemos diante de nós a imagem daquilo que gostaríamos de ser: puros, singelos, filiais, nobres, confiantes em Deus…

Diante do presépio podemos recordar e meditar sobre o nosso ideal pessoal, ou o nosso ideal de ramo ou de comunidade. Como o nascimento de Jesus e toda essa vivência da Sagrada Família pode me inspirar?

“No tempo do Advento deveríamos ver nosso Ideal Pessoal ou o Ideal da Família nesta nova luz. Seria essa uma forma de saborearmos o Advento de maneira indizivelmente profunda. Nós nos lançamos a um grande ideal, porque estamos descontentes conosco mesmos. Não deveria este ideal apresentar traços filiais? Não deveria também, no meu Ideal Pessoal, consoar este [propósito de] ‘tornar-se criança’?”, questiona o Pe. José Kentenich.

“Podemos apalpar com as mãos esta dependência: Schoenstatt é filho da Mãe de Deus e, consequentemente, também do Pai. Quem compreende profundamente o espírito de Schoenstatt, compreende também o espírito da filialidade”.

Para refletir

Perguntas lançadas pelo Pai e Fundador…

– A filialidade está contida no meu Ideal Pessoal e no Ideal da Família (de Ramo ou de Comunidade)?
– Aspiro conforme a grande ideia: tornar-me obra e instrumento nas mãos da Mãe Três Vezes Admirável? Por favor, perguntai-vos a vós mesmos: como está sendo comigo?

Reflexões retiradas do manuscrito

O Objetivo de Vida do Autêntico Cristão, Pe. José Kentenich. Conferência à Família de Schoenstatt de Aschaffenburg/Alemanha

“Servus Mariae nunquam peribit”

“Um servo de Maria não perecerá! Um filho da Mãe Três Vezes Admirável não pode perder-se. Poderá, de vez em quando, ser bem sacudido, mas não se perderá”.

O Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, diz essa frase acima e, em seguida, convida a nos questionarmos: A minha atitude, em relação ao Pai e à Mãe Celestial, é singela e filial?

Confiar que “um servo de Maria não perecerá” é parte dessa atitude filial.

“Lancemos um olhar ao tempo de hoje – continua o Pe. José Kentenich – Será que ainda se conhece o espírito filial, a filialidade? Não. Hoje se escolhe justamente o contrário da filialidade. Quantos não querem mais saber-se dependentes de Deus Pai! Colocam-se ao lado e, até mesmo, acima de Deus. Os homens tornaram-se tão orgulhosos que adoram a si mesmos como deuses: Autodivinização! Considero, por isso, como a maior tragédia do tempo atual, não as aflições por causa da falta de trabalho ou o flagelo da fome, mas a falta de [sermos] filhos, a falta de espírito filial”.

E qual o caminho para reconquistar este espírito filial? Jesus é modelo perfeito da filialidade no qual se espelhar. Assim como ele fez desde pequeno, nós também podemos contar com o auxílio da Mãe e Educadora, Maria, para nos formar. Ela acompanha e educa filhos heroicos diante do Pai.

“O Pai está no leme! Mater habebit curam! (A Mãe cuidará)

Deveríamos ter estas palavras dia e noite nos lábios. Não podemos apoiar-nos tanto em nós mesmos, mas devemos ser heróis da confiança filial!”

Reflexões retiradas do manuscrito

O Objetivo de Vida do Autêntico Cristão, Pe. José Kentenich. Conferência à Família de Schoenstatt de Aschaffenburg/Alemanha

A singela fé na Providência

“[…] E se possuirmos realmente o genuíno espírito de Schoenstatt, é natural que tenhamos como propriedade uma profunda e singela fé na Providência. Esforcemo-nos por aumentá-la!” (Pe. José Kentenich)

Confiar que a Divina Providência cuida de cada momento e situação da minha vida, a cada segundo, aumenta a consciência e o sentimento filial diante do Pai.

“O mais belo que Deus nos deu é a singela fé na Providência Divina. Como famílias genuinamente cristãs precisamos dar muita importância a uma singela fé na Providência. O motivo mais profundo para isto é a verdade de que a graça da filiação recebida no batismo é graça de filialidade ou de espírito filial”.

Nas situações difíceis em que podemos nos encontrar, Deus quer presentear a nós o heroísmo da filialidade. “Quando todos os ninhos protetores ao nosso redor são atirados ao mar, quando todos os apoios terrenos nos são tirados, o que nos resta então? Nada mais do que penetrar no coração de Deus. Em nossa terminologia significa: estar abrigado no coração de Deus”.

Confiar na Providência, como fizeram Maria e José na espera pelo Menino Jesus, nos torna cada vez mais filhos heroicos. “Mesmo que ruja a tempestade, que brame o vento, que estronde o raio, penso como o filho do marinheiro: ‘O Pai está no leme!’ ‘Mater habebit curam!’ (a Mãe cuidará). Deveríamos ter estas palavras dia e noite nos lábios. Não podemos apoiar-nos tanto em nós mesmos, mas devemos ser heróis da confiança filial! O Pai sabe e pode tudo!”

Para refletir

Quando Deus me conduziu por caminhos diferentes dos quais eu havia planejado, o que aprendi com isso?
Que situações complicadas em minha vida já superei pela condução divina?

Reflexões retiradas do manuscrito

O Objetivo de Vida do Autêntico Cristão, Pe. José Kentenich. Conferência à Família de Schoenstatt de Aschaffenburg/Alemanha

O heroísmo da filialidade

Pe. José Kentenich nos fala sobre a virtude da confiança: “Minha maior preocupação deve ser: em cada instante, estar infinitamente despreocupado. Nós nos arranjamos tantos cuidados desnecessários, porque somos muito pouco filiais, muito pouco crianças. Pensamos que nós mesmos devemos conduzir nossa vida. Certo, precisamos cuidar, porém, na medida do necessário”.

Quando devo tomar decisões difíceis, talvez em relação ao meu futuro, em relação às pessoa que amo, que hei de fazer? Segundo o Fundador, meu maior cuidado deverá ser: estar, em cada instante, infinitamente despreocupado, pois o Pai já está cuidando de tudo para mim.

É importante observar que o Pe. Kentenich não está falando em ser um filho acomodado ou conformista, mas um filho que confia totalmente no cuidado paternal: “Filialidade não significa necessidade de encostar-se, porém, autonomia. […] filialidade, na idade madura, é dedicação de si mesmo”.

Se conseguir o heroísmo de vincular-me à vontade do Pai e crer que Ele assume o cuidado de minha vida, posso então esperar que receberei o necessário. “Mais importante do que a segurança econômica é o ‘sim’ dado interiormente a tudo o que o Pai exige de mim”.

Para refletir

Qual graça especial eu necessito hoje? Colocar essa intenção diante do Pai com confiança

Reflexões retiradas do manuscrito

O Objetivo de Vida do Autêntico Cristão, Pe. José Kentenich. Conferência à Família de Schoenstatt de Aschaffenburg/Alemanha

Ser uma indicação para Deus

“Por meu ser, devo tornar-me uma indicação original a Deus. Quem me vê, deve ver Deus em mim”, nos diz o Pe. José Kentenich.

Em cada pessoa, Deus deseja passear pelo mundo: “Também eu devo ser, de maneira concreta, uma indicação a Deus, um ‘sursum corda’ (corações ao alto) aonde estiver: na loja, na escola ou em casa. Quem me vê, deve sentir-se enlevado: ‘Corações ao alto!’ Ninguém deverá, por mim, ser arrastado para baixo. Pelo contrário, todos devem ser conduzidos a Deus. Pode ser que no meu ambiente haja tanta maldade, cobiça; pode ser que encontre olhos flamejantes… Mas nada disso importa. O meu testemunho de vida é como um sermão – mas diferente daquilo que nós, sacerdotes, fazemos só com a boca. O homem de hoje gostaria de encontrar homens autênticos, dignos de fé. Tais pessoas podem pregar muito melhor”.

E, agora, uma pergunta bem concreta: o que posso fazer para viver dessa forma?

“Devo procurar viver constantemente na presença de Deus. […] Se vivo junto de Deus, todo o meu ser resplandece no seu brilho. Que devo, então, fazer para alcançar isto? Porque o mundo destrona o bom Deus, devo procurar com todo o ardor, elevá-lo ao trono do meu coração. Justamente o esforço que se faz para destituí-lo dos corações é que me impulsiona a isto, até que Ele me possua inteiramente”.

Reflexões retiradas do manuscrito

O Objetivo de Vida do Autêntico Cristão, Pe. José Kentenich. Conferência à Família de Schoenstatt de Aschaffenburg/Alemanha

Três caminhos para a filialidade

Na reflexão de ontem vimos que, para viver a filialidade e ser um sinal de Deus no mundo, é preciso colocar-se na presença de Deus. Mas, como podemos fazer isso? O Pe. José Kentenich diz que poderemos alcançar essa meta somente com o auxílio de graças extraordinárias, mas que, também, podemos nos preparar um pouco mais. Para isso, ele dá três respostas:

1º) Aproveitar os exercícios ordinários de oração, como escola de amor. Depende do bom Deus se aprendemos a amar. E se amamos, somos capazes de vencer a situação do tempo. Certamente todos nós também queremos saber muito; mas, saber muito, para amar.
Que exercícios posso incluir no meu Horário Espiritual? Precisamos fazer exigências a nós mesmos! Não devemos somente incluir as orações comuns, de costume. Isto não basta. É preciso ir tão longe quanto possível. Porém, de maneira razoável, sensata! O mundo de hoje se afasta do bom Deus. Por isso é bom incluir no Horário Espiritual um breve tempo diário para cultivar a oração interior.

2º) Em segundo lugar, devemos fixar tempos exclusivos para o bom Deus. Que tempos poderíamos reservar para isto? Em casa não vivemos sozinhos, por isso precisamos ser engenhosos para conseguirmos nos retirar diariamente ao menos por cinco ou dez minutos para o cultivo da oração interior, para estar exclusivamente com o bom Deus. Senão, fazemos grandes palestras, entusiasmamo-nos por grandes ideias, mas o coração está muito pouco compenetrado do bom Deus. Fixar um tempo de oração aos domingos ou durante a semana! Quanto tempo o mundo, hoje, exige para si! O homem moderno está em contínua agitação, está sempre a caminho. É preciso que haja uma reação contrária. Precisamos, pois, educar-nos para, com mais ardor, elevá-lo ao trono de nosso coração. Devemos dedicar tempo a Deus! Nós dois nos pertencemos mutuamente. Eu te pertenço e Tu podes fazer comigo o que quiseres.

3º) Estar, no correr do dia, em santa solidão com o bom Deus. O tempo atual assemelha-se a uma fábrica. Ali a fumaça é tanta que compenetra a roupa das pessoas. O mesmo acontece com a poluição que há no mundo. Ela penetra na alma. E minha missão de vida é ser um sinal, uma indicação a Deus! Se não nos esforçarmos para estar muitas vezes, também no correr do dia, em santa solidão com o bom Deus, podemos ouvir quantos sermões quisermos, mas eles não nos atingirão em profundidade. Vejamos uma imagem: com chuva, andamos de bicicleta, sem guarda-chuva, mas com capa de chuva. Ao retirarmos a capa, percebemos que nossa roupa permaneceu enxuta; a chuva não a atingiu. O mesmo acontece hoje em dia, com os sermões. Isto porque à palavra deve seguir a ação.

Reflexões retiradas do manuscrito

O Objetivo de Vida do Autêntico Cristão, Pe. José Kentenich. Conferência à Família de Schoenstatt de Aschaffenburg/Alemanha

Cristo deve nascer novamente!

“Nossa Senhora quer criar um mundo totalmente novo, um mundo novo a partir do Santuário, Cristo deve nascer novamente!” (Pe. José Kentenich)

Às vésperas do nascimento de Jesus, desejamos que o Menino Deus transforme e renove todas as coisas. Ele precisa nascer e habitar nos corações para que surja um mundo novo.

Pensando sobre este novo nascimento de Cristo, o Pe. José Kentenich nos indica um caminho eficaz: a Mãe de Deus. O Pai e Fundador nos convida e ver “Nossa Senhora não só como caminho para a intimidade com o Pai, mas também como caminho para o nascimento de Cristo para o nosso tempo, para os novos tempos”.

João Pozzobon compreendeu isso e, por esse motivo, levou Maria a todas as pessoas. Sabemos que com a Mãe está o filho. É Jesus que chega de casa em casa, todos os meses, fazendo a vida de cada família ser um novo Natal.

“A fé firme deve mostrar-nos que não temos nada mais a fazer do que, em toda a parte, levar Nossa Senhora para o campo de batalha e dar-lhe a oportunidade de novamente dar à luz Cristo” (Pe. José Kentenich).

Neste Natal, junto com a Mãe e com São José, nos colocamos diante do milagre, o mistério quase inconcebível de um Deus imenso que se põe em humildes faixas: “Podemos compreender muito bem como um acontecimento tão singular já de início levou os homens à inquietação, uma inquietação que ainda hoje perdura e que durará até ao fim dos tempos”, diz o Pe. Kentenich.

O lado bonito dessa inquietação está nos detalhes: “Uma santa inquietação que se torna sempre mais viva como o desejo, o desejo sempre crescente de uma vinculação ao Deus em faixas. Encontramos esta inquietação santa também no estábulo de Belém: parte no coração da Mãe de Deus, parte no coração de São José. Encontramos esta inquietação nos pastores: o desejo de Deus, do Deus em faixas, leva-os de seu lugar de trabalho para o estábulo. Desejo, desejo santo, santa inquietação, leva também os três Reis Magos do Oriente para o presépio”.

 

Caros ouvintes, perguntemos agora

que inquietação é essa que se torna viva em nosso coração quando vemos diante de nós o Deus em faixas?

Reflexões retiradas do livro

Cristo minha vida
Pe. José Kentenich, em:
Conferência para os Padres de Schoenstatt
31 de maio de 1963

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