Novena pedindo a intercessão da Venerável Ir. M. Emilie Engel

Introdução

Temos tantas vivências hoje, todos os dias, em toda a parte. E isso não é de se admirar, pois nascemos e vivemos em um mundo que, não sem razão, é chamado “progressista”. Tudo o que nos rodeia nos impulsiona para a frente e, querendo ou não, precisamos ir! Precisamos estar sempre atentos, vigilantes; há tanta coisa para ver, ouvir e fazer; quase não há tempo para uma reflexão que nos leve a um encontro mais profundo conosco mesmos e, muito menos, com Deus.

Até que um dia, de repente, somos atingidos por aflições, preocupações… Então tudo se torna diferente. Começamos a sofrer por causa de nosso vazio interior e experimentamos dolorosamente como as conquistas da época moderna não nos podem ajudar a vencer o mal. Descobrimos uma pessoa em nosso caminho que tudo sabe e tudo compreende; que mantém nossa vida com amor incompreensível e, mesmo nas horas obscuras, está sempre disposta a mostrar-nos o caminho, no labirinto de nossos incontáveis sofrimentos. É aquele a quem pertencemos e podemos chamar “pai”, pois, como diz São João, “… somos chamados filhos de Deus. E nós o somos” (1 Jo 3, 1).

No abrigo de seu coração e com a força da sua graça, venceremos o que de mais difícil seu amor e sabedoria infinitos permitirem, nos momentos em que a dor nos assaltar. Precisamos somente de uma coisa: abrir-nos a ele e, pelas amarguras e dificuldades da vida, procurá-lo filialmente e cheios de confiança – Ele é nosso Pai celestial.

Aquele que confiar de modo certo, em parte já foi ouvido! Por isso, nesta Novena em que vamos meditar as qualidades da paternidade de Deus, queremos não somente pedir: “Ó Pai, tudo é possível para ti: afasta de mim este cálice” (Mc 14, 36), realiza meu desejo. Mas, acima de tudo, queremos aprender a entregar-nos incondicionalmente ao amor e solicitude paternais, profundamente convencidos de que: “Deus é Pai, Deus é bom e bom é tudo o que ele faz!”

Modelo, mestra e intercessora para nós, neste caminho, será a Irmã Maria Emílie Engel que, de modo especial, pode ser incluída entre os filhos e mensageiros da Divina Providência.

Quem é Ir. M. Emílie Engel?

Irmã Emílie nasceu em 6 de fevereiro de 1893, em Husten, distrito de Olpen, na Alemanha. Era a quarta entre 12 irmãos e cresceu no seio de uma família profundamente religiosa. Já bem cedo, revelava grandes capacidades, era aplicada, silenciosa e humilde.

Terminando seus estudos, exerceu o magistério como professora, de 1914 a 1926. Por sua bondade, era para as crianças não só uma professora sábia e consciente do dever, mas, principalmente, uma carinhosa mãe.

O apostolado leigo era o grande anseio de seu coração, por isso ingressou na União Apostólica de Schoenstatt onde procurou realizar seu ideal. Em 1926 tornou-se co-fundadora do Instituto que seria mais tarde o Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt. Desempenhando os cargos de mestra de noviças, de terciado, ou como superiora provincial e conselheira geral, dedicou suas forças, seu amor e suas grandes capacidades à formação e ao desenvolvimento da jovem e florescente comunidade.

Serviu sempre a todos com grande desinteresse, até que, amadurecida pelos muitos sofrimentos, Deus a chamou ao lar eterno, no dia 20 de novembro de 1955.

Não foi por acaso que a sábia direção de Deus conduziu Irmã Emilie a Schoenstatt, introduziu-a na grande comunidade schoenstattiana que tem como objetivo anunciar a mensagem da fé prática na Divina Providência, por meio da palavra, da ação e da vida. Ali Irmã Emilie devia experimentar em si mesma, e também para nós, uma significativa transformação interior.

Em sua juventude, ela temia a Deus como um juiz severo. Tímida, introvertida, sem liberdade interior, pesava sobre ela a constante preocupação de não agradar a Deus. Porém, sob a ação educadora da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt, pouco a pouco, foi adquirindo a verdadeira “liberdade dos filhos de Deus”. Na Aliança de Amor com a Mãe das graças, ela aprendeu a abandonar-se singelamente à Divina Providência e a viver inteiramente de acordo com a verdade que um Pai sábio e bondoso dirige o destino de cada pessoa e também o de todos os povos e nações. E assim tornou-se uma filha de Deus alegre, despreocupada, confiante, que encontrava em tudo, na alegria ou na dor, o amor do Pai e procurava corresponder-lhe agradecida.

Para Irmã Emilie era uma necessidade possibilitar a outros a participação na graça do abrigo espiritual que ela recebera tão abundantemente. Enferma, gostava de falar do “trem expresso da filialidade” e convidar todos a tomarem, despreocupadamente, o mesmo “trem” e viajar com ela ao destino eterno. Dizia: “A mim encontrarão no vagão Providência” (releria se à divina Providência), a senha de viagem é: “Sim, Pai! Sim, Mãe!” E nos ensinava: “Quem se torna criança diante de Deus está no caminho mais curto para chegar a ele. Sim, todos nós devemos viver mais da graça da filialidade que nos foi dada no batismo, caso contrário, não poderemos entrar no reino dos céus, como disse Jesus. ‘Quem for simples apresente-se!’” (Prov 9, 4).

Durante os nove dias seguintes, conscientemente queremos tomar a mão de Irmã Emilie e deixar-nos introduzir mais profundamente no coração do Pai celestial, a fim de que, por sua intercessão, nosso sofrimento se transforme em bênçãos.

Um grande número de pessoas tem escrito, comunicando, agradecidas, graças e favores que receberam por intercessão de Irmã Emilie. Com tanto amor e bondade durante a sua vida, ela sempre se preocupou com os outros e não cessará de fazer o bem depois de sua morte. Apresentará nossas intenções diante do trono do Pai celestial e será, no céu, a nossa grande intercessora.

Oração para cada dia da novena

Deus, nosso Pai, confiando filialmente em tua sábia e bondosa Providência, Irmã Emilie trilhou o caminho de sua vida. Mesmo no sofrimento e na insegurança ela pronunciou o “Sim Pai” aos teus desejos e à tua vontade. Desta forma, ela encontrou profundo abrigo em teu coração paternal, em meio a todos os temores e aflições. Nela manifestaste poderosamente teu amor e tua misericórdia. Eu te peço a canonização de Irmã Emilie para a tua glória, para a honra da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt e para a bênção da humanidade. Por sua intercessão, atende os meus pedidos, assim como corresponde a tua bondosa Providência. Amém.

Respeito cheio de admiração

É um espetáculo extraordinário e algo inexplicável a força atrativa que dimana das altas montanhas cobertas de neve. Encontramos, não raras vezes, pessoas corajosas que, enfrentando peripécias, sacrifícios e perigos, se arriscam, escalando os mais altos cumes das montanhas. Não querem apenas ceder à ambição, ao espírito de conquista e de aventura; o que as leva a afastar-se do mundo é o desejo de encontrar-se com o Absolutamente Puro, com o Sublime e sentir, de alguma forma, a proximidade de Deus. Por isso um genuíno alpinista não empreende uma escalada em grupo onde haja tantos que tudo querem ver. Ele escolhe apenas alguns companheiros que realmente saibam ser amigos e, mais ainda, saibam calar-se e admirar…

Quem ainda não sufocou o que existe de melhor e de mais profundo em si mesmo pode compreender isto. Quando alguém se encontra no cume de uma montanha e vê o mundo a seus pés, como um magnífico reino, sente a necessidade de contemplá-lo em silêncio e de rezar, pois ali Deus se manifesta em sua incompreensível grandeza. Ali os lábios somente podem entoar um canto de admiração e respeito: “Quão numerosas são tuas obras, Senhor, e tudo fizeste com sabedoria! A terra está repleta das tuas criaturas” (SI 104). “Grande Deus, nós vos louvamos! Senhor, exaltamos vosso poder!”

Sim, quão grande e poderoso deve ser Aquele que criou e dirige todo o universo! Não somente nas montanhas, mas por toda a parte, um olhar profundo descobre as maravilhas de Deus na natureza, também na insignificância das menores coisas. Este olhar extasiado percorre a trajetória das estrelas que aos milhões giram pelo espaço; contempla maravilhado a erva do campo. São obras de arte que a mão do homem jamais poderia fazer igual.

Verdadeiramente, as obras de Deus são insuperáveis em sua grandeza. No entanto, tudo o que há na criação é somente “a orla de seu manto”. Quão sublime deve ser o Criador, aquele que é nosso Pai! Ele nos imaginou, a nós homens, como a “coroa da criação” e, como tal, nos chamou à vida. Devemos, então, tornar-nos um “espelho de todas as maravilhas de Deus” (Hildegard von Bingen). Porém, a maior maravilha é termos recebido a graça da filiação, pois com ela a vida divina criada penetrou em nossa alma.

Se tudo na natureza merece nosso respeito, quanto mais a pessoa humana! Seja ela como for, é obra de Deus e instrumento escolhido para ser um reflexo do Pai celestial aqui na terra. Não temos o direito de negar-lhe, seja por palavras ou atitudes, sua vocação à mais alta dignidade.

Irmã Emílie observava esta verdade onde estivesse

Toda a sua personalidade se caracterizava por um profundo respeito cheio de admiração. Ela escreveu certa vez: “É sabedoria estar respeitosamente diante de cada pessoa, admirá-la e respeitá-la. Esta também deve ser a minha atitude”. E esforçou-se conscientemente para alcançar o que se propunha. Via em cada pessoa um filho do Pai celestial. Suas palavras eram cheias de respeito e amor. Valorizava e protegia a originalidade que Deus havia depositado nas pessoas. Via as faltas e fraquezas, mas também sabia descobrir o que havia de bom e nunca pronunciava um parecer menos caridoso ou destruidor. Como educadora, devia fazer sérias exigências ou, às vezes, repreender, e isto ela fazia com a necessária severidade, mas, ao mesmo tempo, com muito tato e o mais delicado respeito. Notava-se que Irmã Emilie tinha plena posse de si mesma. Por este motivo, suas palavras atuavam profunda e eficazmente.

Quem conhecia Irmã Emilie mais de perto sabia que o segredo de sua influência estava numa profunda e íntima união com Deus. Sua presença nos recordava o mundo sobrenatural. Gostava de rezar e esforçava-se para viver o dia como genuína filha sob o olhar do Pai. Quantas vezes terá repetido esta oração: “O Deus, permite que a todo o momento eu esteja em tua presença numa intimidade cheia de amor”.

Não deveríamos também esforçar-nos para estar vinculados a Deus, nosso Pai, do modo mais profundo, íntimo e consciente? Será que ainda o encontramos com o respeito que lhe devemos ou, tudo o que existe na Igreja, no mundo, na natureza e na sobre natureza já se tornou tão rotineiro e mesmo indiferente, que não somos capazes de experimentar por estas coisas a revelação da grandeza divina? Nunca será demais recordar-nos desta verdade: Deus, nosso Pai, quer encontrar-nos em toda a parte; vamos dar-lhe uma resposta, saudá-lo com amor. Todo o homem é feito à sua imagem e semelhança, é seu filho; queremos descobrir em todos a sua imagem. Nos sofrimentos e dificuldades sua mão paternal bate à porta de nosso coração; deixemos entrar tão grande hóspede. Como poderia ele, que nos fez tão grandes, elevando-nos do pó da terra à luz, não ter em vista o melhor para nós? Inclinemo-nos com respeito e amor ante sua vontade e suas disposições.

Propósito

Vamos procurar descobrir hoje, conscientemente, as grandezas e maravilhas de Deus.

No convívio com nosso próximo sejamos mais respeitosos, a fim de que Irmã Emílie interceda por nós com mais amor junto ao Pai celestial.

“Respeito é a sincera cortesia de um coração crente”. L.F.

Confiança Filial

Numa reunião, um senhor, pai de três meninos, contava o seguinte: “Nosso Jorge, de cinco anos, está se tornando um vivo ponto de interrogação. O dia todo vai perguntando: ‘Papai, por quê?… e outra vez: por quê…?’ Às vezes eu digo: ‘Ora, meu filho, o papai não sabe isto!’ Mas ele não desiste e com maior convicção diz: ‘Sim, papai, você sabe isto, você sabe tudo, só tem de pensar um pouquinho!’”

Será que podemos imaginar que orgulho e alegria crescem neste pai pela vivência de tal confiança filial? Nada alegra tanto ao pai ou à mãe como perceber que seus filhos confiam neles; e nada é tão doloroso como sentir que os filhos se fecham e não têm confiança, procuram outros para contar seus segredos e pedir auxílio em seus problemas e dificuldades.

A confiança é sempre um presente, também para nosso Pai celestial. A confiança não pode ser obtida à força, porque ela é sempre o sinal de um verdadeiro amor e, ao mesmo tempo, inclui o reconhecimento do outro – do Tu – por isso a confiança honra e obriga tanto.

Todo pai terreno deve desiludir-se porque um dia, de uma maneira ou de outra, experimenta suas limitações. Nosso Pai celestial nunca experimenta limitação em sua vontade ou em suas ações, pois ele é a própria Onipotência. Seus pensamentos, planos e desejos são perfeitos. “Ele falou e tudo se fez”, assim lemos na história da criação. Esta palavra divina vale também hoje e por toda a eternidade.

Muitos pensam de outra maneira. “Eu já não posso crer”, dizem eles. “Pecados e injustiças clamam ao céu. Se Deus é Todo-poderoso, por que não muda esta situação?… Por que não?”

Para esta pergunta há somente uma resposta: ele não o faz, não porque não pode, mas porque ainda não o quer! Ele terá seus motivos, motivos que nós desconhecemos. Se agora ainda atua o mistério do mal, e a onipotência de Deus parece calar-se, chegará a hora em que Deus se decidirá e se fará sentir na história dos povos e intervirá na vida de cada um.

Confiamos, apoiados na palavra de Deus e na experiência do passado. Ter confiança significa: “visão ampla do coração”, “andar sobre as águas, sem apoio sob os pés”; ter confiança quer dizer: “colocar a mão de filho, sempre de novo, na mão paternal de Deus”. “Quem permanece ante a face do Senhor não teme os poderosos deste mundo”.

Pela graça divina Irmã Emilie alcançou esta atitude de confiança em Deus

Quando, em momentos de dor, precisava animar-se a si mesma e a outros, gostava de usar as palavras de São Francisco de Sales: “Poderá sucumbir o filho que é conduzido pelas mãos de seu Pai Todo-poderoso? Nunca, jamais!”

Nos longos anos de enfermidade ela conservou sua profunda confiança em Deus. Escreveu certa vez: “Quero tornar-me um prodígio da confiança”. Com isso ela expressou seu anseio de fé e confiança sem limites: o Pai celestial, Todo-poderoso, conduzirá tudo para o meu maior bem, apesar das grandes dificuldades e situações aparentemente sem saída. Com esta atitude, disse corajosamente o sim incondicional aos desejos, permissões e disposições do Pai.

A expressão “Sim Pai!” era norma para toda a sua vida e aspiração diária e a prova de sua filial confiança no Pai celestial. Se Deus lhe enviava uma cruz ainda mais pesada, ela dizia: “Sim, Pai!” e continuava suportando sua dor, silenciosa e alegremente, enquanto ele o quisesse.

É compreensível, pois, que ela pedisse essas palavras para a sua lembrança de morte. E as Irmãs, correspondendo ao seu desejo, na hora do sepultamento cantaram seu canto predileto:

“Eu sei que tu és meu bom Pai, em cuja mão estou abrigado.
Eu não pergunto para onde vai (o caminho) seguir-te quero sem cuidado
E se a mim, ao meu dispor, me desses minha própria vida,
Devolveria em tua mão, em confiança sem medida”.

O Pai celeste espera esta confiança filial de cada um de nós, porque somos seus filhos. Enquanto a felicidade brilha em nossa vida como um sol, não é difícil ter essa confiança. No entanto, ela também deverá animar-nos quando não vemos nenhuma solução, nenhum raiozinho de luz em nosso caminho. Os sofrimentos que nos oprimem querem conduzir-nos mais profundamente ao coração de Deus Pai. Esta é a última razão de todas as provações que passamos aqui na terra. Devemos considerar, então, toda a cruz que nos atinge como uma pergunta amorosa do Pai, à qual podemos dar a mais bela resposta: um “Sim, Pai!”, cheios de fé e de amor.

Isto, porém, não significa que não possamos pedir filialmente ao Pai do céu que faça mudar nossa situação. Sim, Deus espera o nosso pedido. Mas, em tudo, nosso procedimento deverá ser: “Ajuda-nos, quando e como tu o quiseres”. E de outro lado também vale: “A medida de nossa confiança é a medida da realização”. Persistamos, cresçamos em nossa fé, firmes como a rocha: o Pai que está no céu é Todo-poderoso também para nós!

Propósito

Hoje queremos provar ao Pai nossa confiança filial por meio de um corajoso:
“Sim, Pai, sim! Faça-se a tua vontade, quer me traga alegria ou me causa dor”.

Peçamos à Irmã Emílie que seja nossa intercessora junto de Deus.
“És um pensamento amoroso de Deus. Tua vida deverá ser uma resposta de amor” (J.K.)

Alegre despreocupação

Um navio vai tranquilamente seguindo sua rota. Máquinas poderosas trabalham sem cessar para conduzi-lo ao destino. Ele desliza majestosa e seguramente sobre as águas, os passageiros divertem-se alegres e despreocupados. De repente, depois de longos dias de viagem, pela primeira vez o céu escurece e cai uma violenta tempestade. As sirenes disparam fortemente. Todos se agitam, pequenos e grandes são conduzidos às cabines e permanecem atentos aos ruídos que vêm de fora; olhos angustiados se mantêm fixos à porta. Todos temem por suas vidas. Somente uma criança está assentada ali, num canto, tão tranquila, como se não percebesse nada do que está acontecendo ao seu redor. Alguém, admirado, pergunta-lhe se não tem medo. Cheia de segurança ela meneia a cabeça e diz: “Por que ter medo? meu pai está no leme!”

Esta resposta soa quase como uma censura. Acaso meu pai não é tão sábio e poderoso que – mesmo em meio a todos os perigos – não será capaz de levar-nos sãos e salvos ao destino?

“Meu pai está no leme!” Assim também deveria falar um filho do Pai celestial, sempre tranquilo e abrigado em seu grande amor. Quer a viagem de nossa vida seja cheia do sol da felicidade, ou uma tempestade após outra jogue o nosso barquinho de encontro às ondas: “o Pai está no leme!” Ele segura o timão e conduz o barco, ainda que não conheçamos o caminho! Sua sabedoria conduz e dirige tudo, até nas mínimas coisas, naquilo que é mais insignificante. Por isso devemos e queremos entregar tudo aos seus cuidados. Para onde ele nos quiser conduzir é o melhor para nós. Junto a ele atingiremos com segurança o nosso fim, mesmo que ao longo do caminho não possamos vê-lo nem sentir sua presença, mas unicamente tenhamos de crer.

Irmã Emílie estava inteiramente compenetrada desta verdade

Sobre isto, escreveu: “Estamos abrigados na vontade do Pai celestial. Por que necessitamos saber o que nos está reservado daqui a cinco minutos? Precisamos conhecer somente o que o Pai dispôs para o momento presente”.

Certa ocasião, animava uma coirmã a deixar-se conduzir pela divina Providência, com a simplicidade de uma criança, nas coisas mais insignificantes. “Pois – e repetia as palavras de São Francisco de Sales – é um verdadeiro prazer caminhar com os olhos fechados para onde a Providência de Deus quer nos conduzir. Seus desejos são insondáveis, porém cheios de amor para aqueles que nela confiam”. Esta era a atitude de sua alma. No entanto, não a conseguiu sem esforços; num processo lento, foi amadurecendo como fruto de uma profunda vinculação a Deus.

Humanamente falando, Irmã Emilie tinha grandes motivos para preocupar-se. Como superiora e educadora, estava encarregada de tarefas difíceis na nova comunidade de caráter tão singular e que se desenvolvia rapidamente. Também os longos anos de enfermidade poderiam ter abatido seu ânimo. Porém, venceu todas as dificuldades com sua “palavra mágica”: Pater, Mater habebit curam! (traduzindo: “O Pai, a Mãe cuidarão!”) Assegurava com firmeza que o passado estava sepultado no seio da misericórdia de Deus e o presente era conduzido por sua sábia Providência. Por isso estava convencida: “Também o meu futuro está nas mãos do melhor dos pais e da mais bondosa das mães”. Todo o seu ser irradiava sol e bênção. Quem a encontrava, principalmente nos últimos anos de sua grave doença, ficava encantado por sua tranquilidade serena e extraordinária maturidade.

Também nós devemos nos colocar diante de Deus como crianças despreocupadas, justamente porque tantas vezes nos aguardam grandes preocupações. Não esqueçamos que nesses momentos Deus quer intervir em nossa vida! Ele o faz com sabedoria, quer seja para colocar-nos novamente no caminho e não nos perdermos, ou para purificar-nos e santificar-nos, a fim de que o Filho de Deus cresça em nós. Quanto mais conseguirmos entregar, alegres e despreocupados, nossas intenções ao amor e sabedoria de nosso Pai celestial, tanto mais ele nos dará seu auxílio paternal.

Propósito

Façamos uns minutos de reflexão. Contemplemos a maneira sábia e cuidadosa como o amor paternal de Deus conduziu nossa vida, para que tudo fosse para o nosso maior bem.

Coloquemos nossas preocupações atuais em seu coração. Entreguemo-nos conscientemente à sua direção e, no futuro, tenhamos confiança, vivendo da fé prática na Divina Providência.

“Sopra o vento e brame a tempestade, faísca o raio, tudo treme – penso assim como o filho do marinheiro: ‘Meu pai está no leme!’”

Singela gratidão

P.F.R. = Estas três letras colocadas nos convites significam: “Pedimos o favor de uma resposta”. Embora este uso já não seja empregado, permanece o sentido. Sim, talvez, até seja muito atual, pois a agitação, o burburinho dos acontecimentos em que estamos envolvidos, as necessidades e os anseios dos quais mal podemos nos salvar, nos tornam tão esquecidos. Esquecidos, pelo menos, daquilo que outros esperam de nós pelo bem que nos fizeram, o qual necessita de uma palavra, uma resposta de agradecimento… Se Goethe ainda vivesse, com certeza ele diria com mais convicção que antes: “Se nos encontramos com alguém que nos deve gratidão, recordamo-nos imediatamente. Porém, quantas vezes nos encontramos com a pessoa a quem nós devemos gratidão e passamos por ela sem mesmo nos lembrar!”

É como se considerássemos as boas obras dos outros como algo natural. E com Deus também não agimos de modo diferente. Pedimos e recebemos, mendigamos e aceitamos tudo naturalmente, como se as coisas tivessem de ser assim. Por isso não é difícil compreender porque logo duvidamos da bondade de nosso Pai celestial, de sua benevolência para conosco, se ele não cumpre imediatamente a nossa vontade. No entanto, teríamos muitos motivos para agradecer sem cessar: por tudo o que somos e temos e também por tudo o que temos além do que necessitamos!

Se pensássemos sinceramente, deveríamos constatar que toda a nossa vida está repleta de inúmeras provas da mais pura bondade paternal de Deus. Cada dia, cada hora nos traz como que uma mensagem, um presente divino. São dons e benefícios para o corpo e a alma; tudo isso deve despertar nossa gratidão e nosso amor.

Temos a vida que recebemos sem nenhuma cooperação da nossa parte. Quanto cuidado dispensa o Pai celestial por nosso bem-estar físico! Ele nos conserva, alimenta, veste e protege em todos os perigos. Com razão o salmista fala em nome do Senhor:

“Porque a mim se apegou, eu o livrarei, eu o protegerei, pois reconhece o meu nome.
Ele me invocará, e eu responderei: ‘Na angústia estarei com ele, eu o livrarei e o glorificarei’” (SI 91).

Por amor a nós, Deus criou a natureza tão maravilhosa. Ele quer que nos alegremos com sua beleza encantadora. Foi por amor a nós que conservou na terra as flores, as estrelas e as crianças, como uma lembrança, um vestígio dos encantos do paraíso… E quantos dons espirituais Deus nos dá como prova de sua bondade paternal sem limites?! Ele criou os homens à sua imagem e semelhança e deu-lhes como presente real a vontade livre e a inteligência. Permitiu que participassem em sua sabedoria e poder criador.

Muito mais valioso do que todos os bens da terra, por certo, é o adorno da alma que ele nos deu no momento do nosso batismo. O Pai celestial continua sempre alimentando, conservando e desenvolvendo a vida divina em nós, a não ser que voluntariamente já a tenhamos destruído pelo pecado mortal. E mesmo assim, seu amor e bondade não se esgotam: no sacramento da penitência ele idealizou o meio de refazermos aquilo que destruímos pelo pecado. Precisamos somente arrepender-nos e confessar o nosso erro. Na santa comunhão Deus nos dá o maior que ele possui: seu Filho amado. Em Maria ele nos deu a melhor das mães; e um anjo está ao nosso lado, cuidando continuamente de nós, por incumbência do Pai celestial. Aceitamos esses favores de nosso Pai quase sem os perceber; no entanto, poderíamos ser as pessoas mais alegres e felizes se os recebêssemos de modo mais conveniente.

Será que não temos motivos para agradecer os sofrimentos em nossa vida? Quantas vezes justamente as doenças e provações foram tempos de bênçãos e graças para nós!

Em relação a isto, queremos novamente aprender de Irmã Emílie

Ela não se cansava de meditar na bondade de Deus em sua vida. Inteiramente absorvida de um profundo reconhecimento, exclamava com alegria:

“Louvada seja a Divina Providência em minha vida, glorificadas sejam as misericórdias de Deus e da Mãe de Deus”. Rezava muitas vezes com singeleza e gratidão:

“Nunca, Senhor, posso agradecer-vos o bastante.
Do meu corpo cada fibra palpitante, da minha boca
cada sopro e hálito que sai,
vos louvem e bendigam, meu bondoso Pai;
e cada ideia que agita a minha mente,
vos louve e agradeça eternamente.
Não sei, meu Deus, que vos dizer, senão, que minha alma sente imensa gratidão!”

E significativo que Irmã Emilie, para seu 50° aniversário, fizesse uma novena rezando diariamente 50 “Glórias ao Pai”. Ao mesmo tempo, também oferecia todas as santas Missas do mundo como um sacrifício de ação de graças pelos anos passados, nos quais, como ela mesma escreveu: “Encontrei a misericórdia de Deus de maneira tão maravilhosa. Não me cansarei de introduzir-me sempre mais nela”.

Mesmo nos longos e difíceis anos de enfermidade, Irmã Emilie jamais duvidou da bondade do Pai celestial. “Deus é Pai, Deus é bom e bom é tudo o que ele faz!”, confessava ela com os olhos radiantes de alegria. “Nada acontece por acaso, tudo nos vem da bondade de Deus”.

Em meio a sofrimentos, ela escreve: “Quero ser um vivo Deo gratias. Quero agradecer todos os sofrimentos”. E continuava: “Eu me alegraria se a Mãe de Deus me ofertasse ao bom Deus como um pequeno holocausto de gratidão (…) e se, por toda a eternidade, pudesse ser um louvor à infinita misericórdia e bondade de Deus”.

Onde estivesse, Irmã Emilie testemunhava essa profunda atitude de gratidão. Não aceitava como coisa natural qualquer favor que se fizesse a ela. Pelo menor serviço recebido ela tinha uma palavra de agradecimento ou retribuía a dádiva por meio de oração e sacrifício.

Ela gostaria de morrer num dia 20, pois em Schoenstatt o dia 20 de cada mês é considerado dia de ação de graças. E o bom Deus realizou seu desejo de voltar ao lar, na paz eterna, no dia que ela tanto almejava: morreu no dia 20 de novembro de 1955.

Também nós devemos estar cheios de profunda gratidão diante dos incontáveis benefícios que o bondoso Pai celestial nos concede diariamente. Nunca é demais lembrar-nos que sem ele não poderíamos existir, que somos incapazes de qualquer pensamento, de qualquer ação se ele não nos conduzir…

Deus nos envia dificuldades, a fim de que se tornem escadas pelas quais possamos subir mais fácil e rapidamente até ele. Vamos, pois, esforçar-nos para tornar transparente, pela fé na bondade do Pai, tudo o que for obscuro e confuso; procuremos descobrir ali o mistério oculto do amor. Deus não nos manda nada que não contenha algum bem, alguma preciosidade para nós! Por isso jamais deverá cessar em nossa vida o hino de gratidão.

Propósito

Queremos hoje ter um olhar mais atento e agradecer conscientemente todos os benefícios que Deus nos faz diretamente ou por meio de pessoas e circunstâncias. “Gratidão é o melhor pedido”, diz um provérbio. Quanto mais o bom Deus perceber que valorizamos, que sabemos apreciar os seus dons, com tanto mais amor e prodigalidade nos presenteará, assim como o fez com Irmã Emílie. E ela, por certo, alegrar-se-á podendo ajudar-nos a agradecer.

“Vou celebrar-te para sempre, porque agiste; e diante dos teus fiéis vou celebrar teu nome, porque ele é bom” (SI 52).

Amor desinteressado

“Os frutos amadurecem com o sol, as pessoas com o amor”, diz o conhecido escritor alemão Julius Langbehn. Com isso, o autor expressa o que nossa experiência diária sempre nos faz reconhecer: todas as pessoas, também nós, vivemos do amor. Onde falta sua maravilhosa força, a alma se atrofia; porém, onde seus raios penetram, iluminando nosso ser e nossas ações, despertam-se todas as forças e capacidades adormecidas.

Mais bela que o desabrochar das flores na primavera, mais bela que as árvores carregadas de frutos no outono, é a alma que se desenvolve exposta aos raios do sol do amor infinito do Pai celestial. Até o sofrimento se torna mais leve quando começamos a descobrir que aquele que nos enviou ou nos permitiu a dor, quer somente o melhor para nós e quer ajudar-nos a levar a nossa cruz. Já no Antigo Testamento Deus fala do seu terno amor de mãe: “Porventura poderá a mãe esquecer-se de seu filhinho? Não terá piedade do fruto de suas entranhas? E se ela o esquecesse, eu não me esquecerei de ti. Vê, em minhas mãos eu te gravei” (Isaías 49, 15). E se o peso do sofrimento ainda nos oprimir tanto: “Ele mesmo enxugará todas as lágrimas de nossos olhos” (Apoc 21, 4).

Jesus nos trouxe a alegre mensagem: “O Pai vos ama” (Jo 16, 27). Sua palavra é verdade. Se, nos diz em outra ocasião, o Pai celestial contou todos os fios de cabelo de nossa cabeça, ele quer tornar compreensível para nós a ternura e o cuidado com que o Amor eterno vela por nós.

A história de nossa vida é a história do amor de Deus por nós. Desde o primeiro momento de nossa existência esse amor nos dirigiu e nos abençoou, nas horas de alegria e também nas tribulações. Estamos tantas vezes envolvidos em nosso eu, em nossos sofrimentos, que simplesmente, como cegos, não vemos as inúmeras provas de amor que recebemos cada dia. Quanto poderíamos ser mais alegres e felizes se as reconhecêssemos e respondêssemos com amor filial?!

Nosso Pai celestial quer que a história de nossa vida se torne também a história do nosso grande amor, um amor que pertence em primeiro lugar a Deus e depois ao próximo. Pois o amor ao próximo é sempre a melhor prova da autenticidade do amor a Deus. Se não o possuímos, assemelhamo-nos, talvez, a uma árvore que não tem flores e não produz frutos. Por isso o apóstolo São João adverte tão energicamente: “Caríssimos, se Deus nos amou, devemos nós também amar-nos uns aos outros” (Jo 4, 11-12).

Irmã Emílie andou por este caminho do amor

Dizia: “Minha vocação principal é o amor. Ele é o cerne de minha vida”. Continuemos acompanhando suas palavras: “Eu vim a Schoenstatt para amar”. Quando rezava: “Ó Deus, tu me amas mais, imensamente mais do que as pessoas mais nobres e bondosas possam amar-me…”, queria dizer quão profundamente estava convicta do amor pessoal e paternal de Deus para com ela.

Essa fé era para ela sempre um novo estímulo para doar ao próximo o amor recebido. Humilde e despretensiosa, pura e nobre até ao mais íntimo, com amor desinteressado serviu a todos que necessitavam dela. Sim, Irmã Emilie esforçou-se, com amor maternal natural e sobrenatural, para ser um pequeno reflexo da Eterna Bondade. Em seu coração tão cheio de amor trazia uma profunda consciência de responsabilidade por todos. Vivia conforme o princípio: “Para mim o mínimo!” Os que a conheceram sabem quanto revela a sua atitude interior quando escreve: “No amor acima de todos, na humildade abaixo de todos!” E: “Queremos dar mais importância aos outros do que a nós mesmas. Queremos consumir-nos servindo desinteressadamente. Tudo em nós deve ser servir…” Aspirava ao esquecimento de si, ao próprio holocausto, queria morrer e desaparecer como um grão de trigo que é lançado à terra.

Também em nós a fé no amor paternal de Deus deve tornar-se sempre mais clara, mais viva e mais eficaz. Ela deve dar-nos a força para a realização prática do amor desinteressado ao próximo. Muitas dificuldades nos matrimônios, nas famílias, em nosso ambiente de trabalho, nos contatos humanos, seriam mais facilmente vencidos se conseguíssemos ver além de nós mesmos.

Experimentemos, portanto, tomar mais a sério o mandamento do amor. Amemos a Deus, nosso Pai, “de todo o coração, com toda a alma, com todas as nossas forças e ao nosso próximo como a nós mesmos” (cf. Mt 22,37-39). Então, não seremos oprimidos pelo peso de nossa cruz.

Amadurecidos no sofrimento e na dor mais intensa poderemos ser apoios para os outros.

Propósito

Hoje, conforme o exemplo de Irmã Emílie, queremos rezar, não somente com os lábios, mas com a vida:
“Pai celestial, eu creio em seu amor por mim. Com alegria, quero corresponder ao seu amor, esforçando-me para servir desinteressadamente aos outros”.

“Todo o pai vê seu filho como o mais querido, como o maior para ele. Por isso não podemos dar maior alegria a Deus, nosso Pai, senão querer assemelhar-nos a ele, em seu amor, até ao extremo” (José Kentenich).

Bondosa compreensão

O escritor russo Fiódor Dostojewski, condenado à morte devido à sua posição política, conta que já havia subido ao palanque para ser fuzilado. Apenas um instante e o mais terrível teria acontecido. Porém, inesperadamente, no último minuto, chega o indulto pelo qual ele recebe o perdão da pena de morte.

Descido da forca, Dostojewski recebia novamente a vida. Porém, agora tinha outra visão de todas as coisas; diante da morte reconhecera o nada e a insignificância das coisas terrenas; cheio de felicidade por ter recebido o perdão, uma coisa se tornava clara e de valor decisivo para ele: a compreensão misericordiosa. E assim, até sua morte – 30 anos mais tarde – ele considerava como missão: anunciar ao mundo que cada pessoa é digna de nosso amor e de nossa misericórdia…

Quem sempre se encontra em faltas graves, assemelha-se a um condenado à morte. Se ele mesmo bebeu a taça do veneno do pecado, ditou sua condenação à morte. No entanto, não deve perder-se para sempre. A misericórdia de Deus, a todo o momento, está disposta a preservá-lo da morte eterna. Deus é Pai e, como tal, está feliz quando pode perdoar e ajudar os homens que, arrependidos e humildes, como uma criança singela, pedem sua graça. Mesmo que este filho se assemelhe ao filho pródigo, que se desviou nos prazeres pecaminosos do mundo, a casa paterna de Deus estará sempre aberta para recebê-lo. Quando sentir amargamente a fome em sua alma e confessar: “Pai, eu pequei…”, se derramará toda a misericórdia amorosa do Pai celestial sobre o filho que encontrou novamente a volta ao lar, à casa paterna. Receberá novamente a graça da filiação como sua “melhor” veste. Pertencerá novamente à grande família da Igreja, poderá participar no banquete sagrado da Eucaristia e estar eternamente junto ao Pai na bem-aventurança do céu.

Quem experimentou sua própria debilidade e culpa e, ao mesmo tempo, a misericórdia de Deus que perdoa, sente-se impulsionado, como Dostojewski, à bondade e à benevolência no relacionamento com o próximo. Este conhece igualmente a miséria da própria natureza e a misericórdia do Pai. Por isso tem profunda compreensão com as faltas e fraquezas dos outros. O que ele mesmo experimentou lhe dá clareza sobre a boa vontade do outro e o transforma no amigo bondoso, interessado em ajudar.

Irmã Emílie possuía numa medida extraordinária esta bondade compreensiva para com tudo e com todos

Valorizava todos, não condenava ninguém, não falava desnecessariamente das faltas e fraquezas do próximo e não se escandalizava com suas limitações humanas. Seu pedido ao Pai: “Faze que o meu querer seja benevolente”, brotava do mais profundo de seu coração e era tão sincero como seu propósito: “Não quero guardar rancor de ninguém, porque peço para mim o amor que perdoa, em tão grande medida”. Sim, Irmã Emilie estava consciente de suas fraquezas, na mais autêntica humildade. Ela se denominava como a “filha aleijada”, como “nada e pecado”. Esta consciência de sua miséria, no entanto, não a oprimia. Abrigou inteiramente a sua incapacidade no seio da misericórdia divina. As pessoas que lhe eram confiadas aprendiam com ela: “Somos filhos da Misericórdia divina, se reconhecermos e confessarmos singelamente nossa debilidade e nos abandonarmos nos braços da misericórdia de Deus”. “Com seu amor paternal Deus nos sustém sobre o abismo de nosso nada”. Quanto mais frágil o instrumento, tanto maior a bondade e misericórdia de Deus.

Compenetrada da compaixão de Deus em sua própria vida, escreveu alguns dias antes de sua morte: “Quero cantar por toda a eternidade o hino de louvor às misericórdias do Pai e da Mãe celestial. Quero ser um holocausto de louvor da misericórdia de Deus”.

Será que Irmã Emilie não desejaria cantar este hino de louvor em nosso tempo? Todos nós carregamos o peso de nossas faltas e culpas. Não conseguimos vencer nossas limitações. Não estará nisto, muitas vezes, a nossa falta de fé na misericórdia de nosso Pai celestial que nos ama, não só apesar, mas justamente por causa de nossas fraquezas, de nossas faltas? Depende muito se conseguimos convencer-nos em todas as situações: “O Pai celestial ama seu filho, não tanto porque foi ou é bom, mas porque Ele é bom!” E ainda: “Sua misericórdia se estende de geração em geração” (Magnificat). Pois, somente as pessoas que não foram quebrantadas por suas próprias debilidades e fraquezas, mas cresceram por elas, com a graça de Deus e a confiança em sua bondade que perdoa, encontraram o segredo de sua própria santidade e do domínio da vida.

Recordemo-nos da misericórdia que nós mesmos, imerecidamente, tantas vezes recebemos. Este olhar para nós mesmos é e sempre será a melhor condição para relacionar-nos com os outros de maneira bondosa e compreensiva. Façamos como nosso Pai celestial: ele e o único que conhece os motivos das quedas de nosso próximo e, apesar de todas as faltas, o ama com imenso amor e quer ajudá-lo, mas não só isso, ele quer ajudá-lo também por intermédio de nós!

Propósito

Pensemos hoje muitas vezes na imensidão da nossa miséria e na grandeza da misericórdia divina. Isso facilitará a não criticar os outros, a não falar mal de ninguém e nos ajudará a exercitar-nos, como Irmã Emílie, na prática da bondosa compreensão.

“Bondosa compreensão é amor maduro, é o precioso fruto do reconhecimento humilde que sem a Misericórdia divina o homem estaria perdido”. L.F.

Dedicação magnânima

Quase nos parece como se Jesus exigisse muito quando nos adverte: “Sede perfeitos como vosso Pai Celeste é perfeito” (Mt 5, 48). Essas palavras atuam em nós como um apelo que nos leva a dizer um não a toda mediocridade. Elas exigem de nós a aspiração ao ideal mais elevado: a santidade de Deus, da qual devemos ser reflexos. É natural que vacilemos, que tenhamos receio dessas alturas. A santidade de Deus é algo tão elevado que os próprios anjos, na visão do Eterno, nada mais sabem dizer e cantar do que um incessante, um contínuo: “Santo, Santo, Santo!”

De todos os atributos de nosso Pai celestial, este é o que menos compreendemos, porque é tão incomparavelmente divino. Aqui na terra não encontraremos alguém que seja totalmente perfeito, inteiramente santo, como Deus. Com razão o Apóstolo São Paulo chama “obras imperfeitas” a tudo o que somos e o que nos rodeia. Disso resulta o anelo de perfeição que todos nós trazemos interiormente. Como a águia, queremos nos elevar acima das coisas terrenas, porque sentimos no mais profundo de nosso ser o chamado para imprimir em nossa alma a imagem puríssima de Deus.

No Batismo recebemos a graça santificante. Por ela tornamo-nos, em Cristo, filhos do Pai celestial. Todo pai se alegra quando seu filho se parece fisicamente com ele. Por isso queremos agradar a Deus fazendo o possível para imitá-lo em nossa vida. Como poderemos começar a ser perfeitos como o Pai celeste, apesar de nossos instintos e paixões desordenados?

A Sagrada Escritura nos mostra claramente o caminho: a santidade é a pérola que o mercador dá tudo o que possui para adquirir. Ela é o tesouro no campo, pelo qual se vende tudo para possuí-lo. Com outras palavras: somente alcança a santidade aquele que subordina tudo ao fim mais elevado, aquele que está disposto à dedicação magnânima aos desejos e à vontade do Pai.

A vontade de Deus para nós se manifesta nos mandamentos. A pessoa generosa sempre se esforça para realizá-los. Porém, só isso não basta. A medida das ações e omissões não deverá ser baseada na pergunta: “Isso é pecado?”, mas sim na questão: “O que causa mais alegria ao Pai celestial?” Assim como Jesus, a pessoa magnânima sempre “faz o que agrada ao Pai” (Jo 8, 29).

Se o Pai permite sofrimento ou coisas incompreensíveis, a generosidade não vacila em dar um pronto e filial SIM como a única resposta certa. Mesmo faltas e pecados não são obstáculos ou impedimentos que levam a afastar-se da “pista de Deus” ou a deter-se na metade do caminho – as faltas e pecados apenas nos tornam mais humilde. A humildade sempre traz consigo novas graças que ajudam a pessoa a tornar-se mais santa, mais agradável a Deus.

Também Irmã Emílie, em sua vida de muitos trabalhos e sacrifícios, consumiu-se na alegre dedicação aos desejos e à vontade do Pai

Para ela era natural que Deus lhe mandasse uma grande quantidade de sofrimentos e fadigas, pois sabia: ele, que é santo e justo, me presenteia com as preciosidades de seu amor. “Sim, ele pode, deve exigir de mim tudo o que me aproxima mais de seu amor”. E estava convicta de que “o amor mais elevado só se encontra na cruz”. “A santidade cresce somente na cruz e no sofrimento”.

Querendo alguém compadecer-se de Irmã Emilie em sua grave enfermidade – já estava assinalada pela morte, quase totalmente paralisada e sem voz –, escreveu ela em sua pequena lousa: “Eu não permito que se diga algo contra o bom Deus, ele manda sempre o melhor”. E o brilho de seus olhos confirmava essas palavras.

Nas últimas semanas de vida, Irmã Emilie alegrou-se muito com a comparação que um neossacerdote fez na homilia. Ele disse que quando nossa alma está cheia de entusiasmo, é mais fácil alcançar a perfeita dedicação à Deus. Levamos a Ele, numa grande mala, todos os nossos bens internos e exteriores e lhe dizemos: “Eis aqui, eu te dou tudo, inteiramente tudo o que sou e tenho. Tudo recebi de ti; agora, com toda a liberdade, podes tomar tudo novamente”. O Pai do céu olharia essas dádivas com agrado e se alegraria; depois, as daria novamente a nós, dizendo que poderíamos ficar com elas. Oportunamente ele viria buscar na mala aquilo que mais lhe agradasse. No entanto, quando ele vem, parece-nos tão difícil dar-lhe até aquilo que é menos valioso…

Irmã Emilie, porém, permanecia com um sorriso radiante quando Deus vinha buscar de “sua mala” uma coisa após outra. Ela recebia essa ação de Deus como sofrimento, é claro, mas não se zangava, não ficava descontente com ele. Não queria tomar de volta nada daquilo que já lhe havia oferecido. Ficava feliz pensando em tudo o que o Pai ainda lhe havia deixado e poderia vir buscar mais tarde…. Não, a mala de sua vida ainda não estava vazia!

Tão seriamente como fazia exigências a si mesma, ela também exigia daqueles que lhe eram confiados: a generosa aspiração à santidade e ao cumprimento da vontade de Deus. Reconhecia como missão pessoal anunciar e revelar por sua vida “um caminho de santidade inteiramente singelo”: o caminho da amorosa dedicação total. Por isso, exortava: “Santidade não consiste em não cometer faltas, mas na perfeita ‘filialidade’ diante de Deus e no abandono sem reservas à vontade amorosa do Pai celestial”. Mais ainda:

“Não tem importância o brilho exterior; decisivo é o que agrada a Deus. Em tais decisões repousa bênção e fecundidade”. Como superiora provincial, ela não queria “uma Província grande, mas uma Província santa”. Ansiava poder dar ao bom Deus um jardim de “pequenas Marias”, isto é, imagens da querida Mãe de Deus. Por isso sempre de novo pedia: “Faze que sejamos uma Família santa!” E foi além: já no ano de 1927, numa consagração particular, ofereceu-se a Deus “para suportar todos os sofrimentos imagináveis”, a fim de que a Família de Irmãs, com a qual ela devia cooperar na fundação, pudesse formar santas. Sua oração foi aceita.

Neste tempo de assustador abandono a Deus, não podemos satisfazer-nos com a mediocridade. Não era em vão que Pio XII anunciava que o maior perigo para o mundo e a Igreja de hoje é a “mediocridade dos bons”. Por isso somos chamados a levar a sério as palavras de Jesus: “Sede perfeitos como vosso Pai Celeste é perfeito!” (Mt 5, 48).

Propósito

Cuidemos hoje de fazer tudo com maior generosidade, conforme as palavras de Jesus: “Faço sempre o que causa alegria ao Pai” (Jo 8, 29). Prontos, alegres, sem queixas, como Irmã Emílie, vamos dar a Deus hoje tudo o que ele quiser tirar da “mala de nossa vida”. Essa atitude fará com que ele nos atenda com maior facilidade.

“Nada quero de volta para mim: ser tua é toda a minha felicidade!”

Esperar com paciência

Vivemos numa época de velocidades e de recordes. Em tudo precisamos do máximo de rapidez. Se, ao comprar algo, não somos atendidos logo, se um trabalho não quer dar certo, se uma doença não é curada em pouco tempo, se na educação própria e alheia não alcançamos prontamente o êxito desejado, “acaba-se a paciência”… E nossa resposta? Quantas vezes a repetimos: “Não tenho tempo!” Dizem que hoje em dia não há expressão alguma que seja tão usada como esta. Será verdade?

O certo é que nenhuma outra virtude nos é tão difícil como a paciência. Raras vezes podemos manter a tranquilidade interior e exterior quando temos de esperar por alguma coisa. Isso também entra em consideração quando se trata das nossas relações com Deus. Logo deixamos de perseverar na oração, se nossos pedidos não são atendidos como esperamos. Esquecemos facilmente que nosso Pai celestial faz outros cálculos, pois “seu tempo é a eternidade”.

Isso, porém, não significa que Deus não compreende nossas necessidades; que ele não sabe o quanto nos desanima estar dias, semanas e meses em situações difíceis, e ele calado sem interferir. No entanto, não é bem assim como pensamos. Deus não nos concede logo aquilo que queremos, porque valoriza, de outra maneira, as preocupações que temos, ele vê todas as coisas à luz da eternidade e sabe esperar até que chegue a sua hora e a realização de nosso pedido se torne realmente uma bênção.

Por isso não podemos fazer nada melhor do que “rezar sem cessar” (Lc 18, 1) e nos esforçarmos para adquirir paciência. Será que também não exigimos tantas vezes que Deus seja paciente e indulgente? Quantas vezes o deixamos esperando? E ele nos suporta. Decerto causa-lhe prazer que as coisas não sejam feitas antecipadamente. Teria ele colocado em toda a criação a lei do crescimento, do desenvolvimento e do amadurecimento orgânicos sem alguma finalidade? O mesmo se dá na vida humana. Deus sempre proporciona o tempo necessário para o amadurecimento corporal, espiritual e anímico. Ele não exige frutos no tempo da florescência, também não exige flores na época dos frutos. Conhece nossas falhas e nos dá ocasião de começarmos de novo. Incomparáveis são a benignidade e a paciência do Pai celestial! Ele olha os pecadores e vai em busca deles, a fim de que encontrem o lar em seu coração.

Para a natureza de Irmã Emílie, nem sempre foi fácil compreender quanto tempo Deus leva até alcançar o seu objetivo

Porém, ano após ano, na acerba escola do sofrimento, ela percebeu sempre mais que o Pai celestial não somente tem paciência conosco, mas também nós, se queremos ser verdadeiramente seus filhos, devemos ir a seu encontro com esta mesma atitude.

Durante 20 longos anos ela sofreu de uma doença que lhe causava muitas dores. A espera de recuperar a saúde lhe custou um grande sacrifício. E, apesar disso, rezava: “Jesus, Mãe de Deus, o longo tempo de espera deve pertencer inteiramente a vós. Ajudai-me para que eu não desperdice nada de minha oferta de amor, por meio de queixas”.

Algumas vezes suas coirmãs, juntamente com ela, imploraram o milagre da cura, pela intercessão da Mãe das graças de Schoenstatt. O milagre não se realizou. Porém, Irmã Emilie não ficou inquieta, impaciente ou amargurada. Radiante de alegria e com plena segurança, consolava a si mesma e às Irmãs, dizendo: “O bom Deus quer dar-me algo muito melhor”. E: “Uma filha da Providência não se deixa abalar por nada. Quanta luz nos vem da Via Sacra de nosso Salvador e da Mãe das Dores, em nossos grandes e pequenos sofrimentos! Sim, Jesus e a Mãe das Dores são nossos grandes modelos e mestres na paciência”. Gostava de entregar-se ao Pai, muitas vezes, com a singela oração:

“Conheces o caminho que devo seguir, sabes o tempo no qual devo partir.
Teu plano já está pronto para ser realizado.
Espero-te em silêncio, pois creio em tua palavra, jamais ela me engana!
Tu sabes o caminho que devo seguir.
E isto me basta”.

Depois de seis semanas numa tração, Irmã Emilie precisou, por assim dizer, aprender novamente a andar. Quanta paciência e força sacrifical isso exigiu dela. Apesar de sua disposição temperamental melancólica, aceitou tudo com alegria, considerando os lados alegres da situação, mesmo quando era muito doloroso. Ela sabia: “Toda a nuvem escura, por mais pesada que seja, tem um lado de sol!” Assim, tudo o que lhe trazia dor, atuava purificando e transfigurando seu ser.

Aquele que tem tanta paciência com Deus e consigo mesmo também a terá com o próximo. Talvez fosse por este motivo que não se ouvia de Irmã Emilie uma palavra dura, impaciente, sem domínio. Não deixava de considerar as pessoas, pelo menos onde devia agir como educadora. Todos os que a conheceram como mestra de noviças ou do terciado, como superiora provincial ou conselheira geral, jamais poderão esquecer sua paciência. Ela sempre encontrava tempo para os outros, para ouvir, ajudar, aconselhar, sem tomar em consideração suas próprias dores e interesses. Pelo sofrimento, seu coração cresceu no amor para com todos os que dela precisassem.

A vida, não raras vezes, também exige de nós muito tempo de espera; uma espera silenciosa, quer se trate de um interesse pessoal ou do bem estar de outros. A solução de certas dificuldades depende de nossa paciência. E necessário, portanto, que não atrapalhemos, com nossa impaciência, a ação e intenção do Pai celestial! Ele sempre nos dá algo melhor quando precisamos esperar muito tempo para ser atendidos ou quando ele resolve a situação de maneira diferente do que esperávamos.

Propósito

Hoje, cuidemos de não nos queixar, mas de exercitar a paciência, a fim de que o Pai celestial atenda os pedidos que lhe fazemos, por intercessão de Irmã Emílie.

“Ser cristão significa saber esperar!”

Fidelidade comprovada

É algo grandioso a fidelidade de uma pessoa nobre. Quantos prisioneiros de guerra, voltando para casa depois de longos e duros anos, quase não podiam compreender que suas esposas os tivessem esperado, mesmo depois de ter recebido a notícia de que estavam mortos. Quantos jovens abandonaram suas famílias e se tornaram ladrões ou envergonharam os seus por tantas formas de vícios; mais tarde, porém, encontraram a volta ao lar porque sua mãe não os havia rejeitado… De qualquer modo, talvez não de maneira tão extraordinária, já tivemos a oportunidade de observar e experimentar o que é fidelidade, quantos sacrifícios ela encerra, mas também quantas bênçãos ela traz. A fidelidade possui importância e poder insubstituíveis. Não é em vão que diz o provérbio: “O amor torna feliz, a fidelidade vence!”

Em nossos dias, fidelidade é coisa rara. Assim como o amor está numa “crise”, também a fidelidade passa pelo mesmo, pois dela se diz que é a coroa e a perfeição do amor. Quase se poderia crer que, devido à agitação em que vive o homem moderno, demasiadamente receptivo para as coisas externas, sempre em busca de novas sensações, tenham adoecido seu espírito e suas capacidades interiores. Tratando-se das vinculações mais delicadas e profundas com outros, o homem assemelha-se a um aventureiro, a um indiferente. Só Deus sabe quantos – por esse motivo – caminham pela noite da desilusão, quantos perderam a fé no próximo, em si mesmos e também em Deus. E, no entanto: Deus vive e ama cada um de nós com amor sempre fiel. Não há nada que possa mudar essa realidade. Não é nosso Pai celestial o Imutável? Não é também o Infinito, Perfeito e Santo? Não é o Grande e Poderoso que criou todas as coisas? Aquele que é o Amor e sempre ama, a quem nossa confiança e gratidão filial têm valor? Se ele não fosse assim, não seria “o Deus da eternidade e para toda a eternidade!”

Tão facilmente somos inclinados a compará-lo com nossas medidas. Achamos que ele reage assim como nós o fazemos quando alguém nos promete algo e não cumpre, ou quando observamos os limites e as “intrigas” dos outros… ó não! Nunca iremos desiludir nosso Pai celestial, porque ele nunca se ilude! Sua onisciência sabe tudo já antes que o ato se realize.

Isso deve encher-nos de profunda alegria e convencer-nos cada vez mais de que se Deus nos chamou à existência, então, ele também nos ama assim como somos e não se surpreende com nossas faltas. Ao contrário, ele já contou com isso e, novamente, “escreve certo pelas linhas tortas de nossa vida”.

Para Irmã Emilie, a fé na fidelidade de Deus Pai era um manancial de forças invencíveis

Sem essas forças, bem depressa, ela teria desanimado e abandonado a aspiração aos mais altos ideais de Schoenstatt. A confiança na fidelidade do Pai deu-lhe a força de levantar-se depois de cada fracasso e logo começar de novo.

Fazia tudo para evitar faltas e pecados. Estava consciente de que “todo o ato de fidelidade às coisas pequenas traz uma torrente de graças”. E a gratidão a impulsionava a corresponder: “Fidelidade por Fidelidade”.

“A fidelidade começa onde já não se sabe nada, onde já não se pode compreender nada, onde se deve crer e confiar firmemente. Ser fiel significa: por amor, oferecer a renúncia de querer entender alguma coisa”. Foi justamente nesse sentido que Deus comprovou a fidelidade de Irmã Emilie. Muitas vezes ele a deixou andar na escuridão da fé. Porém, com o auxílio da graça, ela venceu as mais duras provações. E não negava coisa alguma a Deus, mas sempre dizia: “Devo suportar isso, custe o que custar!” E: “Quanto a mim, somente resta dizer o meu sim íntimo e fiel!”

Nisto, como em outras ocasiões, ela nos exortava à fidelidade e que continuássemos aspirando e rezando, apesar de todas as desilusões. “Não devemos ficar paradas diante de uma barreira…. Portanto, ânimo, para frente!”

Muitas vezes, em nossa vida, estamos diante de tais barreiras. Vemos por toda a parte tantas dificuldades, experimentamos tantos fracassos. Vêm, então, o cansaço, o desgosto, e facilmente nos desalentamos e desanimamos. E é justamente nessas ocasiões que chega para nós a hora da fidelidade! Agora é importante permanecer firme no lugar em que Deus nos colocou. Agora devemos “esperar contra toda a esperança” e confiar somente na fidelidade de Deus. Singela fidelidade filial exige que passemos por caminhos de sacrifícios e não nos esquivemos da dedicação total. Essa dedicação também nos trará a plena realização de nossos desejos e a eterna felicidade.

Propósito

Hoje queremos permanecer fiéis a Deus nas coisas pequenas. Vamos pedir que ele intervenha com sua fidelidade e pela intercessão de Irmã Emilie realize nossos pedidos.

“Como as estrelas brilham durante a noite, os corações daqueles que são fiéis se revelam nas noites do sofrimento e das provações” (São Bernardo)

Mensagem Final

Terminamos nossa novena. Se ainda não alcançamos aquilo que queríamos, mesmo assim ela não foi em vão se contribuiu para aumentar nosso amor ao Pai celestial e a confiança nele.

“Para os que amam a Deus tudo coopera para o bem!”

Que essa atitude nos anime sempre, é o desejo cordial de Irmã Emílie. Ela haverá de interceder por nós lá no céu, ajudando-nos em nossas necessidades materiais e espirituais, para que se cumpram nossos desejos, se corresponder à vontade de Deus.

Por isso não queremos desanimar, mas crer firmemente: “Os filhos da Providência estão sempre suspensos sobre o abismo. Porém, a mão paternal de Deus os segura e abriga em seu coração. Sobre eles repousa o olhar complacente do Pai celestial”.

Jamais esqueçamos esta consoladora verdade!

Intercessão de Ir. M. Emilie

Se você quer fazer um pedido, ou se recebeu uma graça especial que deseja relatar, pela intercessão de Ir. M. Emilie, escreva para nós

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