Pe. Carlos Padilla – As palavras de Jesus são exigentes. No Evangelho, Ele conta a história de um homem que tinha dois filhos. Ao primeiro, pede que vá trabalhar na vinha. Ele responde que não quer ir, mas depois se arrepende e vai. Ao segundo, faz o mesmo pedido. Ele responde que irá, mas não cumpre o que prometeu. Então Jesus pergunta: “Qual dos dois fez a vontade do pai?”. Eles respondem: “O primeiro” (Mt 21,28-31).
A parábola apresenta uma situação muito humana. Há quem diga não e depois mude de atitude. Há também quem diga sim, mas não transforme a palavra em ação. Entre o que se diz e o que se faz existe um caminho que nem sempre é percorrido.
Quando o não se transforma em sim
O primeiro filho reage de forma imediata. Talvez esteja cansado, preso aos próprios planos ou simplesmente não queira assumir aquele compromisso. Mesmo assim, depois reconsidera e vai trabalhar na vinha.
Essa atitude também pode acontecer na vida cristã. Diante de um pedido, uma responsabilidade ou uma mudança necessária, a primeira reação pode ser a resistência. Pode surgir o desejo de fugir do compromisso ou de preservar as próprias comodidades.
O problema não está apenas em dizer não. É possível reconhecer que uma primeira resposta foi equivocada e mudar de atitude. O arrependimento abre espaço para uma nova decisão. O importante é que a mudança chegue aos atos.
Quando o sim fica apenas nas palavras
Também existe o caminho contrário. Há quem diga sim para evitar conflitos, agradar alguém ou simplesmente encerrar uma conversa. Promete estar presente, ajudar ou cumprir determinada tarefa, mas, diante das primeiras dificuldades, abandona o compromisso.
Nesse caso, os atos contradizem as palavras. O sim permanece apenas nos lábios.
Dizer sim é algo valioso quando corresponde a uma decisão verdadeira. A disposição para servir, ajudar e assumir responsabilidades faz parte da vida cristã. Mas um sim pronunciado por medo ou para evitar uma reação também pode esconder uma dificuldade de dizer não com sinceridade.
Por isso, a coerência não está apenas em responder positivamente. Está em unir palavra e ação.
Nem todo pedido exige um sim
A fidelidade também passa pelo discernimento. Nem tudo o que é solicitado precisa ser aceito. Há responsabilidades que são prioritárias e compromissos que não podem ser abandonados para atender a qualquer pedido.
Uma pessoa pode, por exemplo, assumir tantas tarefas fora de casa que acaba deixando de lado a própria família. Nesse caso, dizer não a uma atividade pode ser justamente a forma de permanecer fiel àquilo que Deus lhe confiou.
Discernir significa olhar para os diferentes caminhos possíveis e reconhecer qual deles corresponde à vontade de Deus. Às vezes, um não dado com responsabilidade se torna um verdadeiro sim a uma missão mais importante.
A fé se torna concreta nas escolhas
A parábola não apresenta como exemplo aquele que simplesmente fala melhor. Jesus destaca aquele que faz a vontade do pai.
A fidelidade à palavra dada pede coerência de vida. Não basta decidir com o coração e expressar a decisão com os lábios. É preciso percorrer o caminho até a realização.
Por isso, o Evangelho termina com uma afirmação ainda mais exigente. Jesus diz aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo: “Os publicanos e as prostitutas vos levam a dianteira no Reino de Deus” (Mt 21,31-32). Eles haviam resistido, mas acreditaram na mensagem de João Batista e mudaram de caminho. Aqueles que tinham visto tudo isso, porém, não haviam se arrependido nem acreditado.
A mensagem de Jesus permanece atual. A fé não se mede apenas pelas palavras pronunciadas, mas também pelas escolhas realizadas. É possível começar com um não e chegar a um sim. Também é possível pronunciar muitos “sims” e permanecer distante daquilo que foi prometido.
O caminho cristão pede uma fé que se torna concreta. Pede confiança em Deus, abertura à sua vontade e disposição para transformar decisões em atitudes.
Mais do que repetir um sim, é preciso vivê-lo. É nesse caminho que a vontade de Deus pode encontrar espaço na vida cotidiana.
*Trecho extraído da homilia do Pe. Carlos Padilla, traduzido e adaptado para português. | A imagem em destaque foi gerada com IA.