Francisco Ziober, um herói formado na escola do Santuário

Ir. M. Patricia Lemes – Neste dia 27 de setembro, recordamos a partida para o Céu de um herói de Schoenstatt, Francisco Ziober (1934–1964). Foi casado e pai de três filhos, dos quais não chegou a conhecer o último. Pouco tempo após seu matrimônio, descobriu que tinha leucemia. Foi nesse contexto de sofrimento e incertezas que teve um encontro pessoal com a graça de Deus por meio do Santuário de Schoenstatt, em Londrina/PR, cidade onde morava, no ano de 1962.

Juntamente com outras famílias de Londrina, foi pioneiro na fundação da Obra de Famílias no Brasil. Sua adesão aos ideais de Schoenstatt, seu entusiasmo e seu compromisso foram tão marcantes que sua memória permaneceu indelével no coração daqueles que o conheceram. Seu nome está gravado no Monumento dos Heróis, em Londrina.

Francisco Ziober tem muito a nos dizer sobre o heroísmo. Talvez, melhor dizendo: em diálogo com a vida, Francisco soube ser herói na vida diária.

Pertença e vínculo – Aliança de Amor

A falta de pertencimento na Igreja é uma triste realidade que nos toca muito de perto. Hoje, muitas pessoas vão à igreja, mas não se sentem parte dela. Como consequência, vemos uma crescente falta de engajamento e de vínculos fortes com a fé e com os valores a ela intrínsecos.

Em uma fala do Papa Leão XIV, dirigindo-se às catequistas da Suíça, ele se refere a essa realidade, dizendo que muitos cristãos vivem a sua fé como “meros usuários do sagrado, dos sacramentos, talvez por mero costume”.[1]

Ziober poderia ter feito parte desse número de católicos. Porém, abriu-se à graça e encontrou uma rota que o conduziu a uma fé madura e heroica: Schoenstatt.

A Aliança de Amor foi um marco de uma nova vida, trilhada na fé, na entrega, na confiança e na liberdade interior. Ele expressa isso ao escrever em seu diário:

“Mãe e Rainha, quero estar unido a vós pela Aliança de Amor. Mas quero que esta aliança seja algo mais do que uma simples aliança figurativa. Quero que ela seja realmente uma aliança no seu maior grau de amplitude. Quero sentir-me um instrumento realmente útil. Um instrumento que, qual cinzel, consiga burilar novas almas para Deus Pai todo-poderoso. Instrumento que consiga amparar os necessitados nas durezas dos dias que correm, que saiba e tenha realmente palavras de consolo, que saiba aconselhar e irradiar luz rumo ao paraíso. Que eu seja um apóstolo pronto a ‘SERVIR À MARIA’ e que sinta que minhas palavras, ações e pensamentos são guiados por vós, Mãe Três Vezes Admirável, em benefício dos outros.”[2]

Ele encontrou abrigo no Santuário, no coração da Mãe de Deus. Sentiu-se filho amado, vinculado a Maria e à sua missão de Schoenstatt. Foi uma experiência da graça que levou Ziober a um diálogo real com o Deus da vida, que falava com ele por meio de sua realidade familiar, profissional, esportiva e eclesial e, especialmente, por meio da cruz de sua doença.

Com seu ideal pessoal, “Servir a Maria”, ele tinha um dínamo e uma bússola que marcaram o rumo de seu caminho de santidade heroica e o animaram nos momentos difíceis de sua vida.

Bem depressa, tornou-se líder do grupo de famílias de Schoenstatt “Servus Regina”. Dedicação, contato pessoal, alegria e profundidade eram virtudes que se destacavam em sua personalidade de guia.

Um exemplo disso nos conta seu irmão, Osvaldo Ziober:

“No dia seis de setembro houve a última ‘Noite Alegre’ – festividade recreativa promovida pela Família de Schoenstatt da época. O Francisco, apesar de fraco, mais uma vez quis colaborar com sua experiência de radialista profissional, pois ele era a garantia para todos nós em caso de falha nossa. Nos intervalos das suas entradas em cena, ficava descansando para se recuperar.”[3]

Assim foi Francisco Ziober: forte de espírito e generoso. Serviu a Maria até o fim, quando, no leito de morte, realizou a oferta de sua vida à Mãe, no Santuário, pela Obra de Schoenstatt.

Hoje, ao recordarmos os 62 anos de sua partida para o Schoenstatt eterno, agradecemos o dom de sua vida, Francisco Ziober. Você foi comprovado no amor e tornou-se, para nós, a constatação de que a vivência da pedagogia de Schoenstatt, ensinada pelo nosso Pai e Fundador, Padre José Kentenich, forma santos, forma heróis.

Obrigada, Francisco Ziober, por ser para nós, ainda hoje, um exemplo de filho que se deixou formar e educar pela Mãe no Santuário e por viver sua Aliança de Amor até as últimas consequências.

Precisamos conhecer-te mais e redescobrir o valor da totalidade, da entrega livre e amorosa a Deus, como você viveu. Schoenstatt foi, para você, o caminho para o Céu. Que vivamos nosso carisma com a mesma força com que você o viveu e que cada um de nós, como você, possa sentir-se um verdadeiro filho de Schoenstatt.

Referências

[1] O Papa: na Igreja, o problema não são os números, mas o “sentir-se Igreja”
[2] Trecho do livro: Francisco Ziober um servo de Maria – Ir. M. Patricia Ferreira Lemes – Londrina 2022
[3]  Idem

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