Gertraud von Bullion: uma vida marcada pelo “Serviam”

Larissa Rodrigues – “Serviam”, quero servir. Essa palavra acompanhou Gertraud von Bullion desde a juventude e se tornou a expressão de sua vida. Nascida em 11 de setembro de 1891, em Würzburg, na Alemanha, ela cresceu em uma família da nobreza, recebeu uma formação cultural e religiosa e, desde cedo, buscou compreender como poderia colocar sua vida a serviço de Deus e das pessoas.

Aos 11 anos, por ocasião da Primeira Comunhão, Gertraud escreveu seu desejo de tornar-se missionária. Mais tarde, durante sua formação na Inglaterra, ingressou na Congregação Mariana e mandou gravar em sua medalha a palavra Serviam. O lema tornou-se uma escolha pessoal: servir onde fosse necessário, com os dons que havia recebido.

Uma vocação vivida no mundo

Gertraud gostava de música, teatro, dança e da vida social, mas essas atividades não ocupavam o centro de seus interesses. Seu desejo era dedicar-se à missão. Durante a Primeira Guerra Mundial, encontrou uma maneira concreta de fazê-lo: ofereceu-se como enfermeira da Cruz Vermelha e trabalhou em hospitais militares na frente ocidental.

Ali, seu serviço ia além dos cuidados com os feridos. Ela ajudava o sacerdote, colaborava nas celebrações, cuidava da música e procurava levar consolo aos soldados. Foi nesse contexto, em 1917, em Mons, que conheceu Franz-Xaver Salzhuber, membro da Congregação Mariana de Schoenstatt. Por meio dele, conheceu o Movimento e entrou em contato com o Pe. José Kentenich.

A proposta de Schoenstatt, especialmente o desejo de colaborar com a renovação religiosa e moral do mundo por meio da Aliança de Amor com Maria, encontrou profunda sintonia com aquilo que Gertraud já buscava. Ela passou a corresponder-se com o Pe. Kentenich e desejou participar ativamente da missão.

Um caminho aberto para as mulheres

Gertraud pediu para ser admitida na Liga Apostólica e começou a conquistar outras mulheres para a missão de Schoenstatt. Sua prima, Marie Christmann, foi a primeira a acompanhá-la nesse caminho.

Em 8 de dezembro de 1920, Gertraud e Marie consagraram-se à Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Essa consagração marcou a fundação da comunidade feminina e abriu um novo caminho para a presença e a responsabilidade das mulheres dentro da Obra de Schoenstatt. O próprio site internacional do Movimento apresenta Gertraud como a primeira mulher a ingressar na Obra e como cofundadora da comunidade feminina.

Gertraud dedicou suas forças ao crescimento dessa comunidade, mesmo quando a doença começou a limitar sua atuação. Em 1921, recebeu o diagnóstico de tuberculose pulmonar. Vieram os tratamentos, os sanatórios e uma vida marcada por limitações físicas. Seu desejo de tornar-se religiosa missionária também não se concretizou da maneira que havia imaginado. Sua missão, porém, encontrou outra forma: o apostolado como leiga, no meio do mundo.

Um serviço que continua

Mesmo enferma, Gertraud continuou oferecendo suas forças pela missão de Schoenstatt. Em 1925, para a primeira consagração solene de vida das integrantes da União Feminina de Schoenstatt, o Pe. Kentenich escolheu uma oração escrita por ela.

Sua vida foi uma constante busca por responder a Deus nas circunstâncias concretas. Gertraud não deixou de servir quando seus planos precisaram mudar. Pelo contrário, encontrou na própria realidade, inclusive na doença e no sofrimento, uma possibilidade de entrega.

Em uma de suas reflexões, escreveu: “Eu tenho, na verdade, duas paixões: uma é ajudar todas as pessoas, cada uma onde precisa; a outra é saber que Deus é honrado e amado em toda parte”. Essa frase resume uma vida que encontrou no serviço não apenas uma atividade, mas uma forma de amar.

Gertraud morreu em 11 de junho de 1930, aos 38 anos. Seu lema, porém, permaneceu como síntese de sua vida: Serviam, quero servir.

Ao celebrar seu nascimento, em 11 de setembro, sua história recorda que a vocação nem sempre se realiza como imaginamos. Gertraud queria ser missionária religiosa, mas tornou-se missionária no meio do mundo. Queria servir em terras distantes, mas encontrou pessoas a quem servir nos hospitais, nas comunidades e nas circunstâncias concretas de sua própria vida.

Sua pergunta continua atual: onde a vida precisa de mim? E, diante dessa pergunta, permanece sua resposta: Serviam.

Referências

Gertraud von Bullion. Site biográfico oficial.
Schoenstatt International. União Apostólica Feminina de Schoenstatt.
Schoenstatt International. “Ser uma ‘virada de jogo’ para algo grande que pode mudar o mundo”.
Nikolaus Lauer. Gertraud von Bullion – Serviam: Resposta de Amor. 

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