Homem novo: espírito de misericórdia


Devemos abraçar aqueles que procuram uma nova esperança

Juliana Dorigo- Aqueles que fogem do medo, do caos e da fome: imigrantes abandonam seus países, sua língua e sua cultura em busca de esperança de uma vida melhor. Essas são pessoas que buscam ser acolhidas em um novo lar e abraçados por uma nova sociedade mais humana, como diz o Papa Francisco: “Com espírito de misericórdia, abraçamos todos aqueles que fogem da guerra e da fome ou se veem constrangidos a deixar a própria terra por causa de discriminações, perseguições, pobreza e degradação ambiental”. [1]

Diante desse contexto, Schoenstatt nos chama a sermos acolhedores, e isso só é possível se nos tornarmos homens novos. “O homem vinculado é aquele que, a partir da iniciativa do seu amor, é capaz de despertar amor no outro, como resposta; e o homem capaz de amar e de receber amor pessoal; e um homem profundamente pessoal ou interiorizado, profundamente social”. [2]

Em Schoenstatt, a partir do Santuário, a missão da Mãe de Deus é formar esses homens novos “Ao mesmo tempo em que encarna o ideal do homem redimido, também desempenha a tarefa de Mãe e Educadora na Igreja e para cada um dos seus filhos de Deus, a qual o Senhor lhe confiou”. [3]

Acolher aqueles que sofrem, não negando a sua existência e repartindo com eles o mesmo chão, isso é construir a nova terra mariana.  Pe. Kentenich descreve, nas estrofes do Rumo ao Céu, alguns traços interiores, idealizando um novo futuro: “Onde corações nobres pulsam, intimamente unidos e se suportam com alegria sacrifical; onde abrigando uns aos outros, se inflamam e afluem para o coração de Deus; onde brotam torrentes borbulhantes de amor, para saciar a sede de amor no mundo?”.[4]

 

Comunidade baseada em homens novos

Podemos realizar aquilo que queremos idealizando um futuro entre o bem comum. “Queremos ser um ‘caldo de cultura’ do ho­mem novo. Queremos realizar em nos mesmos aqui­lo que queremos que seja no futuro um bem comum da nova sociedade” [5]. Diferente dos tempos atuais em que vivemos: “O tipo de socieda­de atual mostra o panorama desolador da proxi­midade física dos homens, mas da imensa distan­cia espiritual que os separa interiormente”. [6]

“O ideal que orientou o Padre Kentenich foi sempre o mesmo: a nova comunidade baseada em homens novos impulsionados pela força fundamen­tal do amor.” [7] Ele incorporou a vivencia do homem novo e mostrou que esse ideal encontra a alegria de viver na vinculação profunda e pessoal ao “Tu”. “Na construção desta nova socieda­de orgânica, onde os homens não são mais estra­nhos uns aos outros, mas onde se estendem as mãos uns aos outros como irmãos. Onde o impera­tivo e: “um-no-outro, com-o-outro e para-o-outro”, onde o imperativo e a lei da mútua respon­sabilidade e da solidariedade no espírito e na ação. Uma sociedade autenticamente cristã”. [8]

Ele ainda defendia que “O mistério mais profundo do amor consiste precisamente nes­se profundo estar ‘no outro’ próprio do amor, na identidade mútua, ou comunidade de corações” [9] e que uma união profunda de irmãos vai além de um relacionamento de amizade e ou de ‘camaradagem’. “Não se trata de serem ‘amigos íntimos’, como em geral se diz, apesar de que o relacio­namento pessoal não passe de uma pura amizade superficial. Trata-se de receber os outros no coração, recebendo a cada um tal como ele é, as­sumindo sua história e sua pessoa, acolhendo-o, com suas qualidades e seus defeitos, unindo-se a ele de tal modo que esta pessoa se torna res­ponsável pelo outro em forma pessoal e permanen­te. E isto cria a consciência de que se perten­cem mutuamente”. [10]

Para o Movimento Apostólico de Schoenstatt a meta é a autoeducação, formar o homem novo e cultivar a comunidade do amor “A meta de nossa autoeducação é encarnar o tipo de homem novo que é capaz de estabelecer e cul­tivar esta comunidade profunda de amor”. [11]

 

Foto: RS 21

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[1] Mensagem do Papa Francisco ao Dia Mundial da Paz, 2018.

[3] Pe. Rafael Fernandez, livro: 150 Perguntas Sobre Schoenstatt.

[2] ao [10] Pe. Rafael Fernandez, livro: O Homem Novo o Homem Comunitário.

[4] Pe. José Kentenich, livro: Rumo ao Céu.

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