Pe. Carlos Padilla – O amor é fundamental. Na vida, a única meta que realmente faz sentido é amar e ser amado. No Evangelho, Jesus diz aos discípulos: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos”. A frase é direta e revela uma verdade essencial: quem ama de verdade deseja corresponder ao amado.
Amar a Deus com todo o coração significa desejar viver segundo sua vontade. Quando se ama alguém, surge naturalmente o desejo de cuidar, proteger e evitar que essa pessoa sofra. Com Deus acontece o mesmo. Guardar seus mandamentos não é cumprir regras friamente, mas expressar amor concreto.
Guardar os mandamentos é imitar Cristo
Guardar os mandamentos significa aprender a desejar como Jesus deseja. É trocar a tendência de imitar os outros, tantas vezes marcada pela comparação e pelo conflito, pela decisão de imitar Cristo. Quando ele se torna o modelo, as atitudes passam a refletir sua paz.
Quem ama procura entender o que o outro necessita. Coloca-se em seu lugar, percebe suas dores, seus medos e seus anseios. Escuta com atenção e tenta responder ao que está no coração da pessoa amada. O amor verdadeiro é sensível às necessidades do outro.
Quais são os desejos de Jesus?
Muitas vezes, a oração se concentra nos próprios pedidos. No entanto, hoje surge uma pergunta diferente: quais são os desejos de Jesus?
Nos Evangelhos, Jesus frequentemente pergunta às pessoas o que elas desejam. Pergunta ao paralítico se quer ser curado. Pergunta aos leprosos. Ele respeita profundamente a liberdade humana. Não se antecipa, não impõe. Escuta.
Essa mesma pergunta também precisa ser feita interiormente: quais são os verdadeiros desejos do coração? Nem sempre isso é claro. Muitas vezes, existe sofrimento, mas não há clareza sobre o que realmente se busca ou deseja.
O amor não é interesse
Existe um amor que nasce da necessidade. Ama-se alguém porque essa pessoa ajuda, resolve problemas, oferece segurança ou responde a carências. É um amor real, mas ainda imaturo.
Isso também acontece na relação com Deus. Às vezes, busca-se Jesus apenas porque ele consola, cura ou oferece respostas. Foi essa experiência que ele mesmo viveu quando percebeu que muitos o seguiam apenas porque haviam sido alimentados.
Mas Jesus espera um amor mais profundo. Não quer ser amado apenas pelo que oferece, mas por quem é.
O amor verdadeiro é gratuito
O amor maduro não calcula vantagens. Não depende do que recebe em troca. Ama porque reconhece valor no outro. Ama porque deseja o bem do outro.
Esse amor é livre, generoso e incondicional. Não pergunta: “o que ganho com isso?”. Pergunta: “como posso cuidar melhor?”.
Quando o amor é assim, obedecer deixa de ser peso. Os mandamentos deixam de parecer exigências e se tornam expressão natural de uma relação viva. Quem ama não vive a fidelidade como obrigação, mas como consequência.
Um exame do coração
A pergunta final permanece: como são os próprios amores?
São amores centrados em interesses ou marcados pela gratuidade? Existe amor verdadeiro por Cristo ou apenas busca pelos benefícios que ele oferece?
Amar Jesus de verdade significa permitir que ele ocupe o centro. Significa deixar de lado o egoísmo e aprender, pouco a pouco, a amar como ele ama. Esse é o caminho do discipulado e também a verdadeira medida de toda vida cristã.