Qual o papel da Igreja no período eleitoral?

Suellen Figueiredo – Quais as orientações da CNBB para o período eleitoral? Padres podem se candidatar? E um candidato pode pedir votos dentro da Igreja? Essas perguntas surgem com frequência em época de eleições no Brasil. Em resposta a estes e outros questionamentos, a CNBB elaborou um documento para trazer mais clareza sobre esse tema. Confira aqui o documento completo 

O documento foi formulado a partir das perguntas que chegam até à Conferência sobre a visão que a Igreja tem da política, suas expectativas e qual o nível de participação e de engajamento nesse processo eleitoral. Sobre o documento o Frei Jorge Luiz Soares da Silva, assessor responsável pela RIG, explica: “Nós procuramos responder, exatamente dentro daquilo que é a orientação da Igreja, o ensinamento da Igreja, sobretudo a partir da encíclica Fratelli Tutti e com base naquilo que é a Doutrina Social da Igreja… para ajudar aos eleitores na escolha dos seus candidatos… levando em consideração os valores que a Igreja…”.

O documento está estruturado em quatro pontos:

  1. Atuação de padres e bispos

Recomendações sobre a atuação de padres e bispos no contexto eleitoral e as orientações gerais oferecidas pela CNBB em anos eleitorais “sobre o que se deveria levar em consideração no momento do voto nos que exercerão as funções de legisladores e governantes”.

  1. Candidaturas de membros do clero

O documento recorda a proibição de os padres assumirem cargos públicos que importem a participação no exercício do poder civil. Essa norma deixa claro que é vedada aos padres a participação no pleito eleitoral, como candidato ao exercício de qualquer poder civil.

  1. Debate político dentro das Igrejas

O ambiente da vida eclesial não pode ser transformado em “palanques eleitorais”, salienta o documento, sublinhando o ambiente da assembleia litúrgica, as celebrações, onde se deve viver e celebrar a comunhão. Por outro lado, a Igreja deve-se criar ambientes de reflexão à luz da Fé e do Magistério da Igreja com o intuito de ajudar a formar a consciência política dos fiéis.

  1. Apoio a candidatos

Tendo presente que padres e bispos são também cidadãos civis e tem o direito e o dever de escolher e votar, de forma consciente, em pessoas que julgam aptas a exercerem funções de poder civil, o documento esclarece que “a Igreja adota uma posição de neutralidade política e não apoia diretamente candidatos políticos específicos”.

Esses quatro pontos de orientação são fundamentados na Doutrina Social da Igreja e no ao conceito de “boa política” apresentado pelo Papa Francisco na encíclica “Fratelli Tutti”, publicada em 2020.

 

Tempos de eleições são oportunidades para, como personalidades livres, ajudarmos na renovação social. Em quem a Mãe de Deus votaria, se estivesse em meu lugar? Rezemos para que em cada sejam eleitos candidatos que colaborem para a cultura da vida, a justiça e o amor.

Fonte: cnbb.org.br

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