Pe. Carlos Padilla – Existe um desejo de que o outro cresça, melhore e avance. Mas nem sempre é fácil dizer ao outro aquilo que precisa ouvir. Muitas vezes, é possível perceber o que uma pessoa faz de errado e como poderia agir melhor, mas falta coragem para falar diretamente.
Quando aquilo que incomoda é guardado ou comentado com outras pessoas, surgem as críticas e os julgamentos. Fala-se pelas costas, mas não se ajuda o irmão a olhar para a própria verdade. Essa atitude pode esconder sentimentos como inveja, ressentimento e cansaço. Por fora, parece haver aceitação. Por dentro, porém, permanecem comparações e incômodos.
É preciso aprender a falar com sinceridade. A primeira leitura recorda a responsabilidade daquele que é chamado a ser sentinela: se perceber o caminho errado e não alertar o outro, também terá de responder por isso. Se, porém, fizer o alerta e o outro não mudar de conduta, a responsabilidade será dele.
Jesus também apresenta um caminho concreto: «Se teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão». A correção começa no encontro pessoal. Não se trata de expor o outro, mas de ajudá-lo a reconhecer aquilo que precisa ser mudado.
A capacidade de ajudar o outro a crescer passa pela sinceridade, pela honestidade e pela verdade. É preciso dizer o que se pensa e sente sem fingimento. Muitas vezes, porém, o medo da reação do outro impede essa atitude. Existe o receio de provocar uma discussão, de causar mágoa ou até de perder a amizade.
Dizer aquilo que precisa ser dito envolve riscos. Por isso, a correção precisa estar sempre ligada ao amor. São Paulo recorda: «A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, a não ser o amor mútuo». Amar o próximo significa não lhe fazer mal e buscar o seu verdadeiro bem.
Isso também exige discernimento. Nem toda diferença precisa ser corrigida. Existem escolhas diferentes das próprias que podem ser legítimas. Nem sempre os outros precisam agir como se espera. Respeitar a liberdade do outro também faz parte do amor.
Há, porém, situações em que a pessoa escolhe um caminho que a destrói. Nesses casos, o amor não permite permanecer indiferente. Se alguém estivesse prestes a se lançar de um precipício, seria necessário fazer todo o possível para impedir a queda. A mesma disposição é necessária diante de escolhas que conduzem à destruição.
Ser sentinela não significa querer controlar a vida dos outros. Também não significa considerar toda opinião pessoal como uma verdade absoluta. Significa reconhecer os caminhos que conduzem à vida e ter coragem para alertar quando alguém se aproxima de um caminho que faz mal.
A maturidade exige liberdade interior para dizer a verdade. É preciso saber denunciar o que destrói e anunciar aquilo que conduz ao bem. Há escolhas que afastam de Deus, empobrecem a pessoa e ferem a comunidade. Nem tudo pode ser tratado como se fosse indiferente.
Para discernir esses caminhos, é necessário estar profundamente unido a Deus. Somente assim é possível distinguir entre aquilo que é apenas uma diferença de opinião e aquilo que realmente prejudica a vida. Nem toda escolha diferente precisa ser questionada. Mas, diante do mal que destrói, o amor pede uma atitude.
Ser responsável pelo irmão também significa ter coragem para dizer aquilo que pode ajudá-lo a crescer. A verdade precisa ser anunciada com amor, respeito e liberdade. Que Deus conceda a força e a coragem necessárias para reconhecer o que precisa ser dito e para fazê-lo sempre buscando o bem do outro.
*Trecho extraído da homilia do Pe. Carlos Padilla, traduzido e adaptado para português.