Ir. Juliana Maria Nogueira/Taciana Ferreira – O Santuário da Mãe e Rainha, Tabor da Misericórdia, em Biguaçu/SC, recebeu o Encontro de Promotores Vocacionais no primeiro final de semana de setembro. A atividade reuniu aproximadamente 30 participantes de diferentes regiões do Brasil, além de Irmãs de Maria que atuam na promoção vocacional.
O encontro realizado em Biguaçu também deu continuidade a um caminho construído com dedicação e espírito de colaboração. Esta foi a quarta edição do encontro dos Promotores Vocacionais, reunindo pessoas vinculadas às Irmãs de Maria de Schoenstatt que, de diferentes formas, colaboram com o trabalho vocacional. Periodicamente, o grupo se reúne para partilhar experiências, avaliar os caminhos percorridos e pensar novas estratégias para acompanhar e acolher as jovens que estão em busca de sua vocação.
Maria inspira a reflexão sobre o chamado
O encontro teve início com a oração de abertura no Santuário. Na sequência, a Ir. M. Cleonice Teresinha Kist apresentou a história do Santuário Tabor da Misericórdia e conduziu uma reflexão sobre a fidelidade de Maria, destacando sua força diante da dor e a consciência de ser profundamente amada por Deus. “Sua força não estava na ausência da dor, mas na consciência de que era profundamente amada por Deus. Como Ela mesma proclama: ‘O Senhor fez em mim maravilhas’. Maria reconhecia sua pequenez, mas também reconhecia a grandeza do amor de Deus que a havia escolhido e chamado”, afirmou.
A reflexão ressaltou a importância de reconhecer o amor de Deus e a graça da escolha e da vocação. Em seguida, a Ir. Ana Paula Engelmann apresentou a programação do encontro, que teve como foco a formação e o fortalecimento da missão dos promotores vocacionais.
Escuta orienta o discernimento vocacional
O Pe. José Vitor Fernandes Azevedo conduziu a palestra “A urgência do chamado à luz da Exortação Apostólica Christus vivit”. A partir do documento, destacou a importância da escuta para compreender a voz de Deus no tempo presente. “O que o Papa mais quer da Igreja, o que o Papa mais quer de nós, é que nós aprendamos a escutar. Para a gente entender a Christus vivit, a gente precisa escutar a voz de Deus que fala conosco hoje”, afirmou o Pe. José Vitor.
A reflexão abordou o chamado para o presente, convidando a abrir o coração, discernir, levantar-se, caminhar e colocar os próprios dons a serviço. Também foi ressaltada a mensagem de esperança da Christus vivit: Cristo está vivo, ama os jovens, caminha com eles e os chama a uma vida plena e à missão. O Papa Francisco convida ainda a Igreja a reconhecer os jovens não apenas como destinatários da ação pastoral, mas como protagonistas e membros ativos da comunidade.
Desafios da promoção vocacional entram em debate
Uma mesa-redonda reuniu o Pe. José Vitor, a Ir. Glória Maria de Melo Leite, os promotores Luciano e Pâmela Battisti, da União de Famílias, e a psicóloga Beatriz Pivetta. A conversa abordou os desafios da Igreja na orientação dos jovens e no acompanhamento do discernimento vocacional, além de estratégias para uma atuação fecunda na promoção das vocações.

Após o almoço, os participantes conheceram mais sobre o estilo de vida das Irmãs de Maria de Schoenstatt, acompanharam testemunhos de vocacionadas e participaram de um talk show. Para Lilmara Pinto Brasil Corrêa da Silva, a experiência trouxe aprendizado, troca de experiências e convivência com as Irmãs de Maria. Ela contou que chegou ao encontro com medos, dúvidas e muitas interrogações, mas se abriu à experiência: “Foi um presente vindo direto do trono de Deus em minha vida. Confesso que não entendi muito, mas precisamos apenas ir e deixar o resto que a Mãe de Deus nos conduz.”
Irmãs de Maria celebram 100 anos de fundação
A noite terminou com a Santa Missa solene pela celebração do centenário das Irmãs de Maria, na Catedral de Florianópolis/SC. A celebração foi presidida pelo Arcebispo de Florianópolis, Dom Wilson Tadeu Jönck, e contou com a concelebração do Pe. David Antônio Coelho, pároco da Catedral, e do Pe. Ewerton Martins Gerent, Assistente Eclesiástico do Movimento de Schoenstatt em Florianópolis.
Na homilia, Dom Wilson destacou a importância do trabalho das Irmãs na Arquidiocese e afirmou que elas são presença de Maria e tornam Cristo presente na vida das pessoas por meio do testemunho, procurando assumir as atitudes de Maria.
Pe. Kentenich é apresentado como modelo vocacional
No domingo, as Irmãs de Maria apresentaram o Pe. José Kentenich como modelo de promotor vocacional. A Ir. Glória Maria falou sobre o amor como elemento fundamental na vocação consagrada. “Quando a gente ama o outro por causa de Deus, aí o amor já está purificado, provado e comprovado. Assim também é na vida consagrada. A gente entra bem entusiasmado e permanece porque está sempre de novo recordando o primeiro chamado, o primeiro amor.”
As Irmãs também abordaram a vida de oração, o respeito à originalidade de cada pessoa, o serviço desprendido e incansável e o desafio de ajudar cada pessoa a pensar sobre sua vocação.
Cinco passos ajudam no discernimento
A Ir. Maria Aparecida Gehm apresentou cinco pontos para o discernimento da vontade de Deus: reconhecer o impulso e o desejo do coração; olhar com realismo para a situação concreta, sem se deixar conduzir apenas pelos sentimentos; guardar três dias de silêncio sobre a decisão, permitindo que o entusiasmo e a emoção inicial diminuam; pensar e rezar sobre o desejo; e conversar com uma pessoa madura e de confiança antes de tomar uma decisão.

Na sequência, os promotores refletiram sobre estratégias para o futuro da promoção vocacional. Após o almoço, participaram de uma olimpíada vocacional, que antecedeu o encerramento do encontro com a consagração no Santuário.
Micael Eduardo Bonfim destacou que o encontro também foi um momento de renovação da vida interior, partilha de experiências e fortalecimento da missão. Segundo ele, estar com pessoas de diferentes realidades, unidas pelo mesmo ideal e pelo desejo de servir à Igreja e à Família de Schoenstatt, ajudou a recordar o sentido da promoção vocacional. “Foram dias de encontro, partilha e renovação”, afirmou.
Micael Eduardo Bonfim ressaltou ainda que a experiência renovou o desejo de seguir os passos do Pai e Fundador, Pe. José Kentenich, e colocar os próprios dons a serviço da promoção vocacional. Para ele, os dias vividos em Biguaçu ajudaram os participantes a voltar às fontes e a renovar o ardor pela vocação, levando para suas realidades o que foi aprendido e partilhado.

Rezemos pelas vocações
“Mãe de Deus, agora é tua vez, mostra que podes e queres, realmente, atrair os corações juvenis a partir daqui, como prometeste no Documento de Fundação. Toma todas as jovens sob tua proteção, nossa querida Senhora, tu, a mais pura entre os puros, a Imaculada. Cria para ti um reino da Imaculada, um reino de pureza, um reino de amor, um reino de alegria, um reino de liberdade, um reino de verdade e justiça, um reino de coragem para a luta e de certeza de vitória.”
Editado por: Larissa Rodrigues