Reinauguração da Capela Mãe Rainha celebra os 140 anos da chegada dos Palotinos ao Brasil e renova uma história de fé e Aliança de Amor.
Larissa Rodrigues – A celebração dos 140 anos da chegada dos Padres e Irmãos Palotinos ao Brasil ganhou um significado especial no dia 1º de agosto. No Seminário Palotino de Vale Vêneto, distrito de São João do Polêsine/RS, foi reinaugurada a Capela Mãe Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt, construída em 1964 por padres, seminaristas e benfeitores e que, desde então, se tornou um importante espaço de oração, formação espiritual e vivência da Aliança de Amor.

A cerimônia reuniu religiosos palotinos, membros da Família de Schoenstatt, moradores da região e visitantes que participaram da 41ª Semana Cultural Italiana de Vale Vêneto. Mais do que apresentar um espaço restaurado, a celebração recordou a história construída em torno da Capela ao longo de mais de seis décadas e renovou sua missão de acolher todos aqueles que buscam, junto à Mãe e Rainha, um caminho de encontro com Cristo.
Na homilia, o provincial dos Palotinos, Pe. Jadir Zaro, destacou que a coincidência entre a reinauguração da Capela e o jubileu dos 140 anos da presença palotina não é apenas simbólica, mas um convite para olhar o passado com gratidão e o futuro com esperança. “Esta rica história de 140 anos não é um mero fato do passado a ser arquivado; ela é uma realidade viva que pulsa em cada tijolo deste Seminário”, afirmou. Para ele, preservar esse patrimônio significa valorizar “esses tesouros que foram sendo cultivados e preservados” e oferecer às novas gerações um espaço onde a fé continue sendo cultivada.
Um lugar de graças
A presença da Mãe Rainha em Vale Vêneto começou ainda no fim da década de 1940, quando foi erguido um pequeno oratório junto ao seminário. Em 1951, durante sua visita ao Rio Grande do Sul, o fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, Pe. José Kentenich, conheceu aquele espaço de oração. Com o passar dos anos, porém, o crescimento do número de seminaristas tornou o oratório pequeno para acolher a intensa vida espiritual que se desenvolvia junto à Mãe de Deus.
Em 1963 nasceu o projeto de construir uma nova Capela. Sem recursos financeiros, padres, seminaristas, famílias e benfeitores uniram esforços para transformar o sonho em realidade. Organizaram rifas, apresentações teatrais e diversas campanhas para arrecadar recursos, enquanto muitas pessoas colaboraram com materiais, mão de obra e doações. A mobilização foi tão grande que praticamente toda a comunidade participou da construção.
Quem viveu aquele período guarda até hoje lembranças muito vivas. Pedro Roggia, seminarista na época da construção, participou da celebração de reinauguração e recordou a dedicação de todos que ajudaram a erguer a Capela. “Sempre é bom recordar e reviver aquilo que nós começamos há 64 anos. Depois da conclusão da Capela, muitas pessoas, em grupo e também individualmente, fizeram sua consagração à Mãe e Rainha”, afirmou. Ao recordar aqueles dias, ele resume em poucas palavras o espírito da comunidade: “O entusiasmo, o incentivo e a disposição de todo mundo. O empenho em construir esta casa da Mãe, que era nossa casa, nosso abrigo espiritual.”


O esforço coletivo deu origem à Capela, inaugurada em 18 de outubro de 1964, durante as comemorações dos 50 anos da fundação da Obra Internacional de Schoenstatt. A partir daquele momento, o local passou a integrar a vida cotidiana do Seminário Palotino. Ali eram celebradas as missas dos cursos, realizavam-se momentos de oração e muitos seminaristas selavam sua Aliança de Amor com a Mãe e Rainha, fortalecendo a espiritualidade que mais tarde levariam para diferentes regiões do Brasil.
Renovar a missão
Ao recordar essa história, o Pe. Jadir destacou que a Capela guarda a memória de incontáveis experiências vividas junto à Mãe de Deus. “Quem de nós, durante os seus momentos de espiritualidade, de oração e de questionamento vocacional, não chegou diante da Mãe Rainha e pediu o seu auxílio e a sua intercessão para continuar a caminhada?”, questionou. Para ele, a restauração do espaço ultrapassa a conservação do patrimônio material. “As pessoas que vierem aqui não vejam simplesmente paredes, mas percebam também essa presença tão significativa de Maria, que pode auxiliar na sua vida, na sua vocação e na sua missão.”
A reinauguração foi marcada pelo rito de bênção da Capela, conduzido pelo provincial, e por uma oração preparada especialmente para a ocasião. Nela, a comunidade agradeceu pelas graças recebidas ao longo da história daquele lugar e confiou novamente a Capela à proteção da Mãe Três Vezes Admirável. Inspirados na espiritualidade da Aliança de Amor, os participantes rezaram: “Como em 1964, toma novamente posse deste lugar. Faz que todos os que aqui vêm para rezar experimentem abrigo em teu coração de Mãe, sejam por ti educados na fé e na esperança e daqui partam como apóstolos de teu Filho Jesus.”


Ao encerrar a celebração, Pe. Jadir recordou que preservar lugares como a Capela de Vale Vêneto significa manter viva uma herança espiritual construída por muitas mãos ao longo das últimas décadas. “Nós somos depositários dessa riqueza. Cabe a nós preservá-la e transmiti-la para aqueles que virão depois de nós”, afirmou.
A reinauguração da Capela Mãe Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt abre, assim, um novo capítulo de sua história. Erguida pelo esforço de padres e seminaristas pallottinos e benfeitores, ela continua a cumprir a missão para a qual foi construída: ser um lugar de oração, de formação na fé e de encontro com Maria, onde as novas gerações possam renovar sua Aliança de Amor e partir como discípulos missionários de Cristo.
Com informações de Santuário Tabor, TV Leal e Diário SM