Venerável Ir. M. Emilie Engel: uma vida entregue pela santidade

Uma vida entregue pela santidade da Comunidade das Irmãs, de todo o Movimento de Schoenstatt e da Igreja

Ir. M. Ana Paula Hyppólito – Neste ano fazemos a abertura do centenário do oferecimento da Venerável Ir. M. Emilie Engel pela santidade da Comunidade das Irmãs de Maria e de todo o Movimento de Schoenstatt. Mas, o que isso quer dizer para nós hoje?

Ela sente o impulso a ser santa!

Logo ao ingressar em nossa Família, desperta-se nela o desejo de empenhar-se pela santidade da nova comunidade. Numa carta, ela pergunta ao Pe. José Kentenich:

“Posso oferecer a minha vida ao bom Deus e declarar-me pronta a aceitar todos os sofrimentos imagináveis pela santidade de nossa Família? Nossa comunidade não pode aumentar ainda mais a medida das ofensas a Deus, não pode impedir a circulação da vida divina, precisa tornar-se uma comunidade de santas que, mesmo sem ser canonizadas, não fiquem atrás dos santos reconhecidos pela Igreja. Todas as que algum dia forem incorporadas à nossa comunidade devem tornar-se santas, só essas podem ser definitivamente aceitas. Quero sentir-me de modo particular responsável pela santificação de todas, oferecendo-me (eu, pobre criaturinha miserável), com Cristo e por Cristo, inteiramente nesta intenção. O objetivo é suficientemente grande porque então de nossa comunidade se irradiará uma atmosfera de santidade sobre todo o Movimento Apostólico, sobre toda a Igreja, sobre o mundo inteiro…” (Carta de 26.6.1927)[1]

O Pe. Kentenich apoia sua iniciativa!

Ele responde afirmativamente e Ir. M. Emilie faz sua oferta. Em sua biografia lemos: Faltam três dias para a festa de São Pedro e São Paulo. A solenidade dos apóstolos e o término de seu retiro são uma opor­tunidade adequada para concretizar uma inspiração da graça. Quer unir sua oferta ao sacrifício de Cristo na santa Missa. O que por longos anos cresceu e se desenvolveu em sua alma, sua experiência espiritual, ela agora oferece junto com sua vida. E o faz com tanta naturalidade que se poderia subestimar o alcance deste oferecimento.

Emilie se alegra que naquela manhã festiva o Pe. Ken­tenich celebra a santa Missa no Santuário e pede que ele colo­que sobre o altar a folha na qual escreveu sua consagração:

“Ó Santíssima Trindade, pelas mãos de minha querida Mãe Celeste, entrego-te o sacrifício de minha vida, unida ao sacrifício de teu Filho, meu Salvador e Cabeça do Corpo Místico, que teu servo e meu diretor espiritual oferece no altar, e me declaro dis­posta a suportar todos os sofrimentos imagináveis para que aqui surja uma comunidade de santas, e que dela se irradie uma atmos­fera de santidade sobre todo o Movimento Apostólico, sobre toda a Igreja Católica e o mundo inteiro.”

Esta oferta heroica, na brevidade de sua expressão e no decisivo que são as consequências de seu conteúdo, representa um marco em seu caminho. Jamais dará um passo para trás nesta entrega. Ela será muito mais uma força motriz, um eixo, em tor­no do qual gira sua vida.

Esta consagração é o fundamento de sua vida espiritual, mesmo quando tempestades interiores, lutas e revezes revolvem sua alma. Sua natureza reservada e discreta e sua austeridade fazem com que as demais Irmãs não suspeitem, nem no mínimo, o que transcorreu até agora no mais profundo de sua alma. Este mistério entre ela e seu Deus só o Padre Kentenich, seu diretor espiritual, o conhece. Com grande esforço ela aprendeu a abrir-se para ele, seguir as suas indicações, deixan­do de lado sua vontade própria.

Com isto Emilie crê ter sido chamada a ser fundamento da Comunidade das Irmãs de Maria de Schoenstatt e se ofereceu em penhor por sua santificação. Sabe que essa santidade é o testemunho de fé que o Movimento Apostólico e a Igreja necessitam.

O Fundador compreende a importância dessa entrega para a Obra que estava surgindo. Na homilia da santa Missa, ele diz:

“A festa de hoje nos mostra como devemos entender a fundamentação do cristianismo, no seu início. […] Li numa carta um pensamento que talvez nos possa dar uma indicação neste sentido: ‘Posso oferecer minha vida ao bom Deus e declarar-me pronta a aceitar todo o sofrimento imaginável pela santidade de nossas Irmãs de Maria de Schoenstatt?’…”  E conta o que Ir. M. Emilie escreveu, sem dizer o remetente. Depois faz uma relação entre a primeira comunidade apostólica e a comunidade das Irmãs e ressalta a importância dos santos, dizendo:

“Eu já disse muitas vezes: se nosso Movimento e, de modo particular, nossa Família não produzirem santos, desperdiçamos nossa melhor e mais nobre aspiração, não buscamos o mais elevado. E o mundo atual só pode ser regenerado, só pode ser salvo através de santos.” (Citado no livro Emilie Engel – Zeugnisse, Briefe, Tagesbuchnotizen – Testemunhos, cartas, apontamentos do diário).

O que isso significa para nós?

Cada herói de Schoenstatt contribuiu muito para nossa Obra, cada um deixou uma marca e enriqueceu o carisma, com seu modo de ser, suas contribuições ao Capital de Graças e seu espírito heroico. Pensemos em José Engling com sua oferta de vida: “Se for compatível com teus planos, deixa-me ser uma vítima pelos ideais da nossa Congregação”. Ou em Mario Hiriart que se oferece por um coirmão específico, unindo-se ao cálice de Cristo na Santa Missa. D. Lenir Barroso ofereceu sua própria vida para que surgisse um Santuário em Curitiba… E tantos outros! São ofertas silenciosas e de grande alcance, talvez só as compreenderemos na eternidade, mas sabemos, por alto, quantos frutos cada oferta de vida produziu ao longo da nossa história abençoada. Muitos se incluem, até hoje, no “Ato de Engling”, oferecendo sua vida por Schoenstatt…

Diante de tudo isso, você pode se perguntar: e eu? Sou schoenstattiano, admiro os heróis, quero segui-los, então… Será que Deus também me chama a algo semelhante? Pode ser que meu oferecimento diário esteja ainda sem um sentido mais profundo, sem ser destinado a algo especial. Para qual finalidade quero dar minha contribuição com minha vida? Eu gostaria de me oferecer em alguma intenção específica ou por alguém específico? Pela canonização do Pe. Kentenich? Pelas vocações aos Institutos, Uniões e Ramos da Obra? Pela Igreja? Pela santificação dos sacerdotes? Pela pureza dos jovens? Pelas famílias? Pela Pátria? Pela conversão de alguém? Pela cura e libertação de alguém? Fica aqui a reflexão, a partir do exemplo dos heróis, especialmente de Ir. M. Emilie: nossa vida pode ser fecunda, não só pelo o que fazemos, mas pelo sentido que damos a tudo o que fazemos, quando a oferecemos, pois “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos” (Jo 15,13).

Ir. M. Emilie venceu os limites de sua natureza e temperamento por meio de seu oferecimento e entrega total, deixando-se santificar por Deus. Esse eixo de sua vida lhe conferiu sentido e força para tudo o que precisou fazer e sofrer. Seu amor, na luta diária, tinha uma finalidade: a santificação de cada Irmã de Maria, de todo o Movimento, da Igreja e do mundo inteiro. E por meio dessa entrega, ela mesma se santificou! Suas palavras são o selo de sua vida: “Senhor, torna-me madura como um grão de trigo, alimento para os famintos e desvalidos. Que toda a minha vida seja uma oferenda, doação total, então, estarei vazia de mim mesma e madura para a eternidade!”

[1] Todas as citações em itálico são de: WOLFF, Margareta. Meu sim é para sempre.

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