As mulheres em Schoenstatt

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“Todas as mulheres, segundo os planos, de Deus, têm a missão de reproduzir a imagem da querida Mãe de Deus”

Ir. M. Neiva Pavlak – Para abordarmos o tema sobre a presença e atuação das mulheres no Movimento Apostólico de Schoenstatt, partimos do Evangelho da ressurreição de Jesus:

“Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo. E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela. Resplandecia como relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve. Vendo isto, os guardas pensaram que morreriam de pavor. Mas o anjo disse às mulheres: “Não temais! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Não está aqui: ressuscitou como disse. Vinde e vede o lugar em que ele repousou. Ide depressa e dizei aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos. Ele vos precede na Galileia. Lá haveis de revê-lo, eu vo-lo disse.” Elas se afastaram prontamente do túmulo com certo receio, mas ao mesmo tempo com alegria, e correram a dar a boa nova aos discípulos (Mt 28, 1-8).

Como sabemos dos relatos dos Evangelhos, foram as mulheres as porta-vozes da ressurreição de Jesus. Elas levaram a grande notícia aos apóstolos, que estavam decepcionados com a sua morte na cruz. As mulheres correram, cheias de alegria, para anunciar: O Senhor ressuscitou!

 

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Pouco a pouco a Obra cresce

Em Schoenstatt, as mulheres não estavam no início, não foram elas as primeiras a levarem a “boa nova” da Aliança de Amor, da presença da Mãe de Deus no Santuário, do grande ideal proposto pelo Pe. José Kentenich: formar o “novo homem na nova comunidade”, segundo a imagem de Cristo e de Maria. Os primeiros anunciadores foram jovens rapazes, chamados ao sacerdócio, mas que, muito cedo, antes mesmo de chegarem ao sacerdócio, foram chamados a lutar nos campos de batalha da primeira guerra mundial. E foi ali, naquele ambiente, naquelas circunstâncias difíceis da guerra, que eles anunciaram o “mistério de Schoenstatt”: a presença da Mãe de Deus na Capelinha, pela Aliança de Amor, e a fecundidade de sua intercessão, como Mãe e Educadora de cada um deles. Um anúncio feito não só com palavras, mas, sobretudo, com o testemunho de uma vida de santidade. “Por que eles são diferentes dos demais?”, era a pergunta que não queria calar no coração de outros combatentes, ao ponto de sentirem-se impulsionados a abraçar o grande ideal de santidade, que os impulsionou a ir até aquele lugar, para ver com os próprios olhos e sentir com o próprio coração aquela realidade difícil de ser explicada e compreendida: a capelinha de Schoenstatt.

Ao término da guerra, em 1919, alguns daqueles ex-combatentes, que já estavam vinculados aos grupos dos seminaristas, tomam uma grande decisão: querem continuar pertencendo ao Movimento de Schoenstatt, querem seguir esse sistema pedagógico que os conduz à santidade. Descobriram que o grande instrumento humano que estava na vanguarda do Movimento era o Pe. Kentenich. Ele foi o instrumento que Deus escolheu e formou, por meio de Maria, para ser o portador de um novo carisma na Igreja. Pe. Kentenich, como sábio pedagogo, sempre conduziu os jovens à Mãe de Deus, e Ela, por sua vez, se manifestava aos jovens por meio dos cuidados e dos ensinamentos do Pai e Fundador. Em sua pedagogia, Pe. Kentenich buscou sempre educar pessoas livres, por isso, não esteve presente na decisiva reunião, que se realizou em Hoerde e que deu início a uma nova etapa do Movimento, com a fundação da União Apostólica, até então formada somente com a Juventude Masculina.

 

Então, chegam as mulheres!

Tocadas pelo testemunho da Juventude Masculina, a partir de Hoerde e de diversos modos, elas encontram o caminho a Schoenstatt, ao Santuário e ao Pai e Fundador. Em 1920 Pe. Kentenich diz sim às mulheres interessadas no Movimento e funda, com elas, a União Apostólica Feminina, a qual foi sementeira para outros ramos femininos da Obra de Schoenstatt. Destacou-se, na primeira geração de mulheres, a condessa Gertraud Von Bullion, sua prima Maria Christmann, e mais algumas moças que, em 8 de dezembro de 1920, se consagraram à Mãe de Deus no Santuário.

“De ano para ano a União Feminina foi crescendo sempre mais em número e profundidade. A comunidade caracterizava-se por alto grau de exigências: fortes obrigações comunitárias, vinculação estreita ao ideal, fortes exigências apostólicas e santificação própria”.

Com o intenso crescimento do Movimento junto ao Santuário (sacerdotes, famílias, jovens), percebia-se a necessidade da presença feminina permanente e exclusiva ali, para transformar aquele lugar num lar acolhedor. Além disso, a presença feminina era compreendida pelo Pe. Kentenich como essencial para a construção do Reino Mariano de Schoenstatt. Ele via em cada jovem, em cada mulher uma imagem de Maria, ou, como costumava dizer: uma pequena Maria. Foi nesse contexto que um grupo de unionistas, sob a orientação do Pe. Kentenich, decidiu-se pela radicalidade na doação de suas vidas. Assim, no dia 1º de outubro de 1926, tendo a frente as professoras Emílie Engel e Anna Pries, o Pe. Kentenich funda o Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt. Muitas outras as seguiram, de modo que a comunidade das Irmãs de Maria tornou-se uma das mais numerosas.

Em 1946, Pe. Kentenich funda outro Instituto Feminino, o das Senhoras de Schoenstatt, também na forma de Instituto Secular, isto é, que busca viver a santidade da vida diária no meio do mundo. A União Apostólica Feminina, as Irmãs de Maria e as Senhoras de Schoenstatt seguem os mesmos ideais e objetivos de Schoenstatt, no entanto, os caminhos para a sua realização são específicos para cada comunidade.

Schoenstatt conta também, desde muito cedo, com outros ramos femininos, que enriquecem o Movimento e por ele são enriquecidos: a Juventude Feminina de Schoenstatt, a Liga Feminina de Schoenstatt, a União das Mães e a Liga de Mães de Schoenstatt.

 

 

Vocação e missão feminina em Schoenstatt

Com alegria e santo orgulho podemos afirmar que, em Schoenstatt, o mundo feminino faz a diferença! Na escola de nossa querida Mãe e Rainha e sob a orientação segura do Pai e Fundador muitas mulheres, dos Institutos, Uniões e das Ligas, alcançaram o cume da santidade e brilham diante de nós como exemplo de santidade, algumas delas em processo de beatificação, como Gertrud Von Bullion e Ir. M. Emilie Engel. Também a Juventude Feminina nos apresenta exemplares de santidade que, à semelhança dos heróis da primeira geração, tiveram a coragem de doar suas vidas pela missão de Schoenstatt, como a jovem chilena Bárbara Kast (24.07.1950 – 29.12.1968). Seu ideal pessoal: ser um “Tabernáculo de Deus, portadora de Cristo e Schoenstatt aos homens”. E a jovem brasileira Maria Regina Tokano (12.02.1943 – 05.07.1966). Seu ideal pessoal: “Amar pelo servir em prontidão filial”. Poderíamos citar muitas outras, como mães da Liga, que procuram viver seu grande ideal de ser Custódia Viva, portadora de Cristo.

Nosso Pai e Fundador via em cada mulher uma imagem de Maria e procurou esculpir, em cada uma delas, em cada Instituto ou ramo, o ideal de Maria. O carisma mariano que recebemos em Schoenstatt não é algo abstrato, não é apenas uma ideia linda, mas é alguém, tem um nome: Maria!

O mundo e a Igreja hoje necessitam de mulheres formadas na escola de Maria, de mulheres plenas de Deus, que sejam interiormente livres de si mesmas para servir aos demais, mulheres que vivam plenamente a sua feminilidade, cujas características principais, segundo o Pai e Fundador, são: ser filha, esposa e mãe, segundo a vocação de cada uma, seja na vida virginal consagrada ou como leiga engajada na Igreja ou então como esposa e mãe na vida matrimonial. Em qualquer estado de vida, como mulheres de Schoenstatt somos chamadas a viver a Aliança de Amor com a Mãe e Rainha, a sermos elos que unem Deus e os homens, pelo cultivo dos vínculos naturais e sobrenaturais desejados por Deus e a servir a Cristo nos membros de seu Corpo Místico.

Enquanto vivia, muitas vezes nosso Pai e Fundador disse, quando estava diante de alguma comunidade ou ramo feminino: o que seria de Schoenstatt sem as mães?! Sem a Juventude Feminina?! Sem as unionistas?! Sem as Senhoras de Schoenstatt?! Sem as Irmãs de Maria?!

Hoje, após 50 anos de sua partida para a eternidade, nosso Pai e Fundador continua contando com todos os Institutos, Uniões e Ligas, ou seja, com toda a coluna feminina da Obra de Schoenstatt. Todas somos chamadas e convocadas a ser Pequenas Marias em Schoenstatt, pequenas Marias na Igreja, pequenas Marias no mundo. Ser uma presença viva de Maria hoje é o nosso maior serviço ao mundo!

 

Fotos: El Pregonero (elpreg.org) / Schoenstatt International Communication Office 2014

 

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