Descansar é preciso: Somos mais que aquilo que produzimos

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(Foto: pixabay.com)

“Trabalhos e descanso, orações, palavras e conduta: executa tudo extraordinariamente bem, por amor, isto é, santamente… O mais conveniente é alternar com prudência o trabalho e o descanso”.  Pe. José Kentenich

Ana Paula Paiva – Vivemos um tempo alucinado. Informações extremamente rápidas chegam com demandas que não param e pouquíssimo tempo para encontrar soluções e dar retornos. Em síntese, uma época imediatista, na qual todos os problemas parecem adquirir características de prioridades e sempre parecemos estar disponíveis.

Não é incomum, por exemplo, estarmos sempre ao celular. Resolvemos questões que, em verdade, não são urgentes, mas que aparecem justamente por estarmos sempre disponíveis. Aliás, muitas vezes não “estar disponível” pode soar como uma afetação ou como uma falha de eficiência, como se nossa acurácia pudesse ser medida, estatisticamente, pelo que produzidos, e não pela pessoa que somos.

Essa concepção da realidade está equivocada

Atualmente, o número de pessoas diagnosticadas com problemas relacionados ao estresse e à estafa mental sobe drasticamente. Igualmente, problemas relacionados à falta de concentração ou à perda de memória também têm aumentado – aumentando, por consequência, o número de pessoas que usam medicação (forte, diga-se de passagem) para transtornos como déficit de atenção e hiperatividade. Ainda, não é preciso que se diga, mas a quantidade de pessoas que se sentem frustradas com suas escolhas, ou que possuem depressão e ansiedade continuam subindo para patamares alarmantes.

É preciso dar um basta na cultura do imediato

Santo Agostinho dizia, com a propriedade de sempre, que nosso coração está inquieto e que só encontrará paz quando repousar em Deus. Sim, como é lindo saber que temos um Deus de paz, de repouso, de consolo, de tranquila serenidade. E nosso coração inquieto, imediatista, que não para nunca, será que não está assim porque confia muito em si mesmo e pouco nesse grande Deus de paz?

De toda maneira, esse nosso coração é conhecido e amado por Deus e Nele podemos encontrar o descanso para nossos afazeres práticos e também para nossas batalhas espirituais. Ele é nossa força e nos renova a energia quando já estamos cansados de caminhar.

Não nos deixemos valorizar pelo que produzimos, mas sim pelo que somos no mais íntimo de nossos corações. E que descansemos quando o cansaço, natural, nos acometer, para voltar a servir com a mesma dedicação e força que não é graça própria, mas dom amoroso e gratuito do nosso Deus de paz.

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