Karen Bueno – No Movimento Apostólico de Schoenstatt, a imagem de Nossa Senhora recebe o título de Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt. É comum abreviar esse nome com a sigla MTA. Cada parte do título foi se somando ao longo do tempo diante da história e com o sopro da Divina Providência (clique para saber mais) e, desde o começo, a imagem de graças da Mãe de Deus, no Santuário Original, recebe o nome de Mãe Três Vezes Admirável.
O Pe. Rafael Fernandez explica que “MTA é a abreviatura de ‘Mater Ter Admirabilis’, Mãe Três Vezes Admirável em latim. Além disso, seu significado gramatical poderia ser ‘Mãe muito Admirável’, pois em latim o ‘ter’ é uma forma de superlativo” [1].
Admirável: seu nome preferido
A escolha do título da MTA está ligada com o chamado “paralelo Schoenstatt-Ingolstadt”.
Vejamos um fato que aconteceu muitos anos antes da fundação de Schoenstatt…
Imagem da MTA de Ingolstadt
Em 1574, o padre jesuíta Jacob Rem fundou a primeira Congregação alemã, em Dillingen, no sul do país. Ela se tornou, mais tarde, a Congregação Mariana de Ingolstadt no ano de 1595. Esse grupo se dedicava às causas de autoeducação e apostolado por meio de uma profunda devoção a Maria e, em meio aos desafios do protestantismo nascente, conseguiram garantir a vivência da fé católica na região.
O Pe. Jacob Rem cultivava grande amor a Mãe de Deus e, por isso, desejava saber qual era o título favorito de Maria na Ladainha Lauretana, com qual “nome” ela mais gostava de ser chamada. A resposta veio no dia 6 de abril de 1604, durante um momento de oração. Ao ouvir a ladainha sendo entoada, Pe. Jacob teve uma visão ligada ao título “Mater Admirabilis”, Mãe Admirável. Ele pediu, então, que se cantasse novamente a ladainha, e mais uma vez teve a visão. Esse fato aconteceu três vezes, então a imagem de Nossa Senhora nesse local (uma pintura copiada de Nossa Senhora das Neves, da Basílica de Santa Maria Maior de Roma) ficou conhecida como a Mãe Três Vezes Admirável.
Numa palestra, em Santa Maria/RS, Pe. Kentenich conta, com suas próprias palavras, essa história:
“O nome recorda um acontecimento que remonta há duzentos, trezentos anos… Foi outrora, quando o protestantismo abalava e fazia estremecer o povo alemão. Um jovem educador, em Ingolstadt, reconheceu o grande valor que o verdadeiro e profundo amor a Maria tem para a alma juvenil. Este jovem sacerdote da Ordem dos Jesuítas, Pe. Rem, tinha um grupo de jovens para educar. Um dia estava rezando na capela do seminário, diante do altar, enquanto os outros cantavam a Ladainha Lauretana. Naquele momento, de repente, foi arrebatado numa visão. Grande devoto de Maria, já tinha suplicado muitas vezes à querida Mãe de Deus que ela lhe mostrasse com qual título preferia ser invocada, que título ele devia escolher para Ela. E a resposta foi: Mater Admirabilis! Volta a si da visão justamente no momento em que o coro canta a invocação Mater Admirabilis. Pede ao solista que cante a invocação uma segunda e uma terceira vez. Dito e feito! E, desde então, a Mãe de Deus é venerada em Ingolstadt sob o título: Mater ter Admirabilis. A partir dali, esse título iniciou sua marcha de triunfo” (7 de setembro de 1947) [2].
Fazer surgir a Ingolstadt do tempo moderno
Em maio de 1915, Pe. Kentenich começou a ler com atenção a história da Congregação Mariana de Ingolstadt. Os jovens congregados de Schoenstatt logo se inflamaram pelo testemunho dos membros dessa primeira Congregação da Alemanha e desejavam também realizar atos heroicos para garantir uma genuína vivência de fé. Assim se estabelecia o Paralelo Schoenstatt-Ingolstadt, como é possível ver até hoje no Santuário Original: na moldura luminosa que envolve o quadro da Mãe e Rainha, na ponta esquerda está escrito “Ingolstadt 1914” e na ponta direita “Schoenstatt 1919”.
Essa é a origem histórica do título que dá nome à imagem da Mãe de Deus no Movimento de Schoenstatt.
Além disso…
Respondendo a pergunta feita anteriormente, certamente que a Mãe é muito mais que somente três vezes Admirável. Pe. Rafael Fernandez diz que o título recebeu uma explicação simbólica com o passar do tempo. Assim, por exemplo, ela é chamada Três Vezes Admirável como Mãe de Deus, Mãe do Redentor e Mãe dos redimidos; ou também, admirável por sua fé, por seu amor, por sua esperança, etc.
São várias as explicações que ilustram Maria como Mãe Três Vezes Admirável, recordando o fato importante de esse ser também o número simbólico da Santíssima Trindade.
Uma das explicações centrais para o título da MTA é esse: “A Mãe de Deus é venerada sob o título de Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Que significa? Como deseja manifestar, de modo singular, o seu amor materno? Três Vezes Admirável! Ela quer atuar como Mãe: Admirável como Mãe de Deus, admirável como Mãe do Salvador e também admirável como Mãe dos remidos” [3], diz o Pai e Fundador.
Vários paralelos são feitos sob esse título, por exemplo: “Inclinamo-nos diante de sua tríplice tarefa maternal no reino de Deus e bradamos de novo, com toda esperança e confiança: Mãe Três Vezes Admirável, mostra que és três vezes admirável também para conosco: admirável como Genitora, admirável como Cuidadora, admirável como Educadora da vida divina em nossas almas”[4], reza o Pe. Kentenich.
O Fundador direciona em outro momento: “Nós a designamos como Mãe Três Vezes Admirável: Admirável como corredentora ao pé da cruz, admirável como medianeira de todas as graças a partir do céu, admirável como Rainha dos céus e da terra” [5].
Ele também diz: “Maria, a Medianeira entre o céu e a terra é Três Vezes Admirável: Admirável como alegria da Igreja triunfante, Admirável como consolo da Igreja padecente, Admirável também como protetora e auxílio da Igreja militante” [6]
Todas essas referências remetem à origem histórica do título e mostram que ela é, sim, três vezes admirável, mas, ao mesmo tempo, também é infinitas vezes admirável. Nas palavras do Pai e Fundador: “Tal como sua grandeza de Mãe de Deus não tem uma medida definível, sua grandeza como Mãe da humanidade também é incomensurável, sem, no entanto, ultrapassar os limites de seu ser de criatura. Maria é criatura e permanece criatura. Embora seja uma obra prima da onipotência, sabedoria e bondade divinas, sua distância do Deus infinito permanece infinita” [7].
Referências:
[1] Livro: 150 perguntas sobre Schoenstatt, pergunta nº 14
[2] Livro: Tabor nossa missão – Col. Brasil Tabor 1. 1ª edição, janeiro de 2007, pag. 161
[3] Livro: A mais bela das Mães
[4] Livro: Maria Mãe e Educadora, p. 29
[5] Livro: Maria Mãe e Educadora, p. 80
[6] Livro: Maria Mãe e Educadora, p. 109
[7] Livro: Maria Mãe e Educadora, p. 186