
Thainá Maria Belo* – Os filhos são “a esperança do mundo”. Você já deve ter ouvido isso em algum lugar. É uma afirmação magnânima, uma responsabilidade heroica – porém, abstrata. Também é possível que você já tenha escutado que o mundo é mal e difícil demais para se ter um ou dois filhos. Disso em diante, então, estaria fora de cogitação. Talvez, você tenha concordado e, ao mesmo tempo, discordado, em certa medida com razão.
A Palavra de Deus diz que: “Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá.” (Salmo 127,3) Por isso, hoje, queremos refletir sobre a esperança de um “mundo particular”, uma semente pequena, mas capaz de dar frutos globais. Esse mundo particular é a célula primária de um organismo vivo, é a igreja doméstica, cada lar-santuário: a família. Família, cuja sacralidade é, muitas vezes, maculada por nossos pecados, dificuldades de convivência e defeitos. Por isso, precisamos falar da esperança de gerar um mundo novo, curado e mais compreensivo diante dos conflitos geracionais. Que germina a partir do exemplo dos pais e mães de família.
Os filhos são “presente de Deus”
Os filhos são “presente de Deus”. Vale refletir sobre a nossa percepção a respeito de presentes. Será que você cresceu acreditando que “presente” é algo que se pede e deve ser recebido só em datas especiais? Ou algo que nem deve ser pedido, porque a realidade não permite? A partir desses exemplos, te convido a refletir sobre a sua percepção de presente na infância e como você entende isso hoje, em relação ao presente, desejado ou não, de um(a) filho(a).
A autoanálise deve vir antes da autoeducação. Por isso, devemos refletir com as famílias que desejam viver “a esperança que não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu” (Romanos 5,5). Pense na compreensão do presente como um dom, não como um direito ou obra do acaso. É dom, porque é dado gratuitamente, ainda que desejado e pedido, não são os méritos pessoais que garantem o recebimento dessa doação. Portanto, assim acontece na vida e na família: é Deus quem, em sua sabedoria e respeito ao livre-arbítrio humano, permite ou concede a graça de uma nova vida.
Cada filho, uma nova Esperança.
Por que cada filho é a esperança de um novo mundo? Porque com ele se abre a janela da esperança de pessoas novas, capazes de construir novas relações familiares, mais saudáveis e, consequentemente, relações sociais mais pacíficas e caridosas também. No entanto, acreditar que basta ter boa intenção e disposição para ter filhos, a fim de resolver o problema da maldade humana, é uma visão romântica, desconectada da realidade desigual brasileira. Dependendo da ordem econômica, social, de saúde física e/ou emocional, cada casal terá contextos, oportunidades e possibilidades diferentes.
Portanto, tais aspectos precisam ser considerados de forma ponderada, generosa, não se resumindo a números, e responsável. Essa abordagem é expressa claramente na encíclica Humanae Vitae, na qual o Papa São Paulo VI ensina que “a paternidade responsável deve ser exercida com sabedoria e respeito às circunstâncias de cada família, considerando o bem-estar físico, econômico, psicológico e social” (Paulo VI, 1968).
O número de filhos
Algumas vezes já fui questionada sobre o número de filhos que teria. Já respondi: dez. Em outra época, quatro. E, certa vez, disse que talvez não mais de um. Essas respostas foram apenas palavras ao vento, fruto da romantização de uma noiva, da esperança de uma recém-casada, da prudência diante da perda de uma filha, e da luta para cuidar de outra, respectivamente. Além disso, por trás de cada resposta há camadas de razões e emoções que nem todos alcançarão. Por isso, nunca saberão, nem eu saberei ao certo, como será, pois o dom é dado por Deus.
No entanto, a única resposta que considero certa é que, independentemente do número de filhos que um casal tem ou terá, essa decisão não pode ser baseada na desesperança do mundo, mas na sensatez de uma consciência reta, racional, e de um coração esperançoso, que não caia nos extremos, que não precise levantar bandeiras, muito menos revelar a intimidade do desejo de seus corações, pois Aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, apenas Ele poderá realizar. (Cf. Rom 8,27)
Bibliografia:
BÍBLIA. Bíblia Ave Maria. 2. ed. São Paulo: Editora Ave Maria, 2012.
PAULO VI. Humanae Vitae: sobre a regulação da natalidade. 1968. Disponível em: https://www.vatican.va/content/paul-vi/pt/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae.html. Acesso em: 12 abr. 2025.
*Thainá é Pedagoga e Instrutora do Método de Ovulação Billings




