
Imagem de domínio público – Commons
Ir. M. Nilza P. da Silva – Naturalmente que cremos que Deus já estava presente e atuante em nossa pátria, antes da chegada dos portugueses. É pena não termos registros escritos pelos que já habitavam aqui e, por isso, não temos como resgatar essa história e fazer uma reflexão sobre ela. Por isso, partimos nossa reflexão, a partir de onde sabemos até o momento:
Os portugueses chegaram ao Brasil, sob o sinal de Cristo, não somente pela Ordem à qual pertenciam, mas também porque 22 de abril era uma quarta-feira da semana pascal e a liturgia era centrada na vitória de Cristo sobre a morte. Nesta Terra da Santa Cruz encontrada, sob a proteção de Nossa Senhora da Esperança2, após os primeiros contatos com os indígenas, os portugueses vindos nas 13 caravelas, encontraram um lugar que consideraram seguro, na praia da Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália/BA, e ali, em 26 de abril de 1500, segundo domingo pascal1, celebraram a Santa Missa, consagrando a “nova terra”, a Jesus, o Filho do Pai, ressuscitado e vitorioso. “Em sua carta ao rei Dom Manuel, o escrivão Pero Vaz de Caminha descreveu a celebração feita em um ‘altar mui bem arranjado’ e que, segundo observou, ‘foi ouvida por todos com muito prazer e devoção’.” A cruz usada na missa é preservada em Braga, Portugal.
Essa celebração, presidida pelo Frei Henrique de Coimbra, frade franciscano, simboliza o início da evangelização no país e representa um ponto de encontro entre culturas, fé e identidade nacional3. A segunda Missa é em 1º de maio, na foz do rio Mutarí, para abrir o mês mariano.
Desde o início, um pensar orgânico da fé
Desse modo, essa fase atual de nossa história se inicia em unidade com Cristo e Maria e com isso Deus nos presenteia uma grande graça e missão. Nascemos, como cristianismo, nesta nova terra, com uma fé baseada no pensar orgânico, que não separa Maria da grande missão que Deus lhe confia: A Mãe da Santa Esperança, que acompanhou a navegação e ajudou a enfrentar tempestades no mar, conduziu a Cristo na Eucaristia.
Esses fatos nos lembram essa oração do Pe. Kentenich:
“Faze que eu vos leve aos povos, para conquistá-los e lutando, diariamente arrisque a vida por vós. Vosso Reino seja vitorioso em toda parte e amplie suas fronteiras até os confins do universo.
Como sinal da Redenção, levarei aos povos a cruz e a imagem de Maria, para que jamais seja separado o que o plano de amor do Pai concebeu como unidade.” (Rumo ao Céu, 331-332)
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Há novas terras que Maria quer conquistar
A Mãe e Rainha de Schoenstatt chega ao Brasil muitos anos depois e traz consigo uma nova esperança. Em cada Santuário Filial, Santuário Lar e Santuário Peregrino (Imagem da Mãe Peregrina), Maria continua a missão de percorrer o solo de nossa pátria e conduzir os corações ao seu Filho Jesus. Já não se trata de tomar posse de terras e prender os que colocam objeções, mas, de ajudar para que cada brasileiro descubra as “terras desconhecidas” em seu próprio interior e torne-se verdadeiramente livre para amar, servir e edificar o Reino de Deus.
Sejamos nós conquistadores dessas “novas terras”, de corações filiais para a Mãe de Deus e indiquemos aos nossos compatriotas a “Arca da Aliança”, com qual todos conquistam vitórias para o Rei Eterno.
Brasil Tabor
A essa missão de, com Maria, conquistar corações para Jesus, a fim de que a eucaristia realmente nos transforme em imagens de Cristo, denominamos: Missão Tabor. Pe. Kentenich explica: “Nos decidimos pelo Ideal Tabor: A Mãe de Deus quer revelar aqui suas glórias. Sua glória consiste em fazer com que Cristo possa subir novamente ao trono” (Pe. Kentenich, 21.4.1947)
Veja mais sobre nosso Ideal Nacional: Brasil Tabor
Nota e referências
1 É importante notar que em 1500, o calendário utilizado na maior parte da Europa ainda era o calendário juliano. O calendário gregoriano, que usamos atualmente, só foi implementado em 1582.
2 Cabral era devoto de Nossa Senhora da Esperança e trouxe sua imagem
3 Cf. Vatican News




