
Ana Paula Paiva – Hoje celebramos, como Igreja, o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, o Corpus Christi. Essa solenidade foi instituída em 11 de agosto de 1264 pelo Papa Urbano IV, estendida à toda a Igreja em 1317 e é comumente comemorada na quinta-feira após a festa da Santíssima Trindade.
Celebrar o corpo de Cristo é enaltecer a presença real de Jesus na Eucaristia, como um precioso presente dado à nós por Jesus na última Ceia. Não estamos representando uma ocasião importante de sua vida encarnada, mas sim reverenciando o infinito dom de amor que Ele nos deu até o fim dos tempos. Como é possível retribuir tamanha entrega?
Como schoenstatteanos sabemos que a Aliança de amor com Maria leva sempre, e necessariamente, à Jesus. Embora sejamos conhecidos como uma Obra Mariana – e realmente somos, nosso pai fundador também nos sonhou profundamente cristocêntricos, voltando nosso caminhar na trilha da santificação para Jesus e para uma vinculação concreta e profunda à Eucaristia.
Ele disse, certa vez, que deveríamos transformar Jesus no rei de nossos corações, enfatizando que somente assim alcançaríamos uma postura de verdadeira Adoração: cumprindo, por amor, a vontade de Deus. Para ele, assim como Jesus se consumiu por amor à nós, também deveríamos querer nos consumir e nos vencer a nós mesmos, para que Deus pudesse ser nosso único Deus e nosso todo.
Exatamente por isso vivenciar o Corpus Christi é também viver nossa Aliança de Amor e vinculação à Jesus de maneira amorosa e nobre, conscientes de que Maria nos ensina como receber a Cristo em comunhão e nos preparar para uma entrega sempre mais generosa e profunda. Poderíamos nos perguntar: que posição ocupa Maria quando entramos em comunhão com Cristo? Onde Ela está?
Se o incrível mistério da comunhão dos Santos nos permite experimentar uma unidade extrema junto à toda a Igreja Triunfante, Padecente e Militante, podemos pensar que nossa comunhão nos une ao céu inteiro e experimentamos toda essa plenitude quando recebemos Jesus na Eucaristia. Além disso, se – como nosso pai fundador – vislumbramos em Maria a Medianeira de todas as graças – então podemos tê-la sempre como nossa grande Educadora, que intermedia nosso crescimento e nos ajuda a ganhar mais intimidade com Deus a cada comunhão.
Sempre me encanta pensar na Cruz da unidade. Ela tem variados sentidos e acepções, mas imaginar Maria recolhendo o sangue de Cristo no cálice da Eucaristia é compreender que em nossa querida Mãe também encontramos a guia para uma verdadeira vida eucarística e cristocêntrica: Maria se encarrega de nos trazer Jesus na encarnação e de nos levar à Ele, insistentemente, na Eucaristia. Sem nunca abandoná-Lo, mesmo no sofrimento e por toda a vida fazendo da Santa Missa e do Santíssimo Sacramento da Eucaristia o centro de nossas vidas.
Como é belo esse caminhar! E como é belo saber que jamais estaremos sozinhos: como filhos prediletos de Maria vamos ao altar de Jesus, pequenos e limitados é verdade, mas sempre conscientes do grande amor de Deus por cada um de nós. Que possamos aproveitar essa linda solenidade para agradecer à Jesus por tanto amor e fazer de nossas vidas um hino de gratidão à Jesus e Maria.




