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Suellen Figueiredo – No dia 29 de julho, a Igreja celebra a memória de Santa Marta, irmã de Maria e Lázaro, amiga de Jesus, que se coloca a serviço e é exemplo de fé prática e ativa. Sua figura nos convida a refletir sobre um tema essencial à espiritualidade do nosso tempo:
A harmonia entre ação e contemplação.
Na cena narrada por Lucas (10, 38-42), Marta está ocupada com os afazeres da casa, servindo com zelo o Mestre, enquanto Maria está sentada aos pés de Jesus, escutando-O. Marta, incomodada, pede que Jesus peça a Maria que a ajude e a resposta de Cristo é firme, mas cheia de ternura: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada com muitas coisas. No entanto, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada.” (Lc 10, 41)
Com isso, Jesus não desvaloriza o serviço ao contrário, Marta é quem O acolhe em sua casa, mas mostra a ela que a ação precisa estar ancorada na escuta e na intimidade com Ele. A contemplação precede e sustenta a missão.
Schoenstatt une Marta e Maria
Schoenstatt não é um Movimento apenas de contemplação, voltado à oração, à vida interior e à Aliança de Amor com Maria. Mas, também não é um apenas de apostolado ou de serviço ativo. É um movimento de integração, onde a oração nutre a ação, e a ação confirma a oração. Somos chamados a viver como Marta e Maria não em oposição, mas em complementaridade.
Essa visão de fé prática aparece com força nas palavras e na vida do Pe. José Kentenich, quando nos fala da santidade da vida diária, o vínculo à Deus, ao trabalho e ao próximo. Desde o início, a ascese de Schoenstatt sempre foi de oração e apostólica. A oração no Santuário nos impulsiona para a missão no mundo. A ação no cotidiano nos leva de volta ao coração do Pai.
Como Marta, servimos com generosidade: nas famílias, no trabalho, na Igreja, nos apostolados. Como Maria, cultivamos o silêncio do coração, a adoração, a escuta atenta, a fidelidade às pequenas práticas espirituais. O verdadeiro schoenstattiano é aquele que encontra Deus no cotidiano e transforma sua vida numa ponte entre o céu e a terra.
Um equilíbrio necessário
No mundo atual, marcado por gestos grandiosos (muitas vezes divulgados em redes sociais) é fácil cair no risco de uma fé só de obras, sem profundidade interior. Mas, também podemos correr o risco de se tornar uma espiritualidade intimista, sem frutos concretos no mundo. Santa Marta nos recorda que o serviço é essencial, mas não deve nos roubar da presença de Jesus, e Maria nos mostra que a contemplação é o centro vital que nos sustenta na missão.
Em seu encontro com a juventude, por ocasião do centenário de Schoenstatt, o Papa Francisco aconselhou aos jovens: “Uma Igreja que não sai é uma Igreja ‘de gente requintada’. Um movimento eclesial que não sai em missão é um movimento ‘de gente requintada’. No máximo, em vez de ir buscar ovelhas para trazer, ou ajudar a dar testemunho, se dedica ao ‘grupinho’, a pentear ovelhas. São cabeleireiros espirituais. Isso não é bom”.
Veja aqui as palavras do Papa Francisco na íntegra
A pedagogia de Schoenstatt nos educa para esse equilíbrio. O horário espiritual, o exame particular, as visitas ao Santuário, as ofertas ao Capital de Graças nos ajudam a manter a alma ancorada em Deus, mesmo em meio às correrias do mundo, e é nesse equilíbrio que nasce uma santidade madura e fecunda.
Nossos modelos, heróis no cotidiano.
Em Schoenstatt temos modelos de vida em harmonia entre fé e ação. O Pe. Kentenich falou sobre o Venerável João Luiz Pozzobon: “No trabalho do Sr. João realiza-se visivelmente o que dizia São Vicente Paloti: ‘Ela (Nossa Senhora) é a grande missionária; Ela fará milagres’. E acrescenta ainda que essa pastoral corresponde totalmente ao que Schoenstatt desde o começo quer realizar”. [1]
Reflexão:
Como estamos vivendo esse equilíbrio entre oração e ação?
Será que não estamos como Marta, agitados demais com “muitas coisas”? Ou, por outro lado, será que temos fugido do compromisso com o mundo, nos refugiando apenas na contemplação?
Que pela Aliança de Amor, possamos viver essa harmonia schoenstattiana: a ação que nasce da contemplação e a contemplação que se expressa na missão.
Bibliografia:
[1] João Luiz Pozzobon e o 31 de Maio – Pe. Victor Trevisan e Pe. Hernán Alessandri Morandé
Bíblia Sagrada




