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Flávia C. Ghelardi/Ir. M. Nilza P. da Silva – Este quarto domingo do mês de agosto é dedicado à vocação dos leigos, que tem uma grande missão dada por Deus. O Concílio Vaticano II, no documento Lumen Gentium , que trata sobre a Igreja e sua missão, descreve sobre a vocação do leigo, no Capítulo IV:
“Por leigos entendem-se aqui todos os cristãos que não são membros da sagrada Ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Batismo… Por vocação própria, compete aos leigos procurar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus. Vivem no mundo… São chamados por Deus para que, aí, exercendo o seu próprio ofício, guiados pelo espírito evangélico, colaborem para a santificação do mundo” (31).
Desde a fundação do Movimento Apostólico de Schoenstatt, inspirado pelo Espírito Santo, o Fundador, Pe. Kentenich, lhe concede uma estrutura e uma ascese laical e a missão de santificar o mundo: “É um movimento apostólico, impulsionado por uma forte consciência de missão e orientado para o compromisso evangelizador. Mais ainda, é um movimento apostólico de renovação, que quer animar eficazmente a vida da Igreja, para que esta seja alma do mundo e plasme uma nova cultura”[1]
Chamados para a missão
O livro Santidade de Todos os Dias[2] é um manual preciso de ascese, que ensina os leigos a aplicar na vida diária as verdades da fé, realizar a sua vocação e, a partir da sua realidade, ajudar na santificação do mundo.
O Papa Leão XIV recentemente falou aos representantes dos Movimentos:
“A vida cristã… se vive com os outros, em grupo, em comunidade, porque Cristo ressuscitado se faz presente entre os discípulos reunidos em seu nome... Mantenham sempre vivo entre vocês este impulso missionário: os movimentos também têm hoje um papel fundamental na evangelização. Coloquem seus talentos a serviço da missão, tanto nos lugares de primeira evangelização quanto nas paróquias e estruturas eclesiais locais, para alcançar muitos que estão distantes e, às vezes sem saber, aguardam a Palavra da vida. Mantenham sempre o Senhor Jesus no centro!”[3]
O apostolado leigo
A Lumen Gentium descreve que
“os leigos são especialmente chamados a tornarem a Igreja presente e ativa naqueles locais e circunstâncias em que só por meio deles ela pode ser o sal da terra. Deste modo, todo e qualquer leigo, pelos dons que lhe foram concedidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da missão da própria Igreja… Além deste apostolado, que diz respeito a todos os fiéis, os leigos podem ainda ser chamados, por diversos modos, a uma colaboração mais imediata no apostolado da hierarquia… e a exercer certos cargos eclesiásticos com finalidade espiritual (ex. o diaconato).” (33)
O testemunho e a ação apostólica
o apostolado do ser e do agir: Viver uma vida cristã, como testemunho. Falamos de Deus e nos esforçamos para viver como Ele nos pede. É nosso modo de ser, como nos relacionamos com os demais, que dá autenticidade ao apostolado.
Por isso o Pe. Kentenich enfatizava a importância da autoeducação, da santidade da vida diária. É fazer o ordinário extraordinariamente bem, com um fiel e fidelíssimo cumprimento do dever e uma zelosa vida de oração, como a Mãe de Deus exige de nós pela Aliança de Amor.
Testemunhas no meio do mundo
São João Paulo II, em sua carta para os leigos, ensina que “os fiéis leigos são pessoas que vivem a vida normal no mundo, estudam, trabalham, estabelecem relações amigáveis, sociais, profissionais, culturais, etc… são chamados por Deus para que aí, exercendo o seu próprio ofício, inspirados pelo espírito evangélico, concorram para a santificação do mundo a partir de dentro, como o fermento, e deste modo manifestem Cristo aos outros, antes de mais, pelo testemunho da própria vida, pela irradiação da sua fé, esperança e caridade.[4]
O Pe. Kentenich, no livro Santidade de Todos os Dias, ensina que, para ser santo no meio do mundo, precisamos ter uma vinculação sadia com Deus, uma zelosa vida de oração; uma vinculação sadia conosco mesmos, através da busca das virtudes; uma vinculação sadia com o próximo, pela doação de nós mesmos para o bem do outro e uma vinculação sadia com o trabalho e as coisas, realizar o trabalho para a maior glória de Deus e com desapego das coisas materiais, utilizando-as de acordo com a vontade de Deus.
Maria, a grande apóstola leiga
Maria Santíssima é a primeira e mais fiel apóstola leiga de Cristo. Ela é exemplo de santidade da vida diária, desde a vida simples em Nazaré, passando pelos momentos da vida pública de Jesus, até chegar ao ápice de estar em pé sob a cruz. Ela assume a grande missão de ser Mãe e Rainha dos cristãos e cuida de cada um de nós, com amor, nos inspirando a sermos imitadores de Jesus.
Na Aliança de Amor nos comprometemos a sermos fiéis às exigências dela, que incluem uma busca constante da santidade, e sabemos que ela é sempre fiel às suas promessas de nos transformar e nos enviar como instrumentos para a renovação do mundo.
Assim, cada um de nós pode viver o chamado à santidade, sendo verdadeiro apóstolo leigo, ajudando toda a Igreja, da qual fazemos parte, na missão de evangelizar todos os povos, atraindo todos os corações para Jesus.
[1] Livro: Instrumentos Livres nas Mãos de Deus
[2] Santidade de Todos os Dias – Espiritualidade Laical de Schoenstatt. Pe. José Kentenich – Ir. M. Annette Nailis.
[3] https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2025-06/leao-xiv-movimentos-unidade-missao-carisma-fermento-mundo-igreja.html
[4] Chirstifideles Laici nº 15




