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Pe. Nicolás Schwizer – A Liturgia não costuma celebrar o nascimento terreno dos santos – a única exceção é São João Batista. Por outro lado, celebra o dia da morte, dia do nascimento para o céu. Entretanto, quando se trata da Santíssima Virgem, aparece claramente o paralelismo entre Ela e seu Filho Jesus Cristo. A Igreja celebra os dois com festas próprias, sua concepção, seu nascimento e a volta à Casa do Pai.
Temos que ver a Natividade de Maria no contexto do pecado original. Naquele momento. Deus prometeu a chegada de uma Mulher, contrapondo-se à serpente tentadora: “Ponho inimizade entre ti e a mulher, entre tua descendência e a dela: ela ferirá tua cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gn 3,15). Quando Maria nasceu, começou a cumprir-se essa promessa, porque Ela é a Virgem Mãe que dá à luz um Filho que será o Salvador do mundo. Porque Ela é a Colaboradora d’Aquele que conseguirá a vitória definitiva sobre a serpente infernal. Por isso, Maria é a nova Eva, ou seja, a Mãe da vida e Mãe de todos os viventes.
Assim, com o nascimento de Maria, teve início a plenitude dos tempos. Dessa forma, Deus dava ao mundo a garantia concreta de que a salvação já estava próxima. Como na hora da Anunciação, a vida de Maria muda, muda também a história do mundo. Deus lhe pede para ser Mãe de seu Filho; naquele momento, nasceu seu primeiro amor, o grande amor de sua vida, o amor a seu Filho Jesus Cristo. Decidida e alegremente, aceita sua nova missão, dizendo seu “Fiat. Faça-se segundo tua palavra”.
Ela, como mulher, é mãe e virgem. Isso vale para toda mulher, independentemente de seu estado de vida. Também a mulher casada deve ser não apenas mãe, mas também virgem. Maternidade e virgindade se condicionam com a fecundidade plena da alma feminina; por isso, uma autêntica mulher e mãe deve cultivar ambos os princípios.
Por tudo isso, a Natividade de Maria é um convite à profunda alegria. Toda a criação se alegra e fica feliz com o nascimento de Maria. No decorrer dos séculos, os cristãos têm expressado com muito simbolismo e criatividade seu júbilo e regozijo. Se Jesus Cristo é a luz e o sol da justiça, então Maria é:
• A aurora e a estrela que anuncia o sol,
• O seio da encarnação divina.
• O prelúdio e a esperança da salvação,
• A porta virginal por meio da qual Deus fez sua entrada na terra.
Porém, não apenas a criação se alegra com a festa da Natividade de Maria. Nem somos capazes de imaginar o quanto o próprio Deus se alegra com o nascimento de Maria. Ali está a nova criatura do paraíso, a nova Eva tal como Deus havia pensado em seu projeto original da criação. Ela é a culminação, a coroa de todo o criado, a obra mestra do Pai:
• A Virgem mais bela e mais pura,
• A Filha mais amada e mais ansiada,
• A Mãe mais amorosa e mais santa.
Maria terá em sua vida o carisma especial para nos aproximar de Deus Pai, para abrir Seu coração. Em toda família, é a mãe quem ajuda seus filhos a conhecerem seu pai; o mesmo acontece com a Família de Deus: Maria nos concede uma especial sensibilidade de filhos, que nos permite descobrir o verdadeiro rosto do Pai, tal como resplandece em Jesus, o Bom Pastor.
Alegremo-nos todos, unidos com Deus e com toda a criação neste dia de júbilo e festa, neste dia em que recordamos o nascimento de Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe!




