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Ir. M. Nilza P. da Silva – Hoje, 19 de outubro, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa Leão XIV preside a cerimônia de canonização de Bartolo Longo, o santo que Deus usou para inspirar o Pe. José Kentenich para a Aliança de Amor, a fundação da Obra Internacional de Schoenstatt.
Bartolomeu Longo (1841-1926) foi um advogado italiano que, em sua juventude, abandonou o catolicismo e tornou-se um líder espírita e anticlerical. Após se reconverter à fé católica, dedicou sua vida à reza do Rosário. Em 1876, fundou o Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, na cidade de Pompéia/Itália, e se tornou um apóstolo da devoção mariana. Ele foi beatificado em 1980 e hoje seu nome entra no Canon Romano, é reconhecido como santo.
Sua influência em Schoenstatt
Em julho de 1914, quando Bartolo Longo ainda vivia, tinha então, 73 anos, sem que ele soubesse, Deus o usou para o surgimento de mais um Santuário, o da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Pe. Kentenich nos conta:
“Em agosto de 1914 iniciou a Primeira Guerra Mundial. Para nós, a guerra foi rica em manifestações da vontade de Deus, rica em revelações dos seus misteriosos planos… No início, houve dois acontecimentos que não tiveram que ver diretamente com a guerra, mas a sua mensagem claríssima ajudou-nos a compreender e a responder aos sinais que a guerra nos dava. Trata-se de dois textos aparentemente nada especiais.
O primeiro era um breve artigo publicado no jornal Allgemeine Rundschau, escrito pelo Pe. Cyprian Fröhlich, que relata a história da fundação do famoso lugar de peregrinação no vale de Pompeia, na Itália. Ali, junto às ruínas da antiga cidade pagã, Bartolo Longo fundou duas grandes instituições para meninas órfãs e filhos de presidiários, assim como um lugar de peregrinação.
O autor do artigo perguntava: ‘Como surgiu tudo isto? É simplesmente um milagre. Mesmo que Nossa Senhora de Pompeia não tivesse realizado ali grandes milagres, o maior milagre é que um advogado desconhecido pode fundar, na Itália moderna, depois de 1871, um lugar de peregrinação sobre as ruínas de uma cidade pagã’.”
Leia aqui o artigo que Pe. Kentenich leu

Capa da Revista que Pe. Kentenich leu
Interpretação do Pe. Kentenich
Ele continua: “Quando a fé na Divina Providência se torna uma segunda natureza para nós, vemos em todo o lado pequenos mensageiros e mensagens de Deus… Em sentido figurativo, a cena da Anunciação repete-se incontáveis vezes e espera-se que reflitamos, como fazia Nossa Senhora no seu quarto de Nazaré. Ela interrogava-se sobre o significado daquela saudação e perguntava: ‘Como é isso possível?’. Em seguida, deu um ‘sim’ de todo o seu coração…
Nesse caso (na sua leitura do artigo), aconteceu o mesmo. Logo surgiu em mim a pergunta: Não poderia estar no plano de Deus motivar Nossa Senhora para se estabelecer assim como em Pompeia? Estabelecer-se aqui, na Capelinha de São Miguel… até então, um depósito de velhas ferramentas de jardim, não tanto para realizar milagres no mundo natural, mas, antes, para realizar milagres na ordem sobrenatural: milagres de transformação, de encontro, com muita fecundidade, com um lar espiritual.
Ela é a grande missionária
Pallotti tinha imaginado desse modo a atividade de Nossa Senhora, quando disse: ‘Ela é a grande missionária; ela fará milagres’. Portanto, Nossa Senhora é a grande educadora do povo, a fundadora e líder de um movimento apostólico de renovação e educação e, nessa tarefa, poderia utilizar Schoenstatt e todos os filhos de Schoenstatt como seus instrumentos…
Segundo aquilo que entendíamos ser o novo plano de Deus, Nossa Senhora devia passar a ser o ponto central, como colaboradora permanente do Senhor na obra de salvação, assim como nossa educadora. Como condição para desenvolver a sua atividade em Schoenstatt, Ela exigiu e inspirou o trabalho de autoeducação, começado e coroado com sua sábia atuação pedagógica.
Séria autoeducação e apostolado
Essa ideia foi apresentada aos jovens, a 18 de outubro de 1914, na capela que, entretanto, tinha sido devidamente reformada. As palavras ditas naquele dia são hoje conhecidas como Documento de Fundação. O dia 18 de outubro é considerado o dia da fundação e o dia 18 de cada mês é celebrado neste sentido em todos os lugares do mundo onde Schoenstatt criou raízes…
No Documento de Fundação fala-se sobre os milagres da graça e os tesouros que Nossa Senhora quer distribuir aqui. O que diz tem a forma de uma Aliança de Amor:
‘Ego me diligentes diligo… Provai primeiro que me amais realmente, que levais a sério o vosso propósito… Então estabelecer-me-ei de bom grado entre vós e distribuirei abundantes dons e graças… então, daqui atrairei a mim os corações juvenis, e passarei a educá-los como instrumentos aptos nas minhas mãos’.
A nossa séria auto santificação e o apostolado deveriam ser as provas da autenticidade do nosso amor.
‘Exijo esta santificação de vós. Ela é a armadura com que deveis revestir-vos, a espada com a qual deveis lutar pelos vossos desejos. Trazei-me diligentemente contribuições para o Capital de Graças: conquistai muitos méritos pelo fiel e fidelíssimo cumprimento do dever e de uma zelosa vida de oração e colocai-os à minha disposição’
Os jovens assumiram esse plano com entusiasmo. Gradualmente, esse entusiasmo penetrou a sua vida espiritual, até à raiz das suas almas, e se tornou a grande força que tirou Schoenstatt da escuridão para a luz, atraindo para a sua esfera de influência círculos cada vez mais amplos de pessoas.”[1]
O exemplo de Bartolo Longo no Documento de Fundação
Pe. Kentenich indica que podemos encontrar a relação com Bartolo Longo na sua conferência em 18 de outubro de 1914, o Documento de Fundação, quando ele diz aos jovens:
“Quantas vezes, na história mundial, as coisas pequenas e insignificantes foram fonte de coisas grandes e das coisas maiores? Por que não poderia acontecer o mesmo no nosso caso?”
Numa conferência para as Irmãs de Maria, aqui no Brasil, em 18 de agosto de 1949, o Pai e Fundador também comenta sobre essa inspiração em Bartolo Longo: “Sempre deixei que o bom Deus me mostrasse pela situação o que eu devia fazer concretamente… Ainda sabem como cheguei à (ideia) da Capelinha? Um dia, folheei uma revista… foi uma condução singular… A Fé na Providencia tornou-se para mim uma verdadeira cosmovisão… a marca original de nossa Família é acreditar que Deus nos fala por meio das circunstâncias… sem ousadia na fé não é possível. É um tipo de fé muito rara no mundo.
Naquelas alturas, milhares de pessoas leram a revista sobre o lugar de peregrinação de Pompéia. Mas, quando chegou nas minhas mãos, pensei se não seria possível fazer o mesmo ali. Deus fala por meio das circunstancias…”[2]
Agradecemos a Deus que usou São Bartolo Longo para inspirar ao Pe. Kentenich e a ele que soube ler os desejos de Deus, pelo exemplo desse santo sacerdote italiano, que ainda vivia. Ambos intercedam a Deus para que também nós aprendamos a encontrar e interpretar as mensagens de Deus, que inspiremos outros e nos deixemos inspirar por eles, como causas segundas, pelas quais Deus revela seus planos.
[1] Locher, Pe. Peter, Niehaus, Pe. Jonathan…, Schoenstatt Reader V1: Encontrar o Pai, Ed Lucerna, 2008
[2] Kentenich. Pe. José. Retiro da Filialidade Heróica – Santa Maria/RS




