
(Foto de Anastasia Petrova na Unsplash)
Larissa Rodrigues – Você sabia que hoje, dia 30 de janeiro, é o Dia da Saudade? Uma data que nos convida a olhar para além da simples ausência e a mergulhar no significado profundo desse sentimento em nossa caminhada. A saudade não é um vazio improdutivo, mas a marca de nascença da alma que reconhece sua origem divina. No cotidiano, esse anseio atua como uma bússola para o que é superior, revelando que fomos feitos para algo que o mundo não pode esgotar. O próprio Santo Agostinho descreve essa condição humana com precisão ao afirmar que “Criastes-nos para Vós e o nosso coração não sossega enquanto não repousar em Vós” [1]. Essa inquietude fundamental é a prova de que a nossa sede de plenitude nos impele para o absoluto, transformando a saudade em um motor constante para a busca da santidade.
Um abrigo na esperança
A saudade cristã encontra seu abrigo na certeza da promessa divina. Ela não olha apenas para o passado, mas para o que nos espera na eternidade. O Papa Bento XVI detalha esse anseio como a essência da esperança que sustenta a vida, pois, como ele ensina, “o homem tem em si uma sede de infinito, uma saudade de eternidade, uma busca de beleza, um desejo de amor, uma necessidade de luz e de verdade, que o impelem rumo ao Absoluto” [2]. Ter esse abrigo espiritual permite que as dificuldades do presente sejam lidas sob a ótica da vitória final, transformando o “sentir falta” em uma força que nos projeta para o encontro definitivo com o Pai.
O diálogo que alimenta o anseio
Cultivar essa saudade exige transformar o sentimento em oração, que é o exercício diário de sintonizar o coração com a eternidade. A oração funciona como o combustível que impede que o nosso desejo de Deus se apague em meio às distrações. Bento XVI reforça que a oração é o lugar onde a saudade de Deus se torna consciência e encontro, abrindo o coração para a plenitude divina [2]. No contexto do novo lema da Família de Schoenstatt, no Brasil, estar “Em diálogo com a vida” significa também manter esse diálogo aberto com Deus, permitindo que a nossa fé prática na Divina Providência transforme a saudade em uma presença transformadora no agora.
Santidade: A saudade em movimento
Para o Pe. José Kentenich, a saudade é uma força pedagógica que nos educa para o Alto. Ele vê no anseio pelos vínculos profundos um caminho para a santidade prática e cotidiana, defendendo que “Deus nos deu um coração capaz de amar para que, por meio do amor às criaturas, aprendêssemos a ter saudade do Criador” [3]. Esse sentimento se traduz na atitude firme de encarar os desafios do tempo atual com escuta e empatia. A saudade de Deus nos tira do isolamento e nos coloca a serviço da vida onde ela mais clama, unindo o nosso desejo do Céu com a nossa responsabilidade na Terra.
O heroísmo do agora
Viver a saudade como motivação para a santidade exige o heroísmo de ser fiel no hoje. O Papa Francisco descreve este sentimento como uma força de ruptura ao afirmar que “a nostalgia de Deus tira-nos para fora dos nossos recintos deterministas, que nos induzem a pensar que nada pode mudar. A nostalgia de Deus é a disposição que rompe com inertes conformismos, impelindo a empenhar-nos na mudança que anelamos e precisamos” [4]. Inspirados pelo exemplo do Venerável João Luiz Pozzobon, somos chamados a um coração disposto para toda a luta, coerência e perseverança [5]. Conhecemos a saudade que Pozzobon tinha, desde a infância, que o levou ao encontro de Schoenstatt e disso nasceu a Campanha da Mãe Peregrina. “Herói hoje” é a atitude de quem usa a saudade como combustível para o diálogo com a vida, assumindo o risco de amar e servir com o heroísmo de quem sabe que cada gesto no hoje é um passo rumo à eternidade.
Referências:
[1] Santo Agostinho, Confissões, Livro I.
[2] Papa Bento XVI, Audiência de 11/05/2011
[3] Pe. José Kentenich, Santidade de Todos os Dias.
[4] Papa Francisco, Homilia na Epifania do Senhor, 06/01/2017
[5] Carta da Central Nacional dos Assessores, Lema da Família de Schoenstatt no Brasil.




