
Brasileiros na Cruzada de Maria
Luis Felipe Sardeto / Larissa Rodrigues – Ainda antes das 4 horas da manhã, do dia 16 de janeiro, 130 jovens iniciam uma exigente peregrinação pela Cordilheira dos Andes. O grupo parte de Mendoza, na Argentina, com destino ao Santuário de Schoenstatt em Bellavista, Santiago, Chile.
A travessia, que supera os 440 quilômetros, reúne jovens da Argentina, Brasil, Paraguai e México. Entre eles, estão 23 brasileiros.
A Cruzada de Maria acontece a cada três ou quatro anos e se tornou uma referência para a Juventude Masculina de Schoenstatt (Jumas). Começa no início do ano 2000, a peregrinação marca gerações e é uma referência para o Jumas. Para muitos jovens, acompanhar a participação de dirigentes e amigos mais velhos na Cruzada se torna também um estímulo para aceitar o desafio e percorrer o mesmo caminho.
Comunidade que caminha unida
Mais do que o desafio físico, a peregrinação destaca o valor de caminhar em comunidade e partilhar o esforço diário. O percurso exige resistência, diante das longas distâncias, das subidas da Cordilheira e das mudanças de clima ao longo dos 16 dias.
Os participantes enfrentam dores nas pernas, bolhas nos pés e cansaço acumulado. Ao mesmo tempo, encontram nas paisagens e na convivência fraterna um apoio constante. O trajeto revela montanhas, vales e estradas que marcam profundamente a experiência.
Em várias cidades, a acolhida da Família de Schoenstatt reforça o sentido de pertença e unidade. A chegada a Santiago também é vivida com intensidade. Ao atravessar as ruas da cidade, rumo ao Santuário de Schoenstatt de Bellavista, os jovens encontram pessoas que perguntam de onde vêm e se surpreendem ao saber que a caminhada começou em Mendoza, na Argentina. O momento da chegada expressa a consciência de missão cumprida, construída passo a passo.
Fé celebrada no caminho
Todos os dias da peregrinação há Santa Missa, celebrada em diferentes pontos do trajeto, muitas vezes, em meio à natureza. As celebrações se tornam o centro espiritual da caminhada e renovam as forças do grupo.
A Santa Missa de encerramento, já em Santiago, é presidida pelo Pe. Pablo Mori. Na homilia, ele recapitula todos os dias da cruzada, recorda cada local percorrido e as experiências vividas pelo grupo ao longo do caminho.
Loucura de amor
Matheus Lopes, do Jaraguá, São Paulo/SP, define a experiência como uma “loucura de amor”. Ele explica: “São mais de 440 km de subidas e descidas, onde percebemos o reflexo de Cristo no mundo, seja em uma conversa, seja em uma paisagem.” Para ele, “participar da Cruzada é uma profunda experiência espiritual que nos retira da monotonia do cotidiano”. E acrescenta: “Com a intercessão de Maria, que nos sustenta desde o primeiro passo, descobrimos que podemos ir longe. Mesmo diante de bolhas, calos, assaduras e dores, percebemos que Deus não nos dá fardos maiores do que podemos carregar.”
Perseverança até o fim
Lucas F. Fuin, de Cornélio Procópio/PR, recorda o desejo antigo de participar da Cruzada: “Desde que entrei no Movimento, falavam das experiências da Cruzada de Maria, sobre como Deus transformava quem ia e como a Mãezinha cuidava de quem caminhava. Participar desse evento se tornou um sonho na minha vida.” O convite chegou no final de 2025. “Desde então, foram várias ofertas ao Capital de Graças, renúncias, treinos físicos, Santas Missas e terços, tudo isso para me preparar espiritual e fisicamente.”
Durante o percurso, as dificuldades físicas se intensificaram. “Tive muitas limitações físicas, desde dores imensas no joelho, canelites, tornozelos inchados.” No 11º dia, a situação se agrava: “pensei seriamente em desistir.” Sobre um momento de parada, ele relata: “Consegui experimentar todo cuidado e amor da Mãe. Senti Ela caminhando ao meu lado.” Mesmo com dor, ele seguiu. “Caminhei os outros 23 km faltantes, com muita dor, mas consegui.” E destaca o que o sustentou: “O que me deu forças para completar meu sonho foram as Santas Missas e Adorações diárias. Em cada celebração, eu podia descansar e confiar tudo nas mãos de Deus.”
Ao chegar em Santiago, Lucas revisita toda a experiência. “Vi tudo passar como um filme, todas minhas dores, choros, Capital (de Graças), medos e inseguranças.” E conclui: “Aprendi que Deus nunca abandona quem n’Ele confia. Sou extremamente agradecido por ter sido um Cruzado e um peregrino dos Andes. Eu consegui realizar meu sonho.”
A Cruzada de Maria reafirma, a cada edição, o valor de caminhar em comunidade, partilhar esforços e confiar na intercessão da Mãe e Rainha, para chegar ao Santuário.




