Larissa Rodrigues – O novo superior geral dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt, Pe. Marcelo Cervi, nos fala sobre os novos horizontes de seu Instituto.
O que significa, para o senhor, assumir a missão de Superior Geral do Instituto Secular dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt?
Significa, antes de tudo, um convite à confiança na Providência Divina e ao serviço generoso à Comunidade e ao Movimento Apostólico de Schoenstatt. Parece-me um chamado, um envio. Sinto-me pequeno diante da tarefa, mas sustentado pela certeza de que a obra não é nossa, é de Deus e da Mãe de Deus. Também me sinto muito apoiado pela comunidade, que me chamou a este serviço. Vejo este novo encargo como um ministério em favor da unidade, da escuta e do cuidado pela fidelidade ao carisma que recebemos.
Hoje são três brasileiros com a tarefa de superiores gerais em Schoenstatt: Pe. Alexandre Awi Melo, como Superior dos Padres de Schoenstatt, o senhor, como Superior de seu Instituto, e a Sra. Geni Hoss, como Superiora da União Feminina de Schoenstatt. Como o senhor vê esse fato?
Antes de tudo, vejo como um sinal de confiança da Mãe de Deus para com o Brasil. É como se Ela tivesse olhado com particular bondade para a nossa terra e chamado alguns de seus filhos a um serviço mais amplo na Família internacional. Levamos conosco a identidade, a originalidade e a profunda religiosidade do nosso povo. Fomos formados pelo Movimento Apostólico de Schoenstatt, no Brasil, num contexto marcado por vitalidade apostólica, calor humano, proximidade com o povo e grande amor à Igreja. Isso certamente marca também o nosso modo de servir. Além disso, não estamos sozinhos. Há muitos outros brasileiros vivendo e trabalhando em Schoenstatt: Irmãs de Maria, leigos engajados nos diversos ramos, famílias e jovens que oferecem sua contribuição. Podemos compreender tudo isso também à luz daquilo que o José Kentenich chamava de “corrente de retorno”. No passado, o Brasil recebeu tantos missionários alemães que aqui plantaram e cultivaram a obra. Hoje, em certo sentido, somos nós que podemos oferecer nossa contribuição à Igreja e à Família internacional, devolvendo com gratidão aquilo que um dia recebemos.
Depois de servir como Conselheiro Geral e de viver em Roma, o que o senhor traz como aprendizado para esta nova etapa de seu Instituto?
Creio que a experiência em Roma ampliou bastante meu horizonte eclesial. Ali aprendi ainda mais que a Igreja é universal, concreta, multicultural e, ao mesmo tempo, una e animada pelo Espírito Santo. Levo comigo a importância do diálogo, da compreensão da universalidade da missão, da comunhão com a Igreja e da responsabilidade institucional. Também aprendi a importância de se respeitar as originalidades e as diferenças culturais e de viver em permanente espírito de acolhida paterna, à semelhança do Pe. Jose Kentenich. Outro aprendizado forte de Roma foi a sinodalidade, que as decisões precisam ser tomadas a partir da escuta, com serenidade, coragem e espírito sobrenatural.
Seu Instituto está presente em diferentes continentes e culturas. Como manter a unidade carismática e o espírito de Família em meio a realidades tão diversas?
A unidade não nasce da uniformidade, mas da vinculação. Nosso centro comum é o carisma de Schoenstatt, a Aliança de Amor com Maria e a missão de formar sacerdotes com forte identidade diocesana e profunda espiritualidade de comunhão, que aceitem ser os “ombros nos quais repousa todo o Movimento”, como dizia Pe. Kentenich. Se permanecermos vinculados à nossa origem e entre nós, poderemos viver a legítima diversidade cultural, sem perder a identidade. A escuta recíproca é decisiva, bem como um profundo e claro conhecimento da “essência e missão” da comunidade.
Como o lema da Família de Schoenstatt no Brasil, “Em diálogo com a vida, herói hoje”, pode orientar seu trabalho neste tempo?
Esse lema é extremamente atual. “Em diálogo com a vida” significa não fugir da realidade, mas escutá-la à luz da fé. “Herói hoje” recorda que a santidade se vive no concreto do cotidiano, nas pequenas e grandes fidelidades. Para nós, presbíteros, é um convite a assumir com coragem os desafios pastorais, culturais e espirituais do nosso tempo, com criatividade apostólica e profunda vida interior.
O que significa viver esse chamado a ser “herói hoje” como sacerdote diocesano e membro do Instituto?
Significa viver com coerência e alegria a própria vocação. O heroísmo não está em feitos extraordinários, mas na fidelidade silenciosa, na obediência à Igreja, na dedicação pastoral, na vida de oração e na comunhão fraterna. Significa também ser promotor de unidade no presbitério, “vestir a camisa” da Diocese, oferecer-se para o serviço, em diálogo claro e espírito de obediência ao Bispo. É viver a “paternidade espiritual” segundo a espiritualidade de Schoenstatt, acolhendo e orientando o povo, especialmente onde há fragilidade, dúvida e sofrimento.
Que palavras o senhor dirige aos membros do seu Instituto e à Família de Schoenstatt no Brasil?
Estou muito feliz porque a eleição acontece justamente no ano em que celebramos os 25 anos do início da pequena Família de Schoenstatt, na Diocese de Jaboticabal, que nasceu quando a Mãe de Deus se serviu de mim como instrumento para levar Schoenstatt para a minha diocese natal. Para mim, é um forte sinal da Mãe. Assim, minha palavra é de gratidão e confiança. Gratidão pela fidelidade ao carisma, pelo apoio, pelas orações. De confiança, porque sei que a Mãe de Deus continua conduzindo nossa história. Caminhemos unidos, com um coração que sabe escutar, atentos aos sinais de Deus, na vida concreta. Unidos, poderemos servir melhor à Igreja e ao mundo. Estarei em Schoenstatt nos próximos anos e, certamente, os brasileiros que passarem por aqui podem contar com meu apoio.
Rezemos pelo Pe. Marcelo e todos os brasileiros que servem a Obra Internacional. Fiéis ao carisma do Pe. José Kentenich, cada um em sua missão, oferecemos à Igreja e nosso testemunho de diálogo com a vida, com a coragem de ser heróis hoje.




