Entre a sombra da infidelidade e a luz da Aliança

(Imagem: Alberto Otero Herranz | Direitos de autor: ©Museo del Prado 2012)

Mariana Moutta – O Evangelho de hoje (Mt 26, 14-25) nos conduz ao Cenáculo, onde o amor de Cristo se revela em sua forma mais profunda – e, ao mesmo tempo, mais ferida. À mesa, lugar de comunhão e intimidade, surge a dor da traição. Judas, um dos Doze, decide entregar o Mestre. E, no entanto, Jesus permanece.

Essa cena nos desconcerta. Como pode alguém tão próximo se afastar tanto? Judas caminhou com Jesus, partilhou da Sua vida, escutou Sua voz – mas permitiu que outras vozes falassem mais alto em seu coração. Assim também acontece conosco: a infidelidade não nasce de um momento isolado, mas de um processo silencioso, em que pequenas escolhas vão enfraquecendo a vida de Aliança.

“Mestre, serei eu?”

Diante disso, o Evangelho nos convida a uma pergunta sincera: “Senhor, serei eu?” Não é uma pergunta de desespero, mas de vigilância amorosa. Quem ama, cuida. Quem deseja ser fiel, reconhece sua própria fragilidade e se coloca nas mãos de Deus. Jesus, porém, não rompe. Ele não abandona a mesa, não retira Seu amor, não deixa de se entregar. Mesmo diante da traição, Ele continua sendo Amor. Aqui está o grande mistério: a fidelidade de Deus não depende da nossa. Seu amor permanece, sustenta, espera e transforma.

Fidelidade na vida diária 

Na espiritualidade de Schoenstatt, encontramos um caminho concreto para viver essa realidade: a Aliança de Amor com Maria. Nela, aprendemos que a fidelidade não é fruto da nossa força, mas de uma entrega diária, humilde e confiante. Cada pequena renúncia, cada esforço sincero, cada queda transformada em recomeço – tudo pode ser oferecido ao Capital de GraçasComo nos recorda o Pe. José Kentenich: “Não basta amar muito; é preciso provar esse amor na fidelidade do dia a dia.” 

Hoje, somos convidados a renovar nossa decisão de amar. Não um amor idealizado, mas concreto, fiel, perseverante. Um amor que permanece mesmo quando custa, mesmo quando dói, mesmo quando não há certezas. Que, unidos à Mãe e Rainha, possamos escolher a luz da Aliança, mesmo quando as sombras se aproximam. E que, sustentados por sua educação materna, aprendamos a ser corações firmes, capazes de permanecer com Cristo até o fim.

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