
Imagem de Airgil Daviss por Pixabay
14ª Semana do Tempo Comum | Domingo
Evangelho Marcos 6, 1-6
No Evangelho de hoje, vemos que Jesus realizou milagres nas cidades vizinhas de Nazaré. Mas, ali ele não pôde fazer milagres porque lhes faltava fé. Em sua própria terra, Jesus não é amado e não acreditam Nele, nem no Seu poder. Eles certamente esperavam mais dele. Eles tinham expectativas que não foram atendidas.
Isso acontece também comigo e com as pessoas mais próximas de mim. É difícil para mim acreditar na sua santidade porque os vejo muito de perto. E se vejo que fazem milagres para outros, me incomoda que não sejam tão milagrosos comigo. Fazem boas obras lá fora e não as fazem para mim. Talvez esperassem mais Dele. Eles acreditavam que ali, em sua casa, em Nazaré, Ele curaria os enfermos, ressuscitaria os mortos e traria justiça à terra. Eles não fizeram isso porque lhes faltava fé. Na verdade, é porque Jesus foi um deles. Ele nasceu ali, naquela terra que eles conheciam tão bem.
Seu pai e sua mãe eram conhecidos, uma família normal e simples, ele era o filho do carpinteiro. Tudo era muito cotidiano, eles eram parentes. Eles não têm fé. Eles não acreditam que este homem, por mais humano que seja, é Filho de Deus. Ninguém saberia de onde viria o Messias, mas, todos sabiam de onde Jesus veio. Ele era um homem entre os homens. A fama dele os incomoda.
Ninguém é profeta em sua própria terra
Essa frase está carregada de verdade. Eles pararam na humanidade de Jesus e não viram mais nada além disso. Algo semelhante não acontece comigo em relação as pessoas? Às vezes, a fama delas coloca uma barreira entre o meu olhar e a verdade. Vejo o que dizem sobre elas e tento me encaixar. Claro, digo, quando vejo comportamentos condizentes com o que as pessoas falam. Sim, mas, ele é também fofoqueiro, egoísta, muito falador, ou não faz nada. O rótulo que deram para ele é o que pesa sobre mim. Dou mais valor a isso do que àquilo que vejo de bom nas pessoas. Se um dia ela agir diferente penso que é um ato de exceção ou que o que estou vendo o que não é real.
O preconceito é um tecido que não me deixa ver a realidade como ela é. Vejo o pecado e me lembro da dor que o comportamento daquela pessoa me causou, não importa quando foi. Essa lembrança escurece o meu olhar e tudo o que há de bom nessa pessoa não entra mais nos meus olhos. Isso acontece também com os preconceitos positivos. Se eu pensar bem de alguém, não importa o que ela faça, isso não mudará a minha maneira de vê-lo. Os preconceitos, sejam eles negativos ou positivos, superam a realidade.
Eu permaneço naquilo que vejo
É real o ditado: “Não se vê a floresta por causa das árvores.” Concentro-me nos detalhes ou fico em algo que a pessoa disse ou fez um dia, e não saio de lá. Não vejo a vida inteira da pessoa, mas, só aquele momento isolado, aquele detalhe que pode ou não ser importante. Fico na superfície da realidade e não vou mais a fundo. Minha visão fica turva por aquela questão específica que me parece decisiva.
Vamos olhar para as pessoas além do que elas parecem ou da imagem que os outros me transmitiram. Às vezes, a impressão guardada na alma é tão forte que não consigo enxergar além dela. Gostaria de ter a liberdade de acreditar que meu irmão pode mudar e ser melhor do que vi ou do que ele é agora.
Da mesma forma, corremos o risco de rotular Deus. Ele é o milagreiro ou é aquele Deus ausente da minha vida, que não muda a realidade que tenho que sofrer e nem escuta meus pedidos de ajuda. Eu classifico Deus e exijo que Ele aja de acordo com a imagem que tenho Dele. Na verdade, não O amo, apenas tenho expectativas. Talvez seja por isso que quando as coisas não acontecem como eu esperava ou os milagres que eu queria não acontecem, fico com raiva de Deus e me afasto Dele, perco a fé. Foi assim que seus parentes e conhecidos de Nazaré quiseram jogá-lo de uma montanha e depois deixá-lo sair de sua cidade. Eles não acreditaram Nele, nem na Sua missão, nem no Seu caminho.
O Evangelho de hoje nos convida a olhar Jesus na sua verdade, na sua profundidade, sem preconceitos. Acreditar Nele, mesmo quando muitos milagres não acontecem ou pelo menos aqueles milagres que imploro insistentemente.
Peçamos a Maria que, a partir do Santuário nos ajude a transformar o modo de olhar para as pessoas, a fim de que não haja barreiras entre o meu olhar e a realidade que tenho que viver. Deus está presente em cada pessoa e atua como Ele quer e não como eu desejo.
Cfr. Homilias diárias, Pe. Carlos Padilla



