
Flávia C. Ghelardi* – Seguimos o estudo sobre o sacramento da Confissão conhecendo os seus efeitos e quem pode ministrar esse sacramento.
O poder das chaves
Durante sua vida pública, Jesus várias vezes perdoou os pecados e reintegrou o pecador no convívio da sociedade, mostrando sua autoridade divina. Jesus quis conferir aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados quando disse: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, lhes serão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, lhes serão retidos” (Jo 20,23)
Além de perdoar os pecados, o Senhor também confere aos apóstolos o poder de reconciliar o pecador com a Igreja, quando afirma a Pedro: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus, o que ligares na terra será ligado nos céus, o que desligares na terra, será desligado nos céus” (Mt 16,19)
“As palavras ligar e desligar significam: aquele que excluirdes da vossa comunhão, será excluído da comunhão com Deus; aquele que receberdes de novo na vossa comunhão, Deus o acolherá também na sua. A reconciliação com a Igreja é inseparável da reconciliação com Deus.” (Catecismo da Igreja Católica – CIC – 1445)
O Ministro desse Sacramento
“Como Cristo confiou a seus apóstolos o ministério da reconciliação… são os Bispos e os presbíteros que têm, em virtude do sacramento da Ordem, o poder de perdoar todos os pecados ‘em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’” (CIC 1461) Portanto, quem tem o poder principal de perdoar os pecados são os Bispos, que podem transferir para os sacerdotes esse mesmo poder, no intuito de ajudá-los na administração desse sacramento para os muitos fiéis da diocese.
Os sacerdotes devem incentivar os fiéis a receberem esse sacramento e estarem disponíveis para ministrá-lo, pois, o confessor é o servo do perdão de Deus. Cada um de nós pode confessar sem receio, porque, como ensina o Catecismo de nossa Igreja, da delicadeza e da grandiosidade desse ministério e do respeito que se deve às pessoas, a Igreja declara que todo sacerdote que ouve confissões é obrigado a guardar segredo absoluto a respeito dos pecados que seus penitentes lhes confessam, sob penas severíssimas… Esse segredo não admite exceções, chama-se sigilo sacramental. (CIC 1467).
Os efeitos deste sacramento
A finalidade e o efeito do sacramento da confissão é a reconciliação com Deus. O pecado nos afasta da graça e da amizade com Deus, então aquele que se arrepende e buscam esse sacramento, podem usufruir a paz e a tranquilidade da consciência, que vem acompanhada de uma intensa consolação espiritual. (CIC 1468)
Esse sacramento também nos reconcilia com a Igreja, pois o pecado fere ou quebra a comunhão fraterna e, pela confissão, toda Igreja recebe esse efeito vivificante da reconciliação do membro pecador. O penitente perdoado reconcilia-se consigo mesmo no íntimo mais profundo do seu ser, onde recupera a própria verdade interior; reconcilia-se com os irmãos que de alguma forma ofendeu e feriu; reconcilia-se com a Igreja; e reconcilia-se com toda a criação. (CIC 1469)
Palavras do Pe. Kentenich
Consciente do valor e da necessidade do sacramento da confissão, Pe. Kentenich tinha como maior desejo, como recém ordenado, ministrar esse sacramento para aquelas pessoas que, há muito tempo, não se confessavam, muito tempo sem se confessar, para poder reconciliá-las com Deus. Em sua conferência, conhecida como Documento de Pré-Fundação , ele diz que gostaria de “poder dedicar o resto do meu tempo e das minhas forças aos leigos, sobretudo aos velhos pecadores endurecidos. Queria caçar os chamados ‘cordeiros pascais’ , e a minha maior alegria de sacerdote era ver chegar um deles com uma carga pesada de velho entulho, acumulada durante anos, que até fazia ranger o confessionário.” [1]
Testemunho de vida
Pe. Franz Reinisch, mártir da consciência, um pouco antes de sua morte, fez um requerimento para ser conduzido ao local do martírio sem as algemas. Mas para ele, o mais importante é estar livre das algemas do pecado pela confissão:
“As algemas de ferro caíram. Tanto mais terão de cair agora as algemas dos pecados e defeitos, por uma confissão geral. Fiz o requerimento com a seguinte disposição interior: MTA, se eu com algemas puder servir melhor a Deus, a ti e às almas, então endurece o coração dos superiores; mas se puder servir melhor sem algemas, então faze que o requerimento seja deferido. Como te aprouver, querida Mãe! Hoje é o nono dia. Foi uma novena maravilhosa. Tanto mais quero agora algemar-me espiritualmente com teu amor, querida Mãe e Rainha de Schoenstatt” [2]
No próximo artigo iniciamos o estudo sobre o sacramento da unção dos enfermos.
Bibliografia:
Bíblia
Catecismo da Igreja Católica
[1] Dra. Dorothea M. Schlikmamm (Ir. M. Doria), José Kentenich – Uma Vida À Beira Do Vulcão
[2] Olavo Cesca – O sim e o sangue – Vida de Francisco Reinisch
*Flávia e seu esposo Luciano são membros da União de Famílias de Schoenstatt
OS SACRAMENTOS
- Os Sacramentos e a Aliança
- O Batismo nos introduz na Aliança
- O que é o sacramento da Confirmação
- O que é o sacramento da Eucaristia
- O sacramento da Confissão
- O que é o sacramento do matrimonio
- O que é o sacramento da Unção dos enfermos
- O sacramento da Ordem




