
Flávia C. Ghelardi* – Neste estudo, aprofundamos sobre mais um sacramento de cura: a Unção dos Enfermos. O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 1499 ensina: “Pela sagrada Unção dos Enfermos e pela oração dos presbíteros, a Igreja toda entrega os doentes aos cuidados do Senhor sofredor e glorificado, para que os alivie e salve. Exorta os mesmos a que livremente se associem à paixão e à morte de Cristo e contribuam para o bem do povo de Deus”.
Por essa definição podemos ver que por meio desse sacramento o enfermo é entregue nas mãos do Senhor, para receber alívio de seus sofrimentos e também é convidado a oferecer todas as dores e angústias da doença para ajudar na salvação das outras pessoas.
A enfermidade na vida humana
A doença, o sofrimento e a morte fazem parte da existência humana, desde que o pecado entrou no mundo. Na enfermidade, o ser humano experimenta suas limitações e a finitude da sua vida. Essa experiencia tanto pode levar à revolta e desespero, como a um amadurecimento e crescimento interior, ajudando a enxergar o que é essencial e o que não é.
A Igreja deseja ajudar a todos os enfermos a aceitarem seus sofrimentos, enquanto buscam a cura, motivar para unirem suas dores à Paixão de Cristo, a fim de que elas não sejam em vão e eles possam realmente ajudar na conversão dos pecadores e na reparação dos pecados, tanto do próprio doente como de todos os membros da Igreja.
Cristo Médico
Podemos observar em várias passagens do Evangelho a grande compaixão que Jesus tinha com os enfermos. Muitas curas são relatadas, tanto físicas como espirituais. Os enfermos procuravam tocá-lo, nem que fosse apenas na barra de sua roupa, para serem aliviados de seus sofrimentos. “A enfermidade não é mais do que uma consequência do pecado. Por sua paixão e morte na cruz, Cristo deu um novo sentido ao sofrimento, que doravante pode configurar-nos com Ele e unir-nos à sua paixão redentora” (CIC 1505)
Os discípulos são enviados para curar os doentes: “Partindo, eles pregavam quem todos se arrependessem. E expulsavam muitos demônios e curavam muitos enfermos, ungindo-os com óleo” (Mc 6,12-13)
A Igreja recebeu essa missão de curar os enfermos e esforça-se por cumpri-la tanto no cuidado (pensem em quantos hospitais e casas de saúde são administrados pela Igreja Católica) como pela oração de intercessão com que os acompanha.
Um sacramento dos enfermos
Na Carta de São Tiago (Tg 5,14-15) é instituído um rito próprio em favor dos enfermos, que consiste em chamar um sacerdote para que reze sobre eles e os ungir com óleo. “A oração da fé salvará o doente e o Senhor o aliviará; e se tiver cometido pecados, estes lhe serão perdoados” (Tg 5,15).
A Tradição reconheceu neste rito um dos sete sacramentos da Igreja. “Esta unção sagrada dos enfermos foi instituída por Cristo nosso Senhor como um sacramento do Novo Testamento, verdadeira e propriamente dito, insinuado por Marcos, mas recomendado aos fiéis e promulgado por Tiago, Apóstolo e irmão do Senhor” (CIC 1511)
Quem pode receber?
Segundo o direito canônico (cânon 1004): -§1a unção dos enfermos pode ser administrada a todo batizado que tenha atingido o uso da razão e esteja em perigo de vida ou por motivo de doença grave, e velhice. §2. Pode-se repetir este sacramento se o doente, depois de ter convalescido, recair em doença grave, ou durante a mesma enfermidade, se o perigo se agravar.
Como é ministrado
De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 1516: “Só os sacerdotes (bispos e presbíteros) são ministros da Unção dos Enfermos (126). O motivo é que nele está incluso o perdão dos pecados, caso o enfermo não consiga mais se confessar.
Ele consiste em ungir a testa e as mãos com um óleo devidamente consagrado e o sacerdote diz: “Por esta santa unção e por sua piíssima misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo, para que, liberto de teus pecados, Ele te salve e, em sua bondade, alivie teus sofrimentos.” (CIC 1513)
Efeitos desse sacramento
Primeiramente, traz a salvação e o alívio, na fraqueza física e espiritual; segundo, une o doente à Paixão de Cristo, para o seu bem e de toda a Santa Igreja. Terceiro, confere o perdão dos pecados, caso o doente não consiga realizar a confissão naquele momento.
Testemunho
A Ir. M. Emilie Engel é um exemplo de quem suportou com fé e confiança filial os momentos de sofrimento e enfermidade durante seu longo tratamento contra tuberculose. Em uma de suas internações, logo após uma grande cirurgia recebe o Sacramento da Unção dos Enfermos. No livro “Meu sim é para sempre” encontramos um relato feito por ela dois meses depois: “Estou um pouco resfriada, mas a minha confiança não se resfriou.” A tosse e as dores lombares se manifestam novamente. Ela implora o milagre de sua cura por intercessão de José Engling. Faz novenas, espera e confia sem desanimar. Seus pedidos são insistentes, mas, sempre acrescenta, do fundo de seu coração, a disponibilidade: “Espírito Santo, minha vontade seja totalmente tua e de nossa Mãe. Mas tu deves sustentá-la, pois tantas vezes ela já falhou.”
Bibliografia:
Meu sim é para sempre, Emilie Engel Irmã de Maria de Schoenstatt– Margareta Wolff
Catecismo da Igreja Católica
*Flávia e seu esposo Luciano são membros da União de Famílias de Schoenstatt




