
Flávia C. Ghelardi* – O Sacramento da Ordem, assim como o Sacramento do Matrimônio, foi instituído para auxiliar na salvação do outro e não especificamente daquele que o recebe, como é o caso dos outros sacramentos. Pode contribuir para a salvação de quem recebe, mas isso se dá pelo serviço que se presta ao outro. “A Ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo a seus Apóstolos continua sendo exercida na Igreja até o fim dos tempos; é, portanto, o sacramento do ministério apostólico. Comporta três graus: o episcopado, o presbiterado e o diaconado.” (CIC 1536)
Veja aqui o Sacramento da Ordem, no Catecismo da Igreja Católica
Por que o nome “Ordem”?
A palavra “ordem”, na Roma antiga, designa uma organização de pessoas encarregadas principalmente da tarefa de governar.
Na Igreja Católica, a palavra “ordenação” é reservada ao sacramento que integra uma pessoa na ordem dos bispos, dos presbíteros (sacerdotes) e dos diáconos e confere um dom do Espírito Santo que permite exercer um “poder sagrado”, que vem do próprio Cristo, por meio da Igreja. A ordenação é também chamada de consagração, pois separa a pessoa para o serviço sagrado, é uma investidura feita pelo próprio Cristo para a sua Igreja. A imposição das mãos do bispo, com a oração consecratória, constitui um sinal visível dessa consagração. (CIC 1538)
O sacramento da Ordem na Bíblia
Desde que as 12 tribos do povo de Israel foi escolhido para ser o povo de Deus, Ele elege a de Levi para serem sacerdotes, ou seja, os responsáveis pelo serviço litúrgico. Os sacerdotes foram constituídos para interceder em favor dos homens em suas relações com Deus, para oferecer dons e sacrifícios em reparação pelos pecados cometidos pelo povo eleito. (CIC 1539)
Todas as prefigurações do sacerdócio da antiga aliança se cumprem em Jesus Cristo, único mediador entre Deus e os homens. (1Tm 2,5). Cada sacerdote é verdadeiro ministro de Cristo, pois nele se torna presente o único e definitivo sacerdócio: Cristo.
O sacerdócio comum dos fiéis
O sacerdote é aquele que intercede junto a Deus e oferece sacrifícios em reparação dos pecados. Então, como explica São Pedro, todos os batizados são também sacerdotes quando rezam e fazem reparação pelos pecados: “quais outras pedras vivas, vós também vos tornais os materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1Pd 2, 5). Continua Pedro: “Sois uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis as virtudes daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa” (1Ped 2,9). São Paulo também nos convida: “Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual” (Rm 12, 1).
Porém, esse sacerdócio comum dos fiéis é essencialmente diferente do sacerdócio exercido pelos ministros ordenados, ainda que sendo “ordenados um para o outro”. Em que sentido? Enquanto o sacerdócio comum dos fiéis se realiza no desenvolvimento da vida batismal – vida de fé, esperança e caridade, vida segundo o Espírito – o sacerdócio instituído pelo sacramento da Ordem está a serviço de todos. É um dos meios pelos quais Cristo não cessa de construir e conduzir a sua Igreja e por isso é transmitido através de um sacramento próprio. (Cfr. CIC 1547)
Na pessoa de Cristo Cabeça
No serviço do ministro ordenado é o próprio Cristo que está presente como Cabeça da Igreja. Assim, quando está exercendo suas funções de sacerdote, o padre age como o próprio Cristo; melhor dizendo, é Cristo que age por meio do sacerdote. O sacerdote, ao mesmo tempo, age em nome de toda a Igreja quando apresenta a Deus a oração da Igreja, sobretudo quando oferece o sacrifício eucarístico. É por representar Cristo que o sacerdócio ministerial pode representar a Igreja, seu corpo místico. (Cfr. CIC 1553)
Palavras do Pe. Kentenich
Em um retiro que o Pe. Kentenich deu para sacerdotes, em 1934, ele canta os louvores do amor no coração de um sacerdote. As palavras podem ser facilmente lidas como autobiográficas:
Permitam-me acrescentar um segundo pensamento: o amor por minha Mãe Maria me impulsiona e me impele a continuar. Devo me lembrar novamente de como a Mãe Santíssima me mostrou todo o seu amor? Ela está diante de mim. O Deus-Homem lhe deu um coração maternal para mim. Quão maternal ela se mostrou para mim desde o início até agora, especialmente porque sinto meu chamado divino para ser padre, especialmente agora nestes dias [de retiro]…
Meu amor a Deus, que doravante deve me impulsionar a cuidar das almas, a formar Cristo em minha própria vida e na vida dos outros, deve ser um amor que imite [Cristo e Maria]. O amor me impulsiona; o amor de Cristo, o amor da Mãe, o amor das almas me impulsiona! Em sua morte, Nosso Senhor confiou muitas almas imortais a mim. Nossa Senhora deseja que eu cuide de seus filhos espirituais. É por isso que ela implorou para mim a graça do sacerdócio. Consequentemente, as obras de minhas mãos podem desmoronar, os edifícios e as organizações podem desmoronar; eles podem ter desmoronado sem culpa minha – mas não importa o que aconteça, ainda me resta uma coisa: o amor pelas almas imortais deve motivar constantemente todas as minhas ações.[1]
Pe. José Kentenich fundou quatro comunidades sacerdotais que estão a serviço das Comunidades e Ramos da Obra Internacional de Schoenstatt, na Igreja e com a Igreja, a fim de que cada sacerdote, de acordo com sua vocação e missão pessoal, encontre em Schoenstatt o seu lar e realize a missão que Deus lhe confia.
No próximo artigo trataremos dos graus do sacramento da Ordem, como é celebrado e quem pode conferir e receber esse sacramento, bem como seus efeitos.
Bibliografia:
[[1]] J. Kentenich Vollkommene Lebensfreude, retiro para sacerdotes em 1934 (Vallendar-Schoenstatt, 1984), p. 444, 445s.
Catecismo da Igreja Católica
*Flávia e seu esposo Luciano são membros da União de Famílias de Schoenstatt
OS SACRAMENTOS
- Os Sacramentos e a Aliança
- O Batismo nos introduz na Aliança
- O que é o sacramento da Confirmação
- O que é o sacramento da Eucaristia
- O sacramento da Confissão
- O que é o sacramento do matrimonio
- O que é o sacramento da Unção dos enfermos
- O sacramento da Ordem




