
Flávia C. Ghelardi* – O sacramento da Ordem pode ser conferido em dois graus de participação ministerial no sacerdócio de Cristo: episcopado (bispos) e presbiterado (sacerdotes). Existe ainda o diaconado (diáconos), que se destina a ajudar e servir aos bispos e sacerdotes. A doutrina católica ensina que os graus de participação sacerdotal (episcopado e presbiterado) e o de serviço (diaconado) são conferidos por um ato sacramental chamado “ordenação”, isto é, pelo sacramento da Ordem. (CIC 1554)
O Concílio Vaticano II ensina que pela sagração episcopal se confere a plenitude do sacramento da Ordem. Os bispos são sucessores diretos dos Apóstolos, portanto, pelo Espírito Santo que lhes foi dado, foram constituídos como verdadeiros e autênticos mestres da fé, pontífices e pastores. (CIC 1558) Eles transmitem legitimamente o poder de seu ministério em grau diferente dos presbíteros, para que possam cumprir a missão apostólica transmitida por Cristo, sendo colaboradores da ordem episcopal.
Em virtude do sacramento da Ordem, os padres estão unidos aos Bispos na dignidade sacerdotal, são consagrados para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino. É na celebração da Santa Missa que, agindo na pessoa de Cristo e proclamando seu mistério, eles unem os pedidos dos fiéis ao sacrifício de sua Cabeça e, até a volta do Senhor, tornam presente e aplicam o único sacrifício do Novo Testamento, o sacrifício de Cristo que, como hóstia imaculada, uma vez por todas ofereceu ao Pai. (CIC 1566)
Na ordenação dos diáconos, o Bispo impõe as mãos, não para o sacerdócio, mas para o serviço, ligando especialmente o diácono ao Bispo nas tarefas de sua diaconia. Cabe ao diácono, entre outros serviços, assistir o Bispo e os padres na celebração dos divinos mistérios, sobretudo na Eucaristia, distribuir a Comunhão, assistir ao Matrimônio e abençoá-lo, proclamar o Evangelho e pregar, presidir os funerais e consagrar-se aos diversos serviços da caridade.
A celebração do Sacramento da Ordem
A celebração da ordenação de um Bispo, de presbíteros ou de diáconos, devido à sua importância para a vida da Igreja particular, para a participação de maior número possível de fiéis, realiza-se de preferência num domingo e na catedral, com uma solenidade adaptada à circunstância. (CIC 1572) Faz parte essencial desse rito a imposição das mãos pelo Bispo sobre a cabeça do ordenando e a oração consagratória específica, que pede ao Pai o envio do Espírito Santo e de seus dons apropriados para o ministério para o qual o candidato é ordenado. (CIC 1573)
Quem pode conferir e receber esse sacramento
Somente os Bispos validamente ordenados, como sucessores dos apóstolos, podem transmitir o dom espiritual de seu ministério, para os três graus do sacramento da Ordem. Somente um varão (homem) pode receber validamente a ordenação sagrada, porque Jesus escolheu somente homens para serem seus doze apóstolos e os apóstolos fizeram o mesmo ao escolherem seus sucessores. Os Bispos e presbíteros são representantes do próprio Cristo, que se encarnou como homem. A Igreja se reconhece vinculada por essa escolha do próprio Senhor, por isso não é possível a ordenação de mulheres. (CIC 1578)
Ninguém tem o “direito” de receber o sacramento da ordem. É Deus quem chama para esse serviço e quem sente esse chamado deve se submeter à autoridade da Igreja que o prepara e o convoca para receber as ordens. Todos os ministros da Igreja Latina, com exceção dos diáconos permanentes, normalmente são escolhidos entre os homens que vivem como celibatários e querem guardar o celibato por causa do Reino de Deus.
Os efeitos do sacramento da Ordem
Este sacramento torna a pessoa semelhante a Cristo, para servir como seu instrumento em favor de sua Igreja. Como no caso do Batismo e da Confirmação, o sacramento da Ordem confere um caráter espiritual indelével, é para sempre. Por isso, não pode ser repetido e nem dado apenas por um período de tempo. (CIC 1582)
Um homem validamente ordenado, por motivos graves, pode ser exonerado ou proibido de exercer suas funções, mas jamais retornará a ser leigo no sentido estrito, porque o caráter impresso pela ordenação permanece para sempre. (CIC 1583) Um sacerdote ou bispo, no exercício de sua função permitida pela hierarquia, mesmo vivendo em pecado, celebra validamente os sacramentos, porque quem age e opera a salvação é Cristo, por intermédio do ministro ordenado e a indignidade deste não impede Cristo de agir. (CIC 1584)
A graça do Espírito Santo própria desse sacramento é a graça da configuração a Cristo Sacerdote, Mestre e Pastor, do qual o homem ordenado é constituído ministro. (CIC 1585)
Palavras do Pe. Kentenich
Pe. José Kentenich, na primeira missa de três novos sacerdotes palotinos, explica na homilia:[1]
É uma tarefa sacerdotal restaurar a vida divina quando ela se perde. É uma tarefa sacerdotal oferecer a Deus diariamente a pertença a Cristo, a união com Cristo, sim, todos os que pertencem a Cristo – como um grande holocausto e sacrifício de louvor…
Quão grande é Deus, quão grande é Cristo! Ele cria sacerdotes para si mesmo, a fim de manter a vida que ele mesmo trouxe a este mundo. Ele cria sacerdotes para si mesmo, para que, aqueles que são incorporados a ele, possam ser permanente e eternamente sustentados em sua pertença a Cristo. E quão grande é Cristo, quão grande é Deus que, por meio da ação dos sacerdotes, ressuscitará todos os que morreram. Onde a vida divina murchou e morreu, o sacerdote está lá, operando esse milagre e ressuscitando os mortos por meio da administração dos sacramentos. Dessa forma, ele povoa o céu.
[1] Brushstrokes of a Father, Vol 1. Pe. Niehaus, pg 203, tradução livre
*Flávia e seu esposo Luciano são membros da União de Famílias de Schoenstatt
OS SACRAMENTOS
- Os Sacramentos e a Aliança
- O Batismo nos introduz na Aliança
- O que é o sacramento da Confirmação
- O que é o sacramento da Eucaristia
- O sacramento da Confissão
- O que é o sacramento do matrimonio
- O que é o sacramento da Unção dos enfermos
- O sacramento da Ordem




