
Larissa Rodrigues – A Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, encerra o Ano Litúrgico e, neste ano de 2025, ressoa de forma especial no coração do Ano Jubilar da Esperança. A liturgia de hoje nos tira do palácio e nos leva à colina, onde a verdadeira realeza se manifesta na fragilidade e no dom total.
O trono é a cruz: O reino no sofrimento
Se reis terrenos são ungidos na glória (como a unção de Davi na Primeira Leitura, 2Sm 5,1-3), nosso Rei é ungido no sacrifício. O Evangelho (Lc 23,35-43) nos apresenta o paradoxo máximo da Realeza de Cristo: o Rei é coroado de espinhos, zombado e crucificado.
No entanto, é neste momento de máxima humilhação que o Seu Reino se revela em sua essência: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado” (Lc 23,42).
Esta súplica do Bom Ladrão (Dimas) contém a fé mais pura. Ele reconhece a realeza de Jesus não pelo poder visível, mas pela promessa invisível. A resposta de Cristo: “Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43) é o ápice da Misericórdia e o maior ato de um Rei que salva.
É nesta cena que encontramos a fonte da Esperança. O Reino de Cristo não é apenas futuro, mas está acessível “hoje” para aquele que O reconhece e confia, mesmo em meio à dor. Ele nos ensina que a força não está na violência, mas na nobreza dos atos e na paz do coração. A verdadeira liberdade é escolher como responder aos desafios da vida com uma atitude de profunda confiança e entrega.
O reinado universal e a reconciliação
A Segunda Leitura (Cl 1,12-20) resume a dimensão reconciliadora deste Reino. Cristo é “a Cabeça do Corpo, que é a Igreja” e “Aquele que reconciliou consigo todos os seres, tanto os da terra como os dos céus, realizando a paz pelo sangue da sua cruz”.
Esta é a Verdade que nos liberta: o Seu Reino é, primeiramente, Salvação, pois pelo sangue da Cruz fomos “transferidos para o Reino do seu Filho amado”. E este Reino é, também, a Paz que vem da garantia de que a justiça divina é, essencialmente, Misericórdia, capaz de curar e oferecer um novo começo para todos nós.
Em nossa espiritualidade, a Realeza de Cristo se manifesta no nosso ser de Homem Novo na Nova Comunidade, construído pela Aliança de Amor. O Reino começa no coração que se deixa reconciliar, purificar e amar por Aquele que é Rei em tudo.
Nossa realeza: A coroa do serviço
Pelo Batismo, somos participantes do múnus régio de Cristo. Este ofício real não significa poder terreno, mas sim a vocação para o serviço humilde e para o domínio sobre nós mesmos, governando nossas paixões para que vivamos os valores de Cristo. Ser “reis e rainhas” é exercer a realeza de Cristo no mundo através do serviço e do testemunho de vida, ordenando as realidades temporais (sociedade, família, trabalho) de acordo com a justiça, a caridade e a verdade.
Quando coroamos Maria, nossa Rainha, reconhecemos que a nossa dignidade não está na pompa, mas em nos colocarmos, como Ela, a serviço de Seu Filho.
“Venha a nós o vosso Reino” — A realeza de Cristo não é algo distante; ela começa em nós, na alegria serena do coração que confia. É a certeza de que a última palavra é de Deus, e essa palavra é Esperança de vida eterna e de paz inquestionável.
Que, neste Ano Jubilar da Esperança, e inspirados pela Solenidade de Cristo Rei, possamos, com a mesma fé do Bom Ladrão, reconhecer o Reino que se revela na humildade e no serviço, e caminhar com alegria à casa do Senhor (Sl 121), testemunhando a Esperança que brota da Cruz e da Ressurreição do nosso Rei.
Fonte: Homilias do Pe. Carlos Padilla




