
Maria nos ensina que o verdadeiro poder de Cristo reside na humildade e no carinho, um modelo para quem deseja tornar-se Instrumento na Aliança de Amor.
Larissa Rodrigues – A Festa de Cristo Rei do Universo convida-nos a contemplar um Rei cuja realeza transcende as estruturas do mundo. O paradoxo se manifesta na Cruz: o Cristo que não se impõe pelo poder terreno, mas que atrai pela fragilidade, ostentando a coroa de espinhos. Seu reinado não é dominar, mas sim amar e servir até o extremo.
Para compreendermos a essência desse Reino da Ternura, somos conduzidos ao lado de Maria, no Gólgota.
O poder da humildade no carinho
Maria é a nossa primeira e maior educadora na Aliança de Amor. Nela, encontramos a chave para um cristianismo corajoso. O Papa Francisco descreve essa visão de forma incisiva, mostrando que a ternura não é para os fracos. Ele afirma que, “cada vez que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do carinho”. E, mais do que isso, em Maria, “vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam maltratar os outros para se sentir importantes” [1].
Esta é a pedagogia de Deus manifesta em Maria: a força reside na mansidão e na caridade. A sua misericórdia e o seu carinho nos abraçam e nos impulsionam a viver a dinâmica de justiça e ternura, caminhando em direção ao próximo.
A dócil discípula e o instrumento fiel
A grandeza de Maria reside em sua total entrega e em seu enfoque em Cristo. Ela é o Templo, o Santuário Vivo, onde o mistério da humanidade se realizou. Para nós, Maria é o nosso ideal de instrumento. Ela é aquela que se fez completamente disponível para que a Luz de Cristo brilhasse por meio dela.
O Papa Francisco apresenta a grandeza de Maria que “jamais quis para si tomar algo de seu Filho” e que “jamais se apresentou como co-redentora”, sendo, na verdade, “discípula” [2]
Maria é a discípula perfeita. Seu papel é mostrar Cristo e levá-Lo ao Seu povo. E nós, que selamos a Aliança de Amor, somos chamados a atuar a partir do Santuário, onde a Mãe Três Vezes Admirável nos concede graças e nos educa para participarmos da Obra de Cristo, oferecendo nosso ‘sim’ livre para que Ele se manifeste em nosso mundo.
A fragilidade como potência do amor
O Reino de Cristo, manifestado no abandono da Cruz, nos ensina a ver a força de Deus em nossa própria fraqueza. Nosso Fundador, Pe. José Kentenich, ensinou que Deus se utiliza de instrumentos pequenos e frágeis para realizar grandes obras. Reconhecer-se como “instrumento débil” não é motivo de desânimo, mas sim a condição para que a Luz de Deus brilhe com maior clareza.
A nossa fragilidade e nossos esforços, alegrias e sofrimentos – as nossas ofertas ao Capital de Graças – são transformados pelo poder de intercessão de Maria. O Reino de Cristo, manifestado na fragilidade da Cruz, nos ensina que a força de Deus reside, precisamente, em nossa pequenez. Assim é o Amor de Jesus: silencioso, dócil e sem ostentação, mas que opera com uma potência invisível capaz de vencer todas as coisas e transformar o nosso mundo
Que Maria, nossa Mãe e Educadora, nos conduza para que Cristo Rei possa reinar em nossas vidas, transformando nossos medos em força da entrega total.
[1] FRANCISCO, Papa. Exortação Apostólica Evangelii Gaudium: sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual. São Paulo: Paulinas, 2013. n. 288. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#A_Estrela_da_nova_evangeliza%C3%A7%C3%A3o. Acesso em: 24 nov. 2025.
[2] FRANCISCO, Papa. Homilia na Missa de Nossa Senhora de Guadalupe. Cidade do Vaticano, 12 dez. 2019. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2019/documents/papa-francesco_20191212_omelia-guadalupe.html. Acesso em: 24 nov. 2025.




