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Pe. Carlos Padilla Esteban* – A palavra Advento significa vinda. Trata-se da chegada de Cristo na humildade da minha carne. Um tempo sagrado para me preparar para as festas do Natal e da Epifania. Alguma vez, pregando para crianças, perguntei-lhes o que aconteceria se de repente a Igreja celebrasse o Natal hoje, sem semanas de preparação. Alguns me responderam: «Não estaríamos preparados. É como se nos dessem uma prova surpresa, sem tempo para estudar».
O que me faltaria seria a espera e o desejo. Nestes tempos, ninguém gosta de esperar por nada. A inteligência artificial me faz crer que tudo se consegue de forma instantânea, apertando um botão. Já ninguém está disposto a esperar para receber cartas. Ficar na fila para obter algo não é aceitável. Esperar é sinônimo de perder tempo. E o tempo é demasiado valioso para perdê-lo, vale ouro. As mudanças têm que ocorrer a toda velocidade, sem perder tempo. A Igreja quer ensinar-me a esperar, a perder tempo, a ter paciência a cada dia. Por isso é tão importante aproveitar o Advento para aprender a esperar.
A esperança que vai além
O Papa Bento XVI falava assim da esperança: «O homem tem muitas esperanças, maiores ou menores, diferentes segundo os períodos da sua vida. Às vezes pode parecer que uma dessas esperanças o preenche totalmente e que não precisa de nenhuma outra. Contudo, quando estas esperanças se cumprem, vê-se claramente que isto, na realidade, não era tudo. Está claro que o homem precisa de uma esperança que vá além. É evidente que só pode contentar-se com algo infinito, algo que será sempre mais do que nunca poderá alcançar.»
As esperanças pequenas são essas expectativas que me movem a almejar o que há de vir. Espero isso com ansiedade. E quando o possuo, surge outra expectativa, outro desejo nessa cadeia interminável de desejos que me leva ao infinito. O desejo move o meu coração, mas quero no Advento cultivar o desejo verdadeiro. Deseja-se o que ainda não se possui. Sei que deve existir algo que não conheço ainda e para o qual me sinto impulsionado.
O desejo que nos mantém vivos
Dizia também o Papa na sua Encíclica: «De algum modo desejamos a vida mesma, a verdadeira, aquela que não seja afetada nem mesmo pela morte; mas, ao mesmo tempo, não conhecemos isso para o qual nos sentimos impulsionados.» O desejo é o que me mantém com vida, desperto, ativo. É o que me levanta da cama cada manhã.
Viktor Frankl, ao falar da vida dos presos em campo de concentração, dizia que o que mantinha com vida um homem nessas circunstâncias eram duas coisas: uma, saber que alguém os estava esperando lá fora. A outra, saber que havia algo que ainda tinham que realizar ao sair. Em ambos os casos, despertava-se em seus corações o desejo de continuar vivendo, de lutar, de esperar para chegar vivos ao exterior e poder levar a cabo seus sonhos. Quando desaparecia esse desejo, quando não havia expectativas de encontrar a pessoa amada, porque já estava morta ou desaparecida, da mesma maneira morria o desejo de viver.
Aceitar a realidade para ter sentido
A espera e o desejo dão força ao meu ânimo. E são ao mesmo tempo as duas realidades que preenchem o tempo de Advento. É um tempo que me é presenteado para aprender a esperar e aprender a desejar o que me pode dar a vida verdadeira. Desejar e esperar, sonhar e aguardar. A pergunta que surge é: «O que desejo de verdade? Qual é a minha esperança? O que espero que aconteça?».
Muitas vezes, os meus desejos e as minhas esperanças não têm a ver com essa vida verdadeira que Deus me dá. Desejo uma vida que não tenho e vivo amargurado sonhando com um mundo diferente daquele em que vivo. Angustio-me ao tocar a realidade e ver a sua dureza. Não é o que eu tinha sonhado, não sou o que eu tinha esperado ser no começo do caminho. Desejar e esperar não é algo alheio à minha realidade. Para poder esperar e desejar com um sentido, tenho que aceitar primeiro a minha realidade, a minha vida como é, não como eu gostaria que tivesse sido.
Toco a carne do meu corpo, os anos que vivi, o presente que construí de mãos dadas com Deus e quero ser capaz de dar graças. Mas não por isso me dou por satisfeito. Posso ser muito mais, posso alcançar nuvens mais altas, posso ir mais longe. Se sou fiel no pequeno, se me ponho a caminho, se o desejo de uma vida maior move os meus passos.
Mesmo vendo a pobreza da minha vida agora, não deixo de sonhar com uma vida melhor, mais plena. Sempre posso dar mais, sempre posso entregar mais. A vida é muito longa e pela frente há muitos caminhos possíveis. Desejo algo melhor. Espero alcançar os sonhos que habitam o meu coração. Não me desanimo, não perco a esperança. No Advento, aprendo a sonhar com um mundo muito melhor, com uma vida mais santa, com um caminho mais profundo.
*Traduzido por: Larissa Rodrigues




