Ir. M. Jimena Alliende – Quatro semanas para agradecer e projetar nossa vivência da Mãe de Deus na Aliança de Amor. Quatro semanas para decantar o ocorrido em Roma em 1965 como o ápice de um processo espiritual vivido em fidelidade ao carisma fundacional e culminado em comunhão com a Igreja.
Os três primeiros marcos da história de Schoenstatt estão ancorados em datas concretas: 18 de outubro de 1914, 20 de janeiro de 1942 e 31 de maio de 1949. Em contrapartida, o quarto marco é uma corrente de vida que atravessa os meses de setembro a dezembro de 1965.
Quem se atrever a “garimpar” nos fatos – escavar com paciência nas camadas da história – descobrirá que cada marco de Schoenstatt está vinculado a um lugar carregado de sentido: o primeiro, no Santuário Original, onde tudo começa no pequeno e oculto; o segundo, em uma prisão urbana, significado de prova e entrega radical; o terceiro, em um santuário filial, expressão de expansão e envio; e o quarto, em Roma, coração da Igreja, onde o carisma recebe confirmação e missão universal.
O quarto marco possui elementos de variada substância: pessoas, textos, transtornos, conjunturas complicadas.
Sacerdotes simples e bispos com seus solideos cruzam-se nos palcos visíveis e nas conversas de corredor. Há lugares emblemáticos: casas religiosas, salas do Vaticano, cúrias e auditórios onde as decisões ganham forma. Documentos que emergem da Secretaria do Concílio, figuras relevantes que transitam entre o formal e o fraterno: cardeais, teólogos, superiores gerais.
Durante o Concílio Vaticano II, o “tema Schoenstatt” não passou despercebido. Em meio às sessões conciliares, vários cardeais – sensíveis ao chamado de uma renovação profunda da Igreja – reconheceram que o caso do Pe. Kentenich respondia a critérios e procedimentos próprios de uma etapa eclesial superada.
A atuação do Santo Ofício, marcada por esquemas obsoletos, foi questionada por aqueles que impulsionavam uma Igreja mais aberta ao discernimento, à missão e à liberdade no Espírito. Com visão profética, estes pastores compreenderam que Schoenstatt não era um problema, mas uma semente: lançaram a nave em direção à nova margem, deixando para trás as velhas praias da suspeita e do formalismo.
Deveríamos ressaltar com especial atenção a participação do cardeal Raúl Silva Henríquez. A ele somam-se altos dignitários de diversas línguas. Fica registrado na crônica o papel desempenhado por Dom Tenhumberg, bispo de Münster; Dom Höffner, então bispo de Münster e depois cardeal de Colônia, conhecido por sua abertura ao pensamento personalista e sua proximidade com movimentos eclesiais. Cardeais como Julius Döpfner (Munique), Joseph Frings (Colônia) – de quem o então Monsenhor Ratzinger foi secretário – e Leo Joseph Suenens (Malinas-Bruxelas).
Haveria mais nomes a acrescentar.
É indispensável nomear um sacerdote que trabalhava para o Vaticano, monsenhor Wissing. Ele reuniu informações e visitou o Pe. Kentenich em Milwaukee. Foi um elo decisivo para concretizar a reabilitação e geriu a audiência com o Papa Paulo VI.
Por outro lado, contamos com as memórias do Cardeal Raúl Silva Henríquez, que possuem um incalculável valor testemunhal.
Ele relata sua contribuição para que o Papa Paulo VI reconsiderasse a situação e assinasse o decreto de 22 de outubro de 1965, que transferia a causa do padre Kentenich do então Santo Ofício para a Congregação dos Religiosos.
A transferência da causa do Pe. Kentenich para a Congregação dos Religiosos, assinada por Paulo VI em 22 de outubro de 1965, constituiu uma reabilitação de fato de Schoenstatt sob uma perspectiva pastoral e carismática.
O ápice de tudo ocorreu em 22 de dezembro. O Fundador foi recebido em audiência privada pelo Santo Padre, selando assim um gesto de reconciliação institucional e abertura espiritual que Schoenstatt interpretou como confirmação providencial de sua missão na Igreja pós-conciliar.
Naquela atmosfera conciliar, ressoava a alocução do Papa ao encerrar o Concílio Vaticano II, em 8 de dezembro, proclamando Maria como Mãe da Igreja. Não foi uma definição dogmática, mas de profundo significado pastoral e espiritual.
Schoenstatt compreendeu isso no horizonte da vivência mariana do Fundador e de todos os filhos da Aliança de Amor. Era uma confirmação da intuição mariana original: Maria é mãe, é colaboradora constante de Jesus no plano de salvação pessoal e universal.
Há dois fatos também relevantes que vale a pena registrar. Naquele mesmo dia, 8 de dezembro, o Padre abençoou a pedra fundamental do futuro – hoje já presente – santuário em Roma, dando-lhe o nome de Matri Ecclesiae.
E ainda mais… No decorrer daquele mês de dezembro de 1965, foi presenteada ao Padre a Cruz da Unidade original.
A cruz tornou-se símbolo de comunhão entre o Fundador e a Família, e da vocação de Schoenstatt de ser coração mariano no coração do mundo. Nela se expressa a unidade entre Cristo e Maria, entre cabeça e corpo, entre missão e entrega.
Além do conteúdo histórico e programático do quarto marco, ocorreram sinais providenciais de todo tipo que desenvolveremos na edição de dezembro de 2025 da revista Vínculo, ao se celebrarem os sessenta anos daquele processo.
Como conclusão, uma frase do Pe. Kentenich:
“Eu os enviei como herdeiros de um grande passado, como portadores de um grande presente, mas também como construtores de um grande futuro”.
Tradução: Larissa Rodrigues




