
(Foto: Freepik)
Edson Pieralisi* – Anos atrás, a imagem de Nossa Senhora Aparecida quebrou-se em mais de duzentos pedaços e sua restauração parecia quase que impossível 1. Assim também pode acontecer com o diálogo em família: está em pedaços e parece que não tem mais como ser reconstruído, ainda mais quando os corações e os sentimentos estão feridos, quando as palavras não são tijolos de construção de unidade, mas sim dardos que machucam e ferem.
O mundo precisa de diálogo
Quando vemos a situação do mundo, de nossa pátria e de nossas famílias, percebemos como o diálogo é importante para o crescimento nos vínculos, para a construção da paz e do bem-comum, como a falta do diálogo ou um diálogo não verdadeiro erguem muros que nos distanciam e entristecem nosso dia a dia.
Lembremos que todo diálogo requer uma abertura ao outro, acolher suas dores e angústia e tentar entender que, muitas vezes, as palavras tem um contexto que vai muito além do seu significante e significado. Ser um “bom escutador” e ter paciência fazem parte do verdadeiro diálogo!
Cuidado com as palavras
É necessário muito cuidado com as palavras que se utiliza e a forma de dizê-las. Quando estamos sensíveis, pode acontecer que usamos palavras duras e uma forma amarga de expressá-las e, depois, acalmada a “tempestade”, acabamos por nos arrepender. Mas, o estrago está feito. Se não for usar palavras que elevam e em uma forma adequada, é melhor silenciar! Cuidado com o desânimo, com a passividade e com a vitimização: isto não é de Deus!
Não fugir de temas difíceis
Para evitar conflitos, pode acontecer que não se fale sobre determinados temas, como a situação financeira da família, obediência, a distância da religião, usos e costumes contrários à pureza e aos valores, política, etc. Cada família sabe quais temas doem. Podemos unir tais temas/dores à Sagrada Família, pedir a sua intercessão e a graça da franqueza e corresponsabilidade. Que o Espírito Santo mostre e ilumine os caminhos.
Para restaurar a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi preciso uma cola especial. Para reconstruir o diálogo em família é também necessária uma “cola” especial: o perdão! O perdão é o abraço que constrói e reconstrói a vida em família.
Como começar?
Está difícil o diálogo em família? Comece dialogando com Jesus, diante de um Sacrário, e fale tudo que está se passando, seus sentimentos de desvalimento e impotência, fracassos, feridas, cicatrizes… Entregue tudo isto e confie sua família aos cuidados do Senhor. Tenha esperança vitoriosa, abra seu coração e, humildemente, peça que Jesus o/a transforme, para que comece em você a disponibilidade para o diálogo que constrói “a casa sobre a rocha”.
Pode ajudar muito, unir sua oração pessoal com a oração em família. Se possível, inicie com pequenas orações, orações curtas, um convite para peregrinar ao Santuário e para participar nos sacramentos em família.
Dialogar também sem usar palavras
É importante ter a clareza de que o diálogo não se dá apenas com as palavras, mas, também com o olhar, com o silêncio, com pequenos gestos, com o carinho. Por exemplo, que diálogo transformador foi o olhar de Jesus à Pedro naquela noite tão difícil! Que diálogo cheio de amor foi o olhar entre Jesus e Maria, no caminho do Calvário e aos pés da cruz! Quantas palavras são necessárias para expressar o simples andar de mãos dadas para um casal!
Está faltando “o vinho do diálogo” em sua família?
Peça a Maria e José esta graça e não se esqueça de “encher as talhas” com seus esforços (suas orações e sacrifícios entregues ao Capital de Graças). Assim teremos sempre um “Natal do diálogo”, o Menino Jesus venha ao nosso coração e transforme nossa história, nossa vida, nossa realidade.
*Edson Pieralisi e sua esposa Rosangela são membros do Instituto de Famílias de Schoenstatt
1https://www.a12.com/redacaoa12/noticias/5-fatos-sobre-o-atentado-a-imagem-de-nossa-senhora-aparecida




