
(Foto: Pink frog/Getty Images)
Pe. Carlos Padilla Esteban* – Alguns magos do Oriente chegam a uma terra estrangeira seguindo uma estrela. O sonho desses sábios vai se tornar realidade. Depois de ouvirem o rei, eles partiram e, de repente, a estrela que viram surgir começou a guiá-los, até parar sobre o lugar onde estava o Menino. Ao verem novamente a estrela, ficaram cheios de imensa alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e prostrando-se, o adoraram. Eles seguem uma estrela que aparece e desaparece até pousar sobre uma gruta de Belém. Uma luz que guia seus passos (Mt 2,9–11).
Olhar para o céu para escutar Deus
Os reis, assim como os pastores, souberam escutar Deus porque olhavam para o céu e buscavam sinais para descobrir a sua vontade. Gosto dessa atitude tão bonita. Uns pastores que olham para o céu, uns magos que buscam sinais no céu. O profeta convida o povo a erguer a cabeça e a confiar. Levante os olhos e olhe ao redor. Todos se reúnem e vêm até você. Seus filhos chegam de longe, suas filhas são trazidas nos braços. Então você verá isso com alegria radiante. Seu coração se alegrará e se expandirá, quando os tesouros do mar se voltarem para você e lhe trouxerem as riquezas dos povos. Uma multidão de camelos e dromedários o inundará, vindos de Midiã e de Efá. Todos os de Sabá virão trazendo incenso e ouro e proclamando os louvores do Senhor (Is 60,1–6). Os reis se enchem de alegria e, assim, tornam-se portadores de alegria.
As estrelas que guiam o meu caminho
Onde estão as estrelas que guiam o meu caminho? Eu gostaria de saber o que tenho de fazer em cada momento. Sem necessidade de que um anjo me apareça. Basta que uma estrela brilhe de forma especial no céu, marque o caminho a seguir e me permita ver na noite o que preciso fazer. Existem estrelas no meu céu que marcam o meu caminho. Elas aparecem nas pessoas que encontro, nas palavras que me tocam, nos acontecimentos que me deslocam. São sinais que só consigo perceber quando levanto o olhar e busco, quando aguço meus sentidos para escutar Deus.
Assim são os magos, buscadores que não se cansam de buscar. Por isso, vão perguntando quando a estrela se oculta. Jesus nasceu em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes. Uns magos do Oriente chegaram então a Jerusalém e perguntaram onde estava o rei dos judeus que acabara de nascer, pois viram surgir a sua estrela e vieram para adorá-lo. Eles só querem adorar o rei dos reis. O rei que acaba de nascer. Por isso perguntam ao rei, porque pensam que ele, assim como eles, também estará buscando o rei que há de vir para salvar a todos (Mt 2,1–2).
A ingenuidade dos magos e o medo de Herodes
Esse olhar dos magos comove. Eles são simples, quase crianças. Perguntam com ingenuidade e não imaginam a reação do rei. Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele. Então convocou os sumos sacerdotes e os escribas do povo e lhes perguntou onde o Messias deveria nascer. Eles responderam que seria em Belém da Judeia, conforme o profeta tinha anunciado, pois de Belém sairia o pastor do povo de Israel. Em seguida, Herodes chamou os magos em segredo para saber exatamente quando a estrela lhes havia aparecido e os enviou a Belém, pedindo que voltassem para avisá-lo quando encontrassem o menino (Mt 2,3–8).
O apego que aprisiona
Herodes sente medo, porque pensa que esse menino, o rei dos reis, pode tirar-lhe o poder, a glória, a fama, a honra. Muitas vezes, também temo perder o que tenho, acontece como com Herodes. Não ajo como os magos, que deixam tudo para se colocar aos pés de um menino em Belém. Eles não temem nada, deixaram tudo. Herodes, porém, está excessivamente apegado ao seu lugar, ao seu poder, à sua posição. Tenho medo de me apegar às coisas, de me escravizar ao sentir que sou de um lugar e não querer que ninguém me mova, que não me tirem de onde estou, que não me arranquem o meu lugar. Contei minhas posses, descobri minha capacidade de mandar e fazer coisas, e não quero perder o que já tenho. É vaidade esse desejo de mandar, de governar. Possuo a terra e a quero para mim. Essa atitude adoece.
A liberdade de quem vem do céu
O que salva é a atitude dos reis, que são livres. Eles se põem a caminho e não temem que, ao voltar, tenham perdido tudo. Possuem sem se apegar e governam sem se apropriar do poder. São homens do céu mais do que da terra. O verdadeiro reino deles, como o de Jesus, não é deste mundo. Quem está disposto a se ajoelhar diante dos outros é quem não deseja que alguém se ajoelhe diante dele (Jo 18,36).
Para ser um buscador, é preciso estar convencido de algo. Não possuo tudo, não me basta o que já conquistei, algo me falta, porque a vida nesta terra é uma busca contínua, um ir de um lado para outro buscando Deus, seus sinais, seus desejos. Não viver estagnado, porque isso faz com que me acomode demais e me feche. Quando já não precisar de mais nada, significa que algo está errado. Quer dizer que me acostumei demais ao que é meu e não terei espaço na alma para mais nada. O buscador sempre sente que lhe falta algo. Ainda não alcançou a meta. Ainda não possui o céu. É esse olhar que preciso para ser feliz.
*Trecho da Homilia da Solenidade da Epifania do Senhor em 04 de janeiro de 2026.




